TRADICIONAIS DÚVIDAS OU DÍVIDAS (Série Folclórica Memória) ROBERTA LESSA


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POPULARMENTE SOMOS ENRIQUECIDOS PELA MÚLTIPLA DIVERSIDADE DE NOSSAS MANIFESTAÇÕES EM TODAS AS REGIÕES DO BRASIL, MAS O QUE TEMOS É UMA INÉRCIA IMENSA DOS GOVERNANTES QUE FAZEM DA CULTURA POPULAR MAIS UM DEGRAU NA ESCADA QUE ESCALAM PELAS SUAS INTENSÕES ESPÚRIAS, E AS TANTAS EMPRESAS E COLETIVOS TÃO BEM ELABORADOS COM A FINALIDADE DE LUCRAR  COM OS FAZERES, DIZERES E SABERES DOS VERDADEIROS SERES CULTURAIS.

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DIA DO FOLCLORE? QUANDO? (Série Folclórica Memória) ROBERTA LESSA


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COMO SE COMEMORA O DIA DO FOLCLORE SEM SE ADMITIR PARTE DESSE PROCESSO VIVENCIAL QUE SÃO NOSSOS SABERES, FAZERES E DIZERES POPULARES QUE DIUTURNAMENTE APLICAMOS EM NOSSO COTIDIANO MESMO SEM PERCEBERMOS?

CONGADA DE PIRACICABA (Série Folclórica Memória) ROBERTA LESSA


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Grupo de Congada do Divino de Piracicaba – Foto Fran Camargo – 2016

            A Congada do Divino Espírito Santo de Piracicaba é formada de um complexo universo existencial um misto de culturas de múltiplas nacionalidades e de etnias que sincretizam-se desde o tempo do Brasil pré colonial até a atualidade. Sua existência contempla signos culturais inúmeros e multi facetados, abarcando em sua gênese todo complexo universo cultural legitimado pela influência antropológica de origem indígena, européia, africana, e de demais expressões que somaram-se posteriormente enriquecendo-a em suas formas de expressões artísticas culturais. À exemplo citamos  uma de suas muitas fortes vertentes existenciais no município e que remonta quase dois séculos de  prática devocional, através da transmissão e continuidade da prática popular e clerical de culto ao seu Sagrado, onde antigos povoadores trouxeram à Piracicaba o costume cristão de se reunirem nos meses que antecediam os festejos em louvor ao Divino Espírito Santo, à paga de promessas e pedidos à Terceira Pessoa da Santíssima Trindade,  na sequência das comemorações do Pentecoste.

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Festa do Divino de Piracicaba no ano de 2016

            Os devotos, moradores local eram artistas, populares, religiosos, governantes que participavam da atividade devocional eram conhecidos como foliões e parte deles compunham a Folia do Divino e à posteriori foi denominada em Piracicaba como Congada do Divino Espírito Santo e que existe até hoje. Em comitiva os foliões visitavam as casas de famílias moradoras nas zonas rural e urbana, e eram recebidos com festividades pelos moradores que aguardavam com farta comilança por aqueles que junto à eles reverenciariam o seu Sagrado, como ainda ocorre atualmente nos já conhecidos Pousos do Divino, com cantos, danças, orações, pedidos em promessas que eram pagos ou agradecidos  através da mortalha e ex votos,  neste período os moradores circunvizinhos se reuniam em orações na casa que recebiam os marinheiros e os foliões do Divino que trazim consigo a Bandeira consagrada. Em síntese, neste período religioso ocorriam rituais que precediam e preparavam a população devota para os festejos em louvor ao Divino Espírito Santo, herança da colonização portuguesa introduzida no Brasil no século XVII.  (…)

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Congada do Divino Dançando Baixão do Divino- Acervo GRUCONDESPI

