HOJE E SEMPRE (RL/12/14)


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AVISO AOS NAVEGANTES

Hoje, a partir de ontem resolvi desacelerar e viverei
Hoje, a partir de ontem decidi obliterar e desobedecerei
Hoje, a partir de ontem aludi paladar e encantarei
Hoje, a partir de ontem permiti reiterar e calarei
Hoje, a partir de ontem proibi congregar e unirei
Hoje, a partir de ontem caí patamar e subirei
Hoje, a partir de ontem iludi devagar e desconectarei

AVISO AOS AVILTANTES

Hoje e sempre será hora do reagir o florescer em mim
Hoje e sempre será hora do entorpecer o denegrir em mim
Hoje e sempre será hora do digerir o amanhecer em mim
Hoje e sempre será hora do acontecer o emergir em mim
Hoje e sempre será hora do exigir o fortalecer em mim
Hoje e sempre será hora do engrandecer o sorrir em mim
Hoje e sempre será hora do contrair o enlouquecer em mim

AVISO AOS ELEGANTES

Hoje eu quero a rosa mai linda que há e também as feias
Hoje eu quero a rosa mai linda que há e também as alheias
Hoje eu quero a rosa mai linda que há e também as ateias
Hoje eu quero a rosa mai linda que há e também as espúrias
Hoje eu quero a rosa mai linda que há e também as fugidias
Hoje eu quero a rosa mai linda que há e também as ilusórias
Hoje eu quero a rosa mai linda que há e também as arredias

AVISO AOS ADSTRINGENTES

Hoje e jamais se convergem quando o artista cria
Hoje e jamais se divergem quando o artista pronuncia
Hoje e jamais se emergem quando o artista avalia
Hoje e jamais se espargem quando o artista vistoria
Hoje e jamais se interagem quando o artista inebria
Hoje e jamais se elegem quando o artista injuria
Hoje e jamais se urgem quando o artista distancia

AVISO AOS DIVERGENTES

Hoje o olho sabe o que o coração não mais sente
Hoje o olho cabe o que o coração não mais ressente
Hoje o olho sobe o que o coração não mais embate
Hoje o olho coube o que o coração não mais suporte
Hoje o olho incube o que o coração não mais pressente
Hoje o olho concebe o que o coração não mais consente
Hoje o olho recebe o que o coração não mais importe

AVISO AOS ENVOLVENTES

Hoje a intolerância se traveste de gentilezas e nos deleta
Hoje a circunstância se traveste de sutilezas e nos delata
Hoje a distancia se traveste de asperezas e nos dilata
Hoje a violência se traveste de miudezas e nos maltrata
Hoje a demência se traveste de vilezas e nos relata
Hoje a prepotência se traveste de torpezas e nos formata
Hoje a ganância se traveste de grandezas e nos mata

AVISO AOS REVOLTANTES

Hoje nada mais sou do que aquilo que escolho
Hoje nada mais estou do que aquilo que recolho
Hoje nada mais vou do que naquilo que olho
Hoje nada mais elevou do que aquilo que orgulho
Hoje nada mais tomou do que aquilo que mergulho
Hoje nada mais soou do que aquilo que brilho
Hoje nada mais ressoou do que aquilo que embrulho

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Published in: on 10 de dezembro de 2014 at 23:48  Comentários desativados em HOJE E SEMPRE (RL/12/14)  
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O TEMA QUE ME AGRADA POR TEMER NÃO SER – (RLessa/Nov/2014)


Escultura "Nós Dois Juntos" de Michael  Alfano

Escultura “Nós Dois Juntos” de Michael Alfano

Quando determinada manifestação cultural humana gradual e conscienciosamente passa a se tornar produto de consumo  com  valores dispersos e distantes de sua essência, perde também gradualmente seus referenciais que legitimam todo seu processo natural de evolução pela sociedade. Com tal  decrepitude instaurada ocorre também o perder identitário daquilo que há muito existe.

