COMPLEXO POETA (Série Diálogos Poéticos) ROBERTA LESSA/WISEL


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AGILMENTE
Passeias pelos versos…
FELIZMENTE
Alegras com rimas…
ALEGREMENTE
Flutuas entre palavras…
ASSUMIDAMENTE
Animas como poeta…
COTIDIANAMENTE
Colores as páginas…
HARMONIOSAMENTE
Integras seu cotidiano…
CONTEMPLATIVAMENTE
Comparte com seus pares…

EM DIÁLOGO COM O POEMA “AO MEIO DIA”, DE AUTORIA DE WISEL.

Acesso em: http://www.recantodasletras.com.br/poesiasdeamor/5740476

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CONGADA DE PIRACICABA (Série Folclórica Memória) ROBERTA LESSA


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Grupo de Congada do Divino de Piracicaba – Foto Fran Camargo – 2016

            A Congada do Divino Espírito Santo de Piracicaba é formada de um complexo universo existencial um misto de culturas de múltiplas nacionalidades e de etnias que sincretizam-se desde o tempo do Brasil pré colonial até a atualidade. Sua existência contempla signos culturais inúmeros e multi facetados, abarcando em sua gênese todo complexo universo cultural legitimado pela influência antropológica de origem indígena, européia, africana, e de demais expressões que somaram-se posteriormente enriquecendo-a em suas formas de expressões artísticas culturais. À exemplo citamos  uma de suas muitas fortes vertentes existenciais no município e que remonta quase dois séculos de  prática devocional, através da transmissão e continuidade da prática popular e clerical de culto ao seu Sagrado, onde antigos povoadores trouxeram à Piracicaba o costume cristão de se reunirem nos meses que antecediam os festejos em louvor ao Divino Espírito Santo, à paga de promessas e pedidos à Terceira Pessoa da Santíssima Trindade,  na sequência das comemorações do Pentecoste.

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Festa do Divino de Piracicaba no ano de 2016

            Os devotos, moradores local eram artistas, populares, religiosos, governantes que participavam da atividade devocional eram conhecidos como foliões e parte deles compunham a Folia do Divino e à posteriori foi denominada em Piracicaba como Congada do Divino Espírito Santo e que existe até hoje. Em comitiva os foliões visitavam as casas de famílias moradoras nas zonas rural e urbana, e eram recebidos com festividades pelos moradores que aguardavam com farta comilança por aqueles que junto à eles reverenciariam o seu Sagrado, como ainda ocorre atualmente nos já conhecidos Pousos do Divino, com cantos, danças, orações, pedidos em promessas que eram pagos ou agradecidos  através da mortalha e ex votos,  neste período os moradores circunvizinhos se reuniam em orações na casa que recebiam os marinheiros e os foliões do Divino que trazim consigo a Bandeira consagrada. Em síntese, neste período religioso ocorriam rituais que precediam e preparavam a população devota para os festejos em louvor ao Divino Espírito Santo, herança da colonização portuguesa introduzida no Brasil no século XVII.  (…)

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Congada do Divino Dançando Baixão do Divino- Acervo GRUCONDESPI

            Na década de 1940, o então professor e pesquisador João Chiarini, percebendo a emergencial e urgente necessidade de salvaguardar e apoiar as riquezas existentes e que estavam em risco de extinguirem-se no município e região, promove inúmeras ações em defesa do folclore e da cultura popular de tradição piracicabana, unindo-se com representantes de diversos segmentos  da cultura de tradição local, tornou-se literalmente guardião junto com outros fazedores dessas manifestações, difundindo-as  por todo o Brasil e em outros países, através do então recém criado Centro do Folclore de Piracicaba. Chiarini une-se à dançantes, cantadores, tocadores e devotos, iniciando assim o grupo de Dança Folclórica de Piracicaba, que alia além da Folia, danças diversas. Posteriormente, dando sequência à sua gênese esse grupo, que se reunia no Largo dos Pescadores, na famosa rua do Porto do município de Piracicaba, torna o grupo folclórico Congada do Divino Espírito Santo de Piracicaba e se  mantém até hoje todas demais danças fortalecendo-se ainda mais enquanto grupo devocional e oficial da festa do Divino de Piracicaba. (…)