            Na década de 1940, o então professor e pesquisador João Chiarini, percebendo a emergencial e urgente necessidade de salvaguardar e apoiar as riquezas existentes e que estavam em risco de extinguirem-se no município e região, promove inúmeras ações em defesa do folclore e da cultura popular de tradição piracicabana, unindo-se com representantes de diversos segmentos  da cultura de tradição local, tornou-se literalmente guardião junto com outros fazedores dessas manifestações, difundindo-as  por todo o Brasil e em outros países, através do então recém criado Centro do Folclore de Piracicaba. Chiarini une-se à dançantes, cantadores, tocadores e devotos, iniciando assim o grupo de Dança Folclórica de Piracicaba, que alia além da Folia, danças diversas. Posteriormente, dando sequência à sua gênese esse grupo, que se reunia no Largo dos Pescadores, na famosa rua do Porto do município de Piracicaba, torna o grupo folclórico Congada do Divino Espírito Santo de Piracicaba e se  mantém até hoje todas demais danças fortalecendo-se ainda mais enquanto grupo devocional e oficial da festa do Divino de Piracicaba. (…)

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Congada do Divino de Piracicaba – Cantadores e Tocadores – Acervo GRUCONDESPI

            A Congada de Piracicaba em seu movimento evolutivo tem em sua tessitura histórias diversas, que compõem e enriquecem seu universo atemporal. Sempre ativa, atravessou por muitos desafios superando-os à medida que surgiam. Hoje ela e todos que dela fizeram e fazem parte são símbolos de resistência, fé, devoção e principalmente irmandade entre seus pares. Em sua existência surgem gradualmente músicas e coreografias com temáticas elaboradas e alusivas à religiosidade e ao folclore local e nacional, unindo heranças transmitidas através da oralidade introduzidas e desenvolvidas por seus antigos componentes. Neste contexto verifica-se um significativo processo sincrético, culminando o que hoje denomina-se Congada do Divino de Piracicaba. Uma das características essenciais da Congada de Piracicaba é a manutenção e difusão do legado multi cultural que a compõe e que a fortalece, além de manter e preservar a devoção ao Divino Espírito Santo e à nossa Senhora de Aparecida, cultuados desde seu início enquanto Folia do Divino.

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Congada do Divino de Piracicaba – Derrubada e Benção dos Barcos- Festa do Divino de Piracicaba -2016 – Acervo GRUCONDESPI

            Ao longo do tempo a Congada de Piracicaba torna-se reconhecidamente o único grupo manifesto e ininterrupto desde o início de suas práticas até a atualidade, tornando-se elemento preponderante e significante de tradição folclórica, popular e religiosa de Piracicaba,  aliando a prática da fé aos diversos ritmos, credos, usos e costumes que incorporaram à suas apresentações. É o único grupo da região do Médio Tietê que apresenta suas atividades as apresentações de: Baixão do Divino, Congada do Divino, Caninha-Verde, Samba Lenço, Dança do Pau de Fita, Tangarás, Rio de Lágrimas, gerando um universo sincrético acolhedor entre rituais, ritos, ritmos, e demais heranças culturais.     (…)

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Dona Tica: Rainha da Congada – Acervo GRUCONDESPI

            Resistindo às muitas intempéries nesse longo espaço de tempo de existência, representa Piracicaba em diversos eventos religiosos, artísticos culturais e ou filantrópicos, à exemplo, é representante do município no Ciclo do Divino em festas alusivas ao Divino Espírito Santo, à São Benedito, à Nossa Senhora de Aparecida, pousos, encontros, congressos, festivais, missas, fóruns, feiras e festejos de forma geral. É importante ressaltar a importância da Congada de Piracicaba nos festejos folclóricos, e que por opção do grupo se mantém informal visando evitar tornar-se um empreendimento comercial,  e tem em seu bojo a resistência, inovação e manutenção da tradição do município, sendo de valor significativo e expressivo para a interpretação e re significação da cultura local, onde se identificam elementos sócio antropológicos e semiológicos tais como, dança, medicina popular, canto, rito, religião, economia, música, representação, crendice, entre tanto outros itens que integram o contexto social de um coletivo de tradição secular manifesto, gerando uma rede de relações sócio culturais multi dimensionada.