Percebe-se  a decapitação artística onde através do niilismo da linguagem o  bem imaterial é catalogado, temporalizado, especificado, cadenciado e não menos pior utilizado como mais uma marcação daquilo que é arte e que é substituída no mundo por um sistema cartográfico equivocado.

O floreio utilizado como pano de fundo dessa pandemia destrutiva é de forma rasa mas infelizmente efetiva a desconstrução da riquezas simbólicas enquanto parte alegórica e alienada da arte.  Esse floreio parte sempre para a tentativa de auto engrandecimento para se tornar floresta, mas as vezes se perde na folha e não se vê pertencente mas possuidor.

Dessa forma e para total desconexão ancestral, ocorre a repetição incessante da arte torna-a cópia da cópia da própria cópia, e nada mais do sentido original permeará o que surge. A ciência explica tal fenômeno de sua forma sistematicamente acadêmica, mas nesse sistematizar não ocorre o real prazer pois é só explicar e reproduzir códigos  e com isso perde-se a capacidade de realizar sonhos.

 Quando a ideia da tradição da cultura popular dilui-se tão somente e irracionalmente em palcos e demostração verifica-se a total adulteração daquilo que muitas vezes é a marca de um lugar, de um povo de uma arte. O processo evolutivo natural de um bem imaterial é rudemente travestido de convenientes rumos, lucros, egos e medos, perdendo-se imediatamente a total noção da função da arte, do rito, do mito, das crenças que caracterizam o folclore.

Quando ocorre a substituição da linguagem enquanto criação dos valores oriundos do legado ancestral, por códigos equivocadamente vazios e efêmeros, ocorre também a sustentação de que a tradição está para servir de alimento e consumo e não de força nutriz e norteadora de um contexto cultural multi diversificado.

Tornar o olhar atento a tais investidas anti naturais é estabelecer  uma constante batalha contra todo um sistema voltado à manutenção de imposturas que se revelam cada vez mais usuais e destrutivas das tradições folclóricas de um habitat.

Published in: on 9 de novembro de 2014 at 22:14  Comentários desativados em O TEMA QUE ME AGRADA POR TEMER NÃO SER – (RLessa/Nov/2014)  
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FINADOS: HOMENAGEM AOS NOSSOS FALECIDOS


Imagem coletada na internet

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AOS NOSSOS PARES QUE SE TORNARAM AUSENTES
Somos seres de símbolos e nesse tanto carregamos o espanto
Somos seres de simpatias e nesse tanto retornamos o acalanto
Somos seres de simetrias e nesse tanto encantamos o santo
Somos seres de simplicidade e nesse tanto suportamos canto
Somos seres de similaridades e nesse tanto entornamos enquanto
Somos seres de simplificações e nesse tanto formamos o sacrossanto
Somos seres de simulações e nesse tanto elevamos o pranto
AOS NOSSOS AUSENTES QUE SEMPRE SERÃO NOSSOS PARES

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QUE ASCENDA AS ALMAS QUE POR ELAS VELAS ACENDO
Hoje na Santa Cruz, orei pelos meus amados que se foram
Hoje na Santa Cruz, acendi as chamas aos que não mais as tem
Hoje na Santa Cruz, jurei paciência com almas que se perdem
Hoje na Santa Cruz, rezei pelos que não mais tem quem por eles rogue
Hoje na Santa Cruz, pedi para caminhos serem luzes e portas passagens
Hoje na Santa Cruz, sorri por gratidão à todos que por mim orarão
Hoje na Santa Cruz, percebi ser ecos daqueles que por aqui passaram
Hoje na Santa Cruz, talhei em mim mais um dia de missão cumprida
QUE JAMAIS TEMAMOS O QUE AINDA NÃO COMPREENDEMOS