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Congada do Divino de Piracicaba – Cantadores e Tocadores – Acervo GRUCONDESPI

            A Congada de Piracicaba em seu movimento evolutivo tem em sua tessitura histórias diversas, que compõem e enriquecem seu universo atemporal. Sempre ativa, atravessou por muitos desafios superando-os à medida que surgiam. Hoje ela e todos que dela fizeram e fazem parte são símbolos de resistência, fé, devoção e principalmente irmandade entre seus pares. Em sua existência surgem gradualmente músicas e coreografias com temáticas elaboradas e alusivas à religiosidade e ao folclore local e nacional, unindo heranças transmitidas através da oralidade introduzidas e desenvolvidas por seus antigos componentes. Neste contexto verifica-se um significativo processo sincrético, culminando o que hoje denomina-se Congada do Divino de Piracicaba. Uma das características essenciais da Congada de Piracicaba é a manutenção e difusão do legado multi cultural que a compõe e que a fortalece, além de manter e preservar a devoção ao Divino Espírito Santo e à nossa Senhora de Aparecida, cultuados desde seu início enquanto Folia do Divino.

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Congada do Divino de Piracicaba – Derrubada e Benção dos Barcos- Festa do Divino de Piracicaba -2016 – Acervo GRUCONDESPI

            Ao longo do tempo a Congada de Piracicaba torna-se reconhecidamente o único grupo manifesto e ininterrupto desde o início de suas práticas até a atualidade, tornando-se elemento preponderante e significante de tradição folclórica, popular e religiosa de Piracicaba,  aliando a prática da fé aos diversos ritmos, credos, usos e costumes que incorporaram à suas apresentações. É o único grupo da região do Médio Tietê que apresenta suas atividades as apresentações de: Baixão do Divino, Congada do Divino, Caninha-Verde, Samba Lenço, Dança do Pau de Fita, Tangarás, Rio de Lágrimas, gerando um universo sincrético acolhedor entre rituais, ritos, ritmos, e demais heranças culturais.     (…)

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Dona Tica: Rainha da Congada – Acervo GRUCONDESPI

            Resistindo às muitas intempéries nesse longo espaço de tempo de existência, representa Piracicaba em diversos eventos religiosos, artísticos culturais e ou filantrópicos, à exemplo, é representante do município no Ciclo do Divino em festas alusivas ao Divino Espírito Santo, à São Benedito, à Nossa Senhora de Aparecida, pousos, encontros, congressos, festivais, missas, fóruns, feiras e festejos de forma geral. É importante ressaltar a importância da Congada de Piracicaba nos festejos folclóricos, e que por opção do grupo se mantém informal visando evitar tornar-se um empreendimento comercial,  e tem em seu bojo a resistência, inovação e manutenção da tradição do município, sendo de valor significativo e expressivo para a interpretação e re significação da cultura local, onde se identificam elementos sócio antropológicos e semiológicos tais como, dança, medicina popular, canto, rito, religião, economia, música, representação, crendice, entre tanto outros itens que integram o contexto social de um coletivo de tradição secular manifesto, gerando uma rede de relações sócio culturais multi dimensionada.

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Congada representando o cruzamento dos remos no Rio Piracicaba -Foto Roberto Rocha

            Isso posto, sua presença é tênue e de sistemático referencial teórico nas diversas áreas de conhecimentos, ocasionando dessa forma a aculturação e  miscigenação completa de práticas e revisitações de técnicas corporais, orais, rítmicas, à luz da interpretação cultural, imprimindo o que chamamos de transfiguração. Enquanto objeto de estudo, cabe enfatizar que a Congada de Piracicaba é fonte de pesquisa do universo acadêmico em nível nacional e internacional, fornecendo subsidios aos pesquisadores que produzem publicações, documentários, filmagens e gravações difundidas há décadas.