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Congada representando o cruzamento dos remos no Rio Piracicaba -Foto Roberto Rocha

            Isso posto, sua presença é tênue e de sistemático referencial teórico nas diversas áreas de conhecimentos, ocasionando dessa forma a aculturação e  miscigenação completa de práticas e revisitações de técnicas corporais, orais, rítmicas, à luz da interpretação cultural, imprimindo o que chamamos de transfiguração. Enquanto objeto de estudo, cabe enfatizar que a Congada de Piracicaba é fonte de pesquisa do universo acadêmico em nível nacional e internacional, fornecendo subsidios aos pesquisadores que produzem publicações, documentários, filmagens e gravações difundidas há décadas.

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Caetano Provenzano – Rei da Congada -Foto Roberto Rocha

            O objetivando a salvaguarda desse bem imaterial e justifica-se o seu já tardio registro nos livros de saberes, dizeres e fazeres do Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Piracicaba – CODEPAC, para tal a coordenação do grupo no ano de  2010 solicitou oficiosamente aos conselheiros da entidade o seu registro enquanto patrimônio imaterial do município, fato que até os dias de hoje aguarda posicionamento do organismo supra citado. Tal intento, tem apoio da vereança onde através de aprovação unanime  em reunião camarária fora encaminhado uma moção ao senhor prefeito de Piracicaba para que ele decrete legalmente a Congada de Piracicaba como patrimônio imaterial de Piracicaba, fato que o grupo continua a aguardar. (…)

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Congada do Divino na Folia do Divino (Festa do Divino de Piracicaba – Foto Fran Camargo

            Nas artes também verifica-se produções significativas em diversos segmentos da cultura artistica, tais como literatura, escultura, teatro, pintura, desenhos, artesanato, entre outros. É de suma importância salientar e referendar que cada componente da Congada do Divino de Piracicaba é agente responsável pela sua salvaguarda, resistência, sobrevivência e vitoriosa superação, seja como cidadãos, organizadores, “dançadores”, “tocadores”, e ou “cantadores”; que se harmonizam com a comunidade, nos festejos da cidade e de outras localidades; demonstrando também o modo como transitam física, mental e espiritualmente nas comunidades que atua. Sobrevive com recursos próprios, pois não recebe subsidios e ou apoio financeiro de entidades governamentais e ou não governamentais, e muitas vezes seus coordenadores investem recursos próprios no grupo para que possa dar continuidade e manter o grupo. Com base em um novo olhar, há de se entender que a Congada do Divino de Piracicaba constitui um significativo elo para a interação de diversos elementos presentes na sociedade, assim, o corpo que se manifesta, ora em casa, ora na rua, traz impregnada sua cultura: a cultura da Congada, a Congada de Piracicaba.

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A Congada é guardiã dos andores do Divino e de Nossa Senhora na festa do Divino de Piracicaba – Foto Fran Camargo

ROBERTA LESSA

Coordenadora. da Congada do Divino Espírito Santo de Piracicaba

Folclorista, Escritora, Arte Educadora, Pesquisadora, Curadora

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(Texto de autoria de Roberta Lessa, proibida o uso e  difusão parcial e ou integral sem citar a devida fonte: LESSA, Roberta, Congada de Piracicaba: Memoria de Um Povo de Um Lugar, Acervo Congada do Divino de Piracicaba-SP, 2009)