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À VOCÊS QUE AMO E REVERENCIO RESPEITOSAMENTE
Hoje fui à missa com saudade de quem falta mas que muito preencheu.
Hoje fui à missa de saudade de quem amo e que sempre amarei.
Hoje fui à missa para saudade de quem fica em meus atos.
Hoje fui à missa em saudade de quem fora e deixara legado.
Hoje fui à missa por saudade de quem marcou e fora marcado.
Hoje fui à missa na saudade de quem acarinhou e soube me amar
Hoje fui à missa sem saudade de quem se foi e que sempre ficará.
À VOCÊS QUE ME HABITA E QUE GUARDO EM MEU CORAÇÃO

Imagem coletada na internet

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AOS NOSSOS QUERIDOS, AMADOS QUE SE FORAM
Que todos os que se foram sejam com respeito lembrados.
Que todos os que estiveram sejam com lembranças cultuados.
Que todos os que se desprenderam sejam com atitudes honrados.
Que todos os que nos deixaram sejam com plenitude venerados.
Que todos os que nos compuseram sejam com reverência acarinhados.
Que todos os que nos antecederam sejam com pensamentos respeitados.
Que todos os que nos forjaram sejam com palavras considerados.
AOS NOSSOS QUERIDOS, AMADOS QUE SEMPRE FORAM

Imagem coletada na internet

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Nesse domingo, reverenciando a ancestralidade, estejamos plenos de que um dia também seremos os reverenciados…
BOM DIA AOS QUE SÃO
BOM DIA AOS QUE VÃO
BOM DIA AOS QUE VIRÃO
BOM DIA AOS QUE SERÃO
BOM DIA AOS QUE TERÃO
BOM DOA AOS QUE ESTÃO
BOM DIA AOS QUE FORAM
Jamais enterramos nossos mortos, não de verdade; nós os levamos eternamente conosco: Eis o preço do viver.

Published in: on 3 de novembro de 2014 at 14:23  Comentários desativados em FINADOS: HOMENAGEM AOS NOSSOS FALECIDOS  
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SER ESTAR CRER- roberta lessa


Imagem: Saci Urbano

Imagem: Saci Urbano

METÁFORAS DO QUE SOMOS

Somos árvores de troncos que se sustentam em profundas raízes.
Somos metas de vida que se mantém no movimento de ondas.
Somos casa de abelhas que se transformam no salivar do mel produzido.
Somos passadas de caminhantes que se diluem na poeira da estrada.
Somos perfis de faces que se perpetuam nas rugas memoriais.
Somos margens de possibilidades que se diluem no profundo das marés.
Somos pedras de estradas que se consomem em crença de horizontes.

Imagem: Saci Urbano

Imagem: Saci Urbano

SE O SOMOS, É POR METAMORFOSEAR AS METÁFORAS.

Pensei ser folclore, reinventando manhã e manhas de estórias contadas.
Pensei ser folclore, reaprendendo mandingas e causos de pai de santos.
Pensei ser folclore, realizando proezas e poesia de causa metafórica.
Pensei ser folclore, reproduzindo estória e memória de gente que se foi.
Pensei ser folclore, reconstruindo saberes e sabores de infância vívida.
Pensei ser folclore, reascendendo olhos e corações de curas e milagres.
Pensei ser folclore, reabastecendo gerações e sonhos de por vires.

Imagem: Saci Urbano

Imagem: Saci Urbano

TRANSGREDINDO METÁFORAS O QUE SE É ESTÁTICO INOVA.

  • Aí chega o caipira travestido de caipora e desmente o que pensei ser, para remeter a certeza de que nada se pensa se não se é realmente.
  • Aí chega o velho preto travestido de saci e desconstrói o que pensei ter, para remeter a proeza de que nada se pensa se não se vive plenamente.

  • Aí chega o cantador travestido de viola e desmorona o que pensei conter para remeter a beleza de que nada se pensa se não se crê urgentemente.

  • Aí chega o guardião travestido de memórias e desafina o que pensei deter para remeter a singeleza de que nada se pensa se não se provê eternamente.