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Caetano Provenzano – Rei da Congada -Foto Roberto Rocha

            O objetivando a salvaguarda desse bem imaterial e justifica-se o seu já tardio registro nos livros de saberes, dizeres e fazeres do Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Piracicaba – CODEPAC, para tal a coordenação do grupo no ano de  2010 solicitou oficiosamente aos conselheiros da entidade o seu registro enquanto patrimônio imaterial do município, fato que até os dias de hoje aguarda posicionamento do organismo supra citado. Tal intento, tem apoio da vereança onde através de aprovação unanime  em reunião camarária fora encaminhado uma moção ao senhor prefeito de Piracicaba para que ele decrete legalmente a Congada de Piracicaba como patrimônio imaterial de Piracicaba, fato que o grupo continua a aguardar. (…)

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Congada do Divino na Folia do Divino (Festa do Divino de Piracicaba – Foto Fran Camargo

            Nas artes também verifica-se produções significativas em diversos segmentos da cultura artistica, tais como literatura, escultura, teatro, pintura, desenhos, artesanato, entre outros. É de suma importância salientar e referendar que cada componente da Congada do Divino de Piracicaba é agente responsável pela sua salvaguarda, resistência, sobrevivência e vitoriosa superação, seja como cidadãos, organizadores, “dançadores”, “tocadores”, e ou “cantadores”; que se harmonizam com a comunidade, nos festejos da cidade e de outras localidades; demonstrando também o modo como transitam física, mental e espiritualmente nas comunidades que atua. Sobrevive com recursos próprios, pois não recebe subsidios e ou apoio financeiro de entidades governamentais e ou não governamentais, e muitas vezes seus coordenadores investem recursos próprios no grupo para que possa dar continuidade e manter o grupo. Com base em um novo olhar, há de se entender que a Congada do Divino de Piracicaba constitui um significativo elo para a interação de diversos elementos presentes na sociedade, assim, o corpo que se manifesta, ora em casa, ora na rua, traz impregnada sua cultura: a cultura da Congada, a Congada de Piracicaba.

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A Congada é guardiã dos andores do Divino e de Nossa Senhora na festa do Divino de Piracicaba – Foto Fran Camargo

ROBERTA LESSA

Coordenadora. da Congada do Divino Espírito Santo de Piracicaba

Folclorista, Escritora, Arte Educadora, Pesquisadora, Curadora

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(Texto de autoria de Roberta Lessa, proibida o uso e  difusão parcial e ou integral sem citar a devida fonte: LESSA, Roberta, Congada de Piracicaba: Memoria de Um Povo de Um Lugar, Acervo Congada do Divino de Piracicaba-SP, 2009)

SOMA DE PERCEPÇÕES (Série Reflexiva) ROBERTA LESSA/JACÓ FILHO


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… Poetizas entre junções poéticas nórdicas :
– MEU GOSTO POR PALAVRAS DISTANCIA E APROXIMA.
: nada teme no universo do pensar oculto…

… Harmonizas entre noções estéticas módicas :
– MEU ROSTO POR PALAVRAS ANUNCIA E OCULTA.
: tudo freme no reverso do meditar inculto …

… Balizas entre paixões fonéticas drásticas :
– MEU POSTO POR PALAVRAS RENUNCIA E PERMANECE.
: sempre geme no verso do sondar sepulto …

… Suavizas entre pulsações piréticas monádicas :
– MEU OPOSTO POR PALAVRAS ENUNCIA E INVADE.
: quando teme no inconverso do amar adulto …

… Ojerizas entre colisões patéticas herméticas :
– MEU PROPOSTO POR PALAVRAS SILENCIA E GRITA.
: sendo íngreme