FESTA DO DIVINO DE PIRACICABA (Série Folclórica Memória) ROBERTA LESSA


CONGADA- Cartaz de Incentivo
190. FESTA EM LOUVOR AO DIVINO ESPÍRITO SANTO DE PIRACICABA – SP
Importante rememorar, a equipe da Irmandade do Divino Espírito Santo de Piracicaba vem se esmerando pela realização de seu festejo maior, durante todo o ano, promovendo ações para angariar fundos para as necessárias reformas que à olhos vistos estão sendo direcionados para a infra estrutura do evento.
À olhos visto também se revela o diferenciado comprometimento não só verbal, mas nas linhas de ações implantadas com recursos próprios, fato que eleva ainda mais esse pequeno número de pessoas que vem se esmerando de acordo com suas possibilidades e tempo, pois a maioria trabalha para sustento próprio e dedica suas horas vagas para somarem esforços em prol desse nosso secular evento.
São pessoas anônimas que certamente fazem parte daquelas pedrinhas que alicerçam uma irmandade que vem se adaptando à uma nova fase estrutural, onde o respeito ancestral impera e também se associa aos novos devotos que se associam à irmandade que deve sim difundir e salvaguardar sua principal identidade que é a fé e devoção ao seu Sagrado.
Todo esse festejo deixa de ter sua razão se não se eleva e se fortalece a verdadeira causa de sua existência o DIVINO ESPÍRITO SANTO, Por isso que cada ato no preparo da Festa do Divino há de ser dedicada à esse Sagrado…
Há poucos dias de nossa esperada Festa, nós da Congada do Divino Espírito Santo de Piracicaba desejamos que haja harmonia, união e principalmente rememoração dos tempos em que pela cura de nosso povo esse ato religioso de origem portuguesa fora implantado em nossas terras, e em nossa cidade.
SALVE NOSSO AMADO DIVINO ESPÍRITO SANTO!
SALVE OS POUSOS PELAS GRAÇAS PEDIDAS/ALCANÇADAS!
SALVE AS IRMANDADES UNIDAS EM LOUVAÇÃO AO DIVINO!
SALVE A IRMANDADE DO DIVINO DE PIRACICABA!
SALVE A CONGADA DO DIVINO!
SALVE OS VOLUNTÁRIOS E DOADORES!
SALVE OS DEVOTOS DIVINAIS
SALVE TODOS OS FESTEIROS DEVOCIONAIS!
ENFIM…
Que sejamos todos harmonizado pelo bem maior que é estamos conectados ao Sagrado que habita cada um de nós.
roberta lessa
coordenadora da congada do divino

ODE À TRADIÇÃO (Série Folclórica Memória) ROBERTA LESSA


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– O que se há de fazer ? Diz o fazedor.
: Botarei na lida a felicidade mesmo sendo alvo de incapazes.
: Iludirei a fome de fazer com a esperança de vencer.
: Alumiarei com fazeres aquilo que recebi por dizeres.
: Unirei forças com aquele que sabe de todo meu valor.
: Calarei corações quando ausentar-me do que faço com emoção.
: Observarei meu feito enquanto com ele tirar meu sustento.
:Atenderei ao plantio em minha alma quando minha hora chegar.
– O que se há de fazer ? Diz o plantador.
: Botarei na terra a eternidade mesmo sendo alvo de sagazes. .
: Iludirei a fome de semear com a esperança de lutar.
: Alumiarei com dizeres aquilo que recebi por saberes.
: Unirei falas com aquele que sabe de todo meu temor.
: Calarei emoções quando ausentar-me do que planto com dedicação.
: Observarei meu plantio enquanto com ele tirar meu provento.
: Atenderei ao ben(di)zer em minha alma quando minha hora passar.
– O que se há de fazer ? Diz a benzedeira.
: Botarei na reza a intensidade mesmo sendo alvo de vorazes.
: Iludirei a fome de benzer com a esperança de prever.
: Alumiarei com saberes aquilo que recebi por conteres.
: Unirei caminhos com aquele que sabe de todo meu clamor.

: Calarei dedicações quando ausentar-me do que benzo com devoção.

: Observarei meu benzimento enquanto com ele tirar meu alento.
: Atenderei ao pescar em minha alma quando minha hora voltar.
– O que se há de fazer ? Diz o pescador.
: Botarei no rio a intensidade mesmo sendo alvo de algozes.
: Iludirei a fome de pescar com a esperança de velar.

: Alumiarei com conteres aquilo que recebi por poderes.

: Unirei sonhos com aquele que sabe de todo meu pendor.

: Calarei devoções quando ausentar-me do que  pesco com retidão.