  • Aí chega o artesão travestido de sonhos e desarma o que pensei ater para remeter à pureza de que nada se pensa se não se prevê auspiciosamente.

  • Aí chega o ancestral travestido de vivências e descolore o que pensei abster para remeter à robusteza de que nada se pensa se não se descrê aleatoriamente.

  • Aí chega o fomento travestido de advento e descomplica o que pensei distender para remeter à estranheza de que nada se pensa se não provê encantadoramente.

Imagem: Saci Urbano

Imagem: Saci Urbano

CENTRO DO FOLCLORE DE PIRACICABA-CARTA À TRADIÇÃO IV


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Imagem gentilmente cedida e desenhada por Zequinha, mestre em Capoeira de Angola de Piracicaba – SP
Que ótimo seu interesse, agradeço pelo contato, você  realmente é essencial, generosa e necessária nesse momento tão importante para nós fazedores de tradição.
Claro que poderemos nos encontrar, falarei com os queridos “fazedores” (chamo carinhosamente de fazedor, aquele que faz de sua arte de tradição parte de sua vida cotidiana em prática de preservação da cultura folclórica que abarque a tradicionalidade de Piracicaba) que fazem parte  da Comissão de Reativação do Centro do Folclore de Piracicaba, São queridos e os pilares tão necessários para a estruturação do Centro do Folclore de Piracicaba – CFP.
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Só peço um tempo para poder contatá-los, falar da importância de eles estarem na mídia para que possamos nos tornar ainda mais visíveis com nossos fazeres, dizeres, sabores  e saberes. Muito de nós não temos acesso à internet e por reverencia aos nossos Mestre da Tradição convido por carta, telefone ou até pessoalmente.
estamos nos estruturando aos pouquinhos e devagarzinho, em nosso tempo, pois tudo que é de nossa arte é de um tempo diferente do tempo do consumo, do tempo da rede, do tempo do progresso, pois é um tempo do tatear, tempo do olhar nos olhos e nos reconhecermos, enfim, é um tempo caipira de ser e fazer as coisas.
Somos poucos e tão intensos, somos representantes de nossas tradições, e aos poucos outros vão somando com a gente no decorrer de nossos encontro, sabe aquela  divulgação mais boca a boca? Por hora somos:Batuqueiros, Congadeiros, Candomblecistas, Irmãos do Divino, Capoeiristas, Irmãos de São Benedito, Contadores de Causos, Sanfoneiros, Modinheiros de viola, Cururueiros, Repentistas, Tocadores de Berrante, artistas Naiffs, Contadores de Estórias, Umbandistas, Escritores, somos também o elo entre aqueles que vieram antes de nós e  aqueles que virão e somarão conosco.
Temos também a deliciosa participação, sempre à convite nosso, de algumas pessoas queridas que não são da tradição mas detém apreço à causa e sabem que de uma forma ou de outra estão conosco conectados.
Existem ainda alguns fazedores da tradição que mostraram interesses e estão se programando para virem nos próximos encontro, isso me delicia, pois a cada mês uma nova e linda presença vem chegando de mansinho e somando com agente, isso é lindo.