: Observarei meu pescar enquanto com ele tirar meu alimento.
: Atenderei à colheira em minha alma quando minha hora fincar.
– O que se há de fazer ? Diz o boia fria.
: Botarei no campo a unidade mesmo sendo alvo de vorazes.
: Iludirei a fome de colher com a esperança de crescer.
: Alumiarei com poderes aquilo que recebi por viveres.
: Unirei gestos com aquele que sabe de todo meu furor.
 : Calarei retidões quando ausentar-me do que colho com precisão.
: Observarei meu colher enquanto com ele tirar meu intento.
: Atenderei  à cura em minha alma quando minha hora muda.
– O que se há de fazer ? Diz a curandeira.
: Botarei na vida a claridade mesmo sendo alvo de revezes.
: Iludirei a fome de curar com a esperança de orar.
 : Alumiarei com viveres aquilo que recebi por valores.
: Unirei crenças com aquele que sabe de todo meu fervor.

: Calarei precisões quando ausentar-me do que saro com intuição.

: Observarei meu  curar enquanto com ele tirar meu unguento.
: Atenderei à viagem em minha alma quando minha hora navegar.
– O que se há de fazer ? Diz o marinheiro.
: Botarei no rio a paridade mesmo sendo alvo de albatrozes.
: Iludirei a fome de navegar com a esperança de voltar.
: Alumiarei com valores aquilo que recebi por dizeres.fazeres.
: Unirei remos com aquele que sabe de todo meu amor.
 : Calarei intuição quando ausentar-me do que navego com coração.
: Observarei meu flutuar enquanto com ele tirar meu rebento.
: Atenderei ao fazer em minha alma quando minha hora pesar.

 

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NOTA DA AUTORA:
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  • Olá estimado(a) leitor(a), sejam sempre bem vindos(as) e peço que, se possível enviem-me sugestões e ou dicas de melhor escrever,assim vamos trocando figurinhas literárias e eu agradecida, aprenderei muito e assim melhorarei minha escrita. Desde já agradeço mansa, imensa e intensamente.
    Ah sim, interações são sempre muito bem vidas, pois eu adoro trocar gentilezas em forma de doces poesias.

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Com “A” de Afeto, Roberta Lessa
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Published in: on 14 de maio de 2016 at 23:13  Comentários desativados em ODE À TRADIÇÃO (Série Folclórica Memória) ROBERTA LESSA  
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CONSELHO DE BENZEDEIRA (Série Folclórica Memória)


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NO MEIO DO MATO CAMINHANDO ENTRE CANTEIROS DE FRUTA, VERDURA E LEGUMES:

“- … Mai vótefania a gente fala e ninguém escuta…”

” – … e mato tem zóio…”

E EU  OUÇO AS FALAS E A NATUREZA FALA EM MIM.

NO MEIO DE FESTAS PROSEANDO ENTRE SONS DE REZAS, SIMPATIAS E BENZIMENTOS:

“- … Mai vótefania a gente voa e ninguém segura…”

” – …  e vento tem asa…”

E EU VOAVA EM ASAS E O UNIVERSO ESTAVA EM MIM.

NO MEIO DO VENTO DANÇANDO ENTRE ASAS DE AVES, ANJOS E INSETOS:

“- … Mai vótefania a gente aquieta  e ninguém fala…”

” – … e parede tem ouvido…”

E EU  OUVIA E O UNIVERSO FALAVA EM MIM

NO MEIO DE CRENÇA CONSAGRADA ENTRE RITOS, MITOS E MAGIAS:

“- … Mai vótefania a gente reza e ninguém ajuda…”

” – … e alma tem pena…”

E EU ORAVA E O UNIVERSO TRANSCENDIA EM MIM .

NO MEIO DA MEMÓRIA TRANSMITIDA ENTRE SEGREDOS, MEMÓRIAS E CAUSOS:

“- … Mai vótefania a gente chora e ninguém volta…”

” – … e saudade tem cheiro…”

E EU LEMBRAVA E O UNIVERSO CONSPIRAVA EM MIM.

NO MEIO DO CAMPO TEMPERADO ENTRE  PLANTIO, COLHEITA E COSTUMES:

“- … Mai vótefania a gente anda e ninguém chega…”

” – … e estrada tem perna…”

E EU CORRIA E A NATUREZA ESPERAVA EM MIM.

NO MEIO DA CIDADE VIVIDA ENTRE CORRIDA, PODERES E CONSUMO:

“- … Mai vótefania a gente nota e ninguém percebe…” 

” – … e gente  tem  medo…”

E EU OBSERVAVA E  A NATUREZA VIVIA EM MIM.

Published in: on 11 de setembro de 2015 at 13:12  Comentários desativados em CONSELHO DE BENZEDEIRA (Série Folclórica Memória)  
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FOLCLORIZANTE VIVER (Série Poema no Poema – Geração I) Roberta Lessa


FOTO POEMA-RLessa

FOTO POEMA-RLessa

FOLCLORE NÃO É UM DIA, MAS UM VIVER.
Viver cuidando de nossa memória ancestral.
FOLCLORE NÃO É UM DIA, MAS UM RECONHECER.
Reconhecer preservando nossa existência primordial.
FOLCLORE NÃO É UM DIA MAS UM DISCORRER.
Discorrer elevando nossa evolução natural.
FOLCLORE NÃO É UM DIA MAS UM DESENVOLVER.
Desenvolver reverenciando nossa existência cultural.
FOLCLORE NÃO É UM DIA MAS UM COMPREENDER.
Compreender dignificando nossa energia espiral .
FOLCLORE NÃO É UM DIA MAS UM  EXERCER.
Exercer valorizando nossa riqueza intemporal.
FOLCLORE NÃO É UM DIA MAS UM FLORESCER.
Florescer respeitando nossa proteção astral.

Published in: on 9 de agosto de 2015 at 16:29  Comentários desativados em FOLCLORIZANTE VIVER (Série Poema no Poema – Geração I) Roberta Lessa  
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QUE A LEI CÓSMICA SE CUMPRA (RL/05/15)


ROBERTA LESSA - FOTO POEMA

ROBERTA LESSA – FOTO POEMA

ASSIM COMO É EM CIMA É EMBAIXO
ASSIM COMO É DENTRO É FORA
ASSIM COMO É FORTE É FRACO
ASSIM COMO É VOCÊ SOU EU
ASSIM COMO É VIDA É SORTE
ASSIM COMO É TERRA É CÉU
ASSIM COMO É SAL É VIDA

Que a Lei Cósmica se cumpra

PLENAMENTE
ETERNAMENTE
INFINITAMENTE
CONTINUAMENTE
PROFUNDAMENTE
IMPRETERIVELMENTE
TRANSCENDENTEMENTE

Published in: on 22 de maio de 2015 at 7:16  Comentários desativados em QUE A LEI CÓSMICA SE CUMPRA (RL/05/15)  
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DESDOBRAMENTOS


ROBERTA LESSA  - FOTO POEMA

ROBERTA LESSA – FOTO POEMA

Rindo cuidadosamente, pois minha mente também é ardente em apalavrinhações.
Rindo afonicamente, pois minha gente também é pungente em reivindicações.
Rindo desaforadamente, pois minha fonte também é consciente em reflexões.
Rindo desalinhadamente, pois minha fronte também é plangente em distinções.
Rindo insistentemente, pois minha meliante também é urgente em soluções.
Rindo compulsivamente, pois minha militante também é querente em evoluções.
Rindo emocionalmente, pois minha inconstante também é carente em posições.

Published in: on 12 de maio de 2015 at 13:30  Comentários desativados em DESDOBRAMENTOS  
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PEIXE PICHADO (*)


Roberta Lessa- Peixe Pixado - Piracicaba - SP- Imagem da internet

Roberta Lessa- Peixe Pichado – Piracicaba – SP- Imagem da internet

O PEIXE

– função social de um peixe –

O que estabelece a verdadeira função social de um objeto é certamente sua utilização pelas pessoas que fazem parte do contexto social em que mesmo faz parte. Sem falsos pudores e sem desejo de fazer valer minhas considerações a respeito dessa, digamos, escultura pisciana que fora instalada em uma das principais vias de acesso do município de Piracicaba, no interior do estado de São Paulo e que gera muitas considerações da população e do visitante que chega ao local. Essa enorme estrutura nada aquática e acimentada estruturalmente torna-se de período em período alvo de considerações, ações e “proseio” dos munícipes tornando-se muitas vezes ponto alto de referência do que não se deve se tornar um referencial artístico local, haja vista nossa cidade ser tão bem abastecida de artistas plásticos que se esmeram em talentos poli facetados  e engrandecem ainda mais Piracicaba como berço de artes multi diversas.