Estes encontros inicialmente ocorreram com bates papos individuais com os fazedores para que eu pudesse saber do interesse deles reativarem o CFP em nome dos fazedores de tradição, para que seja a voz desse coletivo que merece ser re dignificado, e merecem terem uma representatividade num organismo sócio cultural que fomente proximidade para um proseio entre as  diversidades de nossos patrimônio imaterial manifestos,  gerando assim  esse delicioso diálogo com sabor de um cafezinho com bolo e carinho no som da voz da tradição, aquela que nasce no peito, transborda gargantas e alça voos para o mundo.
Inicialmente contamos com o apoio cultural da Secretaria Municipal de Ação Cultural, através da Biblioteca Municipal, local onde ocorrem os encontros, mas nossa meta é continuarmos independentes entre nós e nossa arte, assim não somos um órgão público municipal, mas uma entidade de aglutinação dos fazedores da tradição.
O Centro do Folclore de Piracicaba, que fora a voz de antigos fazedores na década de quarenta até 1988. Com o falecimento de nosso folclorista querido João Chiarini que levantou o estandarte da tradição local e muito fez por isso essa entidade deixou de ser ativa.
Depois de estudos  e fundamentada  na certeza de que o CFP é uma entidade também de essência tradicional do município de Piracicaba, e que elevou a cultura folclórica tradicional até mesmo a nível internacional; e após os já citados diálogos com os fazedores,  entrei em março de 2012, com o pedido de reativação do  Centro em nome dos fazedores,na Cãmara Municipal, com o intuito também de reativar toda a tradicionalidade ancestral que o fez tão necessário e precioso à cultura local, atravessando décadas até chegar em nós.
Já estamos no quarto encontro que são mensais, sempre nas terceiras segundas feira de cada mês. São reuniões a priori internas  e que estamos nos ouvindo, e sendo ouvidos, afinal somos tantos e com tantas necessidade esperanças nessa nova investida  que mira a união entre as diferenças…
Estamos estruturando o estatuto original, a fim de trazê-lo à realidade cultural nacional e de nosso cotidiano tradicional, atualizando no contexto sócio, cultural e legal, respeitando as normativas na UNESCO, e Ministério da Cultura para se legitimar enquanto entidade representativa.
Temos sonhos, esperanças de fazer valer nossas expectativas e vontades gerando juntos linhas de ações efetivas/afetivas voltadas à salvaguarda, registro, manutenção, difusão, continuidade e estruturação adequada de nosso fazedores de tradição e a sua/nossa arte herdada através das gerações que muito fizeram para manter viva a cultura caipira de nossa Piracicaba.
Como sempre esse tema é uma paixão de uma neta de parteira que abria picadas na mata de uma Piracicaba tão antiga, do tempo dos troles, bondes, do tempo do benzimento, algo de lá longe, mas tão próximo de meu coração e sei que de meus pares, desses que são a segunda geração de fazedores que também abrem a picada, por entre arranhas- céu, tecnologias, e que sabem do valor do apertar as mãos, e do reverenciar tudo e todos oa que vieram antes de nós e nos deixaram seu legado.
De prático: Falarei com meus querido, preciso só saber quais dias você tem livre e a gente faz uma casadinha entre todos, assim todos poderão participar e você rever, pois sei que muitos já conhece, você já é da casa, e a casa está sempre aberta para aqueles que trazem consigo a luz e a beleza da pureza do Ser Humano.
Com “A” de Afeto!
Roberta lessa
da comissão de reativação do CFP