PEIXE É FEIXE

Roberta Lessa- Peixe Pixado - Piracicaba - SP- Imagem da internet

Roberta Lessa- Peixe Pichado- Piracicaba – SP- Imagem da internet

O FEIXE

– função de resistência de um peixe –

Falar em peixe é saber também coletivizar o existir, pois que nenhum peixe vive só é fato sabido há muito, e coube ao ser humano uma compreensões diferenciadas nesse refletir, estabelecendo também a solidão à essa representação, ledo engano artístico eligir em cimento frio e impessoal a coletividade expressa no existir de um peixe dando-o formas e tamanho que se equipara tão somente ao ego e talento de quem concebeu a ideia inicial há anos e que fora implantada no ano de dois mil e doze pela administração municipal se auto intitulando dona da ideia. Enfim entre cópias e cópias de ideias o país segue em frente e assim muitas vezes nos esquecemos que como feixes unidos, se os peixes estiverem juntos muitas piracemas virão e com ela a solução de muitos males da coletividade social de piracicaba.

FEIXE É REFLEXO

Roberta Lessa- Peixe Pixado - Piracicaba - SP- Imagem da internet

Roberta Lessa- Peixe Pichado – Piracicaba – SP- Imagem da internet

O REFLEXO

– função de reflexo de um peixe –

Ocorre que que frequentemente o referido peixe toma vida e voz da população, como se estratégica e audaciosamente mente transladasse do ser uma obra de arte, para de tornar painel de uso cotidiano e efetivo das insatisfações dos cidadãos que o utilizam em suas pichações. Dessa maneira, um objeto inanimado recebe nova vida  e função quando é também utilizado enquanto reflexo daqueles que necessitam de algo, são contra algo ou simplesmente abominem a sua instalação na entrada da cidade. A arte é também uma das formas mais tradicionais de expressão de um coletivo, de um município e principalmente de uma nação como podemos observar em diversos período do existir da humanidade a arte reflete a voz do povo e analisar a questão com esses prisma, certamente um novo parâmetro de pesos e medidas poderá ser considerado enquanto percentual de satisfação ou não de uma administração pública.

REFLEXO É PIXEL

Roberta Lessa- Peixe Pixado - Piracicaba - SP- Imagem da internet

Roberta Lessa- Peixe Pichado – Piracicaba – SP- Imagem da internet

O PIXEL

– função de pixel de um peixe –

E consideramos que somos somas de signos e significados, e que cada elemento da humanidade assim o é tanto se for considerado isoladamente ou como sendo parte da humanidade, estamos sim conectados e somos influenciados por toda uma gama de informações  que abarcam mais que reações de desprezo e repulsa partidária, mas de qualidade naquilo que opera e cuida da sociedade que se compõe. omos sim esse conjunto de unidades que compões, mesmo que diferenciadamente, todo um complexo sistema social que por sua vez dialoga com demais outros sistemas existentes. È sim um macro universo habitado e habitante de tantos outros.  Se considerarmos a sociedade formada de pixels- humanos, podemos também considerar que cada ocorrência por mais que dispersa das demais é sim integrante e legítima do local que  é manifesta e devido à isso devemos sim avaliar tais expressões como fiel à uma causa e justificada diante de sua execução.