CENTRO DO FOLCLORE DE PIRACICABA


LOGO-CFP

E O RENASCER DE UMA NOVA ERA DO CENTRO DO FOLCLORE DE PIRACICABA INSPIRA OS FAZEDORES DA CULTURA POPULAR FOLCLÓRICA DE TRADIÇÃO DE PIRACICABA
Em março de 2013, após uma ano de reuniões individuais com os fazedores (chamo carinhosamente de fazedor, aquele que faz de sua arte de tradição parte de sua vida cotidiana em prática de preservação da cultura folclórica que abarque a tradicionalidade de Piracicaba) da tradição de Piracicaba, um seleto grupo se reuniu com a finalidade de reativar o Centro do Folclore de Piracicaba – SFP, formando a Comissão de Reativação desse organismo tão representativo para a cultura  de tradição local.
Foto: Acervo CFP

Foto: Acervo CFP

Estamos nos estruturando aos pouquinhos e devagarzinho, em nosso tempo, pois tudo que é de nossa arte é de um tempo diferente do tempo do consumo, do tempo da rede, do tempo do progresso, pois é um tempo do tatear, tempo do olhar nos olhos e nos reconhecermos, enfim, é um tempo caipira de ser e fazer as coisas.
Somos poucos e tão intensos, somos representantes de nossas tradições, e aos poucos outros vão somando com a gente no decorrer de nossos encontro, sabe aquela  divulgação mais boca a boca? Por hora somos:Batuqueiros, Congadeiros, Candomblecistas, Irmãos do Divino, Capoeiristas, Irmãos de São Benedito, Contadores de Causos, Sanfoneiros, Modinheiros de viola, Cururueiros, Repentistas, Tocadores de Berrante, artistas Naiffs, Contadores de Estórias, Umbandistas, Escritores, somos também o elo entre aqueles que vieram antes de nós e  aqueles que virão e somarão conosco.
FONTE; Acervo CFP

FONTE; Acervo CFP

 

Temos também a deliciosa participação, sempre à convite nosso, de algumas pessoas queridas que não são da tradição mas detém apreço à causa e sabem que de uma forma ou de outra estão conosco conectados. Queridos com esse coração amoroso é sempre bom ter ao lado da gente. Existem ainda alguns fazedores da tradição que mostraram interesses e estão se programando para virem nos próximos encontro, isso me delicia, pois a cada mês uma nova e linda presença vem chegando de mansinho e somando com agente, isso é lindo.
FONTE: Internet Livre

FONTE: Internet Livre

 Estes encontros inicialmente ocorreram com bates papos individuais com os fazedores para que eu pudesse saber do interesse deles reativarem o Centro do Folclore de Piracicaba,  em nome dos fazedores de tradição, para que seja a voz desse coletivo que merece ser re dignificado, e merecem terem uma representatividade num organismo sócio cultural que fomente proximidade para um proseio entre as  diversidades de nossos patrimônios imateriais manifestos,  gerando assim  esse delicioso diálogo com sabor de um cafezinho com bolo e carinho no som da voz da tradição, aquela que nasce no peito, transborda gargantas e alça voos para o mundo.
FONTE: Internet Livre

FONTE: Internet Livre

Inicialmente contamos com o apoio cultural da Secretaria Municipal de Ação Cultural, através da Biblioteca Municipal, que nos cede um local onde ocorrem os encontros, mas nossa meta é continuarmos independentes  e auto suficientes e futuramente termos uma sede. Somos um organismo de aglutinação de um coletivo que pratica as diversificadas formas de manifestações do folclore de tradição de Piracicaba, dessa forma não somos um órgão público municipal, mas uma entidade de aglutinação dos fazedores da tradição.
FONTE: Internet Livre

FONTE: Internet Livre

O Centro do Folclore de Piracicaba, que fora a voz de antigos fazedores na década de quarenta até 1988, onde com o falecimento de nosso folclorista querido João Chiarini, que levantou o estandarte da tradição local e muito fez por isso essa entidade deixou de ser ativa. Depois de estudos  e fundamentada  na certeza de que o CFP é uma entidade também de essência tradicional do município de Piracicaba, e que elevou a cultura folclórica tradicional até mesmo a nível internacional. E após os já citados diálogos com os fazedores,  entrei em março de 2012, com o pedido de reativação do  Centro em nome dos fazedores,na Câmara Municipal de Piracicaba, com o intuito também de reativar toda a tradicionalidade ancestral que o fez tão necessário e precioso à cultura local, atravessando décadas até chegar em nós.
FONTE: Internet Livre

FONTE: Internet Livre

Já estamos no quarto  encontro que são mensais, sempre nas terceiras segundas feira de cada mês. São reuniões a priori internas que servem para que cada um fale e seja ouvido, afinal somos tantos e com tantas necessidade esperanças nessa nova investida  que mira a união entre as diferenças. Estamos estruturando o estatuto original, a fim de trazê-lo à realidade cultural nacional e de nosso cotidiano tradicional, atualizando no contexto sócio, cultural e legal, respeitando as normativas na UNESCO, e Ministério da Cultura para se legitimar enquanto entidade representativa.
FONTE: Internet Livre

FONTE: Internet Livre

Temos sonhos, esperanças de fazer valer nossas expectativas e vontades gerando juntos linhas de ações efetivas/afetivas voltadas à salvaguarda, registro, manutenção, difusão, continuidade e estruturação adequada de nossso fazedores de tradição e a sua/nossa arte herdada através das gerações que muito fizeram para manter viva a cultura caipira de nossa Piracicaba.Como sempre esse tema é uma paixão de uma neta de parteira que abria picadas na mata de uma Piracicaba tão antiga, do tempo dos troles, bondes, do tempo do bezimento, algo de lá longe, mas tão próximo de meu coração e sei que de meus pares, desses que são a segunda geração de fazedores que também abrem a picada, por entre arranhas- céu, tecnologias, e que sabem do valor do apertar as mãos, e do reverenciar tudo e todos oa que vieram antes de nós e nos deixaram seu legado.
FONTE: Internet Livre

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 ROBERTA LESSA
FOLCLORISTA E PESQUISADORA
COMISSÃO DE REATIVAÇÃO DO CENTRO DO FOLCLORE DE PIRACICABA

TRADIÇÃO OU TRAIÇÃO (RL/09/11)


GUARDIÕES DA TRADIÇÃO!

Em “proseio” com pessoas queridas comentei o termo “Guardiões da Tradição”, curiosos indagaram-me; alguns espantados, outros distantes…E chegou a hora do questionamento.Então, a paixão por esse “dez-licioso” tema alumiou minha fala que perambulou por entre o ser e o se sentir ser um verdadeiro guardião:

O guardião “não se faz, ele nasceguardião, peço licença para parodiar as falas de meu amigo, mui amado e saudoso (en) cantador Abel Bueno. É algo inerente naquele que em suas ações cotidianas deixa explícito o compromisso e profundo respeito para com o doce limiar da evolução histórico-mítica de um povo, de um lugar, de um objeto…

Fonte:Internet

É como se pulsasse no peito desse mágico ser, a necessária volúpia que dá-lhe resistência alada para zelar pela continuidade daquilo que representa sua estrutura primária e ancestral, sua e de um coletivo, o que é primordial ao guardião.

Não há mecanismo ou engenhoca que consiga captar essa singularidade, pois é viva e não se ata à imagens ou se prende à artificial sonoridade de um gravador; por mais que os burocratas da cultura o tenham tentado. Existem coisas para ser vivenciadas intensamente, como por exemplo, o bom vento que sopra na face numa tarde de intenso verão e segue liberto e impune por outras faces.

        Poucos são aqueles que conseguem captar com sua arte a essência de um guardião da tradição, os que o fazem, certamente deixaram de lado a titulação de artista, para transgredir a alma do consumo desenfreado e muitas vezes destruidor, e transmutá-la em espírito iridescente, dando-nos a chance de recomeçar o ciclo da vida cultural com olhar mais depurado diante a expressão de sua arte.

        Assim como ocorre na bela foto, imagem inerte, mas que tem tanta energia que parece deter a vida em seu bojo; ocorre com a película que abarca muito além de simples perspectivas tecnicamente justapostas, para se tornar poesia em movimento.   O mesmo acontece com o som audível apenas por aqueles que permanecem artisticamente incorruptíveis, pois reproduz a pureza do ouvir e sentir prazer. Por exemplo, o coaxar de um sapo cururú, o vento que balança a folha no alto da árvore, o desejado arrepio de um banho de chuva com os pés descalços a chutar poças d’águas… e muito mais… muito mais…

        O olhar de um guardião não é tão somente o físico, mas vem do coração espiritual, que pulsa no ritmo da esperança de continuidade; desse olhar muitas vezes verte lágrimas de prazer em ser junto à uma manifestação popular tradicional e jamais estar em, pois ser é diferente de estar; enquanto um ocorre pela cumplicidade ou defesa pela evolução de sentidos e formas, o outro é perene e se esvanece nas tendências das circunstancias e intenções determinadas que a sociedade propicia.