PIXEL É NEXO

Roberta Lessa- Peixe Pixado - Piracicaba - SP- Imagem da internet

Roberta Lessa- Peixe Pichado – Piracicaba – SP- Imagem da internet

O NEXO

– função de nexo de um peixe –

Conectar uma ação considerada vândala à sintomas de uma sociedade que necessita de outros valores e ações efetivas é sanar em partes a procura de parâmetros de ações voltados ao social oportunizando dessa maneira conexões  imprescindíveis para categorizar as prioridades necessárias para serem estruturadas como linhas de ações que certamente beneficiará a sociedade; transcendendo dessa forma a inoperância administrativa para implementações que possam a estruturar um município de forma diferenciada. Nada se fará se não houver tais considerações, se não se ouvir  a voz de todos, indistintamente; pois somos sim esse limiar de eternos retalhos e fragmentos que se somam e transbordam diferenças e multi diversidades.

NEXO É O MÁXIMO

Roberta Lessa- Peixe Pixado - Piracicaba - SP- Imagem da internet

Roberta Lessa- Peixe Pichado – Piracicaba – SP- Imagem da internet

O MÁXIMO

– função de máximo de um peixe-

E o peixe se amplia a cada nova pichação, a cada novo investir em sua pintura, lá permanece e se torna amplo por ser também uma diferenciada forma de diálogo entre as diversas formas e camadas da sociedade que tem sede de respostas e não se prende à gabinetes, pois é viva, mutante e mutável e ele, esse dourado peixe permanece até que submerja em águas profundas do esquecimento ou então se eleve ainda mais enquanto painel de lamentações e reivindicações daqueles que por ele pagaram e muito através dos impostos cobrados pela municipalidade.. Cabe à ele o devido espaço dado na sociedade e cabe a cada cidadão tecer uso cotidiano daquilo que seria apenas uma forma de deixar marcas de um administrativo lical, Mas lembremos que chafarizes muitos foram utilizados como tal e que peixes não sobrevivem felizes em  chafarizes pis foram feitos para fluir pelos rios e mares livremente.

MÁXIMO É EXTRATO

Roberta Lessa- Peixe Pixado - Piracicaba - SP- Imagem da internet

Roberta Lessa- Peixe Pichado – Piracicaba – SP- Imagem da internet

O EXTRATO

–  função de extrato de um peixe  –

Enfim, de tudo se tira um substrato, ou vários, e é bom sempre salientar que o peixe dourado é singular em sua espécie, pois é carnívoro e muitas vezes canibaliza seus semelhantes e nos rios há outros peixes que compõe a sociedade em si, são tuviras, lambaris, piaus… e piracemas anualmente ocorrem, na sociedade humana a piracema se dá a cada quatro anos tecendo nova esperança à sociedade cansada de imposturas e mau uso de verbas públicas… e pode chegar um tempo que além de realizar a piracema os peixinhos menores também desovarão novas posturas diante das urnas pois pensarão nos seus alevinos que necessitarão de uma cidade com águas mais limpas para melhor viver. Sejamos sim cada um de nós peixes dourados que sabem de seu potencial e o utiliza.

EXTRATO É PEIXE

Roberta Lessa- Peixe Pixado - Piracicaba - SP- Imagem da internet

Roberta Lessa- Peixe Pichado – Piracicaba – SP- Imagem da internet

(*) – Em Piracicaba, interior do estado de São Paulo fora instalado em uma das vias de acesso ao município, uma enorme estrutura em cimento com forma de um peixe fora instalado e  Inaugurado no ano de dois mil e doze. Essa tal “obra de arte”, serve de acordo com justificativas governamentais, de referencial portal receptivo aos visitantes que adentram na cidade pela rodovia Luiz de Queiroz em 2012. Custou aos cofres público na época noventa mil reais e desde sua instalação  é alvo de críticas e pichações principalmente de cunho social e política à administração municipal.

A “escultura” fora idealizada pelo então vice-prefeito e presidente do IPLAPP (Instituto de Pesquisa e Planejamento de Piracicaba) João Chaddad, e é causa de mais gastos de dinheiro público quando é necessário re pintar o peixe que é constantemente vitimado de ações  de cidadãos. A  Secretaria Municipal de Obras de Piracicaba quando questionada sobre quanto já foi gasto para manutenção da escultura, não informa o custo de cada serviço.

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