        Um guardião não é um prêmio a ser dado institucionalmente, mas uma história construída junto de pares,  A-R-T-E-S-A-N-A-L-M-E-N-T-E, o que  gera perfeita  simbiose amorosa daquilo que se nutre do profundo respeito e desejo de salvaguardar,  as formas e expressão múltiplas de um povo; muitas vezes sem que para tal seja cobrado qualquer taxa de  prestação de serviço por aquele que deseja manter viva a tradição. Muitos morrem de fome…

Fonte: Internet

        O guardião sabe que há coisas e atos que jamais são mensuráveis financeiramente, e muitas vezes doa a esse bem o que tem, para que o mesmo possa continuar e/ou se perpetuar para a sociedade que nem se dá conta de sua importante existência. Sabe também a diferença entre fazedores da cultura popular e os “técnicos atravessadores” da mesma.

        Inexiste critérios, fórmulas ou atalhos para ser um guardião, é como se o céu elegesse propositalmente alguns afortunados, provendo-o com a insanidade peculiar de doar-se à um local, objeto, pessoa, grupo ou planeta. Tem em suas mãos a secular calosidade daquele que esculpe a memória da humanidade no dia a dia de sua vida.

        O guardião jamais é eleito, impossível ser catalogado, muitos sépticos até duvidam de sua existência, pois nosso sujeito em questão tem por habito fazer morada nas entrelinhas das manifestações, cerzindo com doçura e afetuosidade, o tecido rústico, muitas vezes roto, que serve de pano de fundo para que a cultura popular brilhe em todo seu esplendor.

        Não há salários, mas gratidão daqueles que são protegidos por um guardião, essa gratidão é levemente perceptível em forma de abraços, olhares doces, cumplicidade, amizade, aquele simples aperto de mãos cheio de significados e conteúdos. Como prêmio muitas vezes o guardião recebe uma marota e generosa colherada daquele doce de abóbora  com côco: quentinho, apurado no tacho de cobre, no fogão de lenha, e esta crepita, como se soubesse o valor desse momento mágico de troca e doação…

        Quanto isso vale para você? Esse saborear o cheirinho que vem em companhia daquela receita que passou da avó, da avó da bisavó, recheadinho de saudade e momentos afetivos que para cada um de nós tem um significado único e específico…

        Onde estão esses seres alados de idéias e condimentados com o amor ao próximo? Em todos os lugares e em lugar nenhum… São amigos de sacis, primo irmãos de iaras, acreditam no vento que sobra a previsão do bom tempo de plantio, buscam água no solo com forquilhas, riem em segredo daqueles que pensam que sabem e fazem questão de demonstrar sua pseudo sabedoria…

Como detectá-los? Amigo, impossível apenas sendo um deles, caso raro, pois somente os iguais é que reconhecem. Mas aviso aos falsificadores de etiquetas culturais: nem mesmo os guardiões o sabem sê-los, pois apenas o são… E se ousam colocá-los em evidência, perde-se um possível elo que seria gerado em prol da cultura popular. Pois são bicho estranhos esses guardiões, são silenciosos, ocultos, correm de lá para cá e muitas vezes nem nos damos conta de sua presença, pois nossos olhos ainda não refinados para percebê-los. Não captam seu brilho existencial… e como brilham “Ara… se brilham” .

Fonte: Internet

UM ABRAÇO A VOCÊ GUARDIÃ(ÃO) QUE SABE SÊ-LO SECRETISSIMAMENTE, FICA ENTRE NÓS A CUMPLICIDADE!


O LADO ESCURO DA LUA

Minha maneira de ver, falar, ouvir e pensar o mundo... se quiser, venha comigo...

palavra[interna]

JAMES MORAIS & LAIANA DIAS | BRAZIL | Poesias & Reflexões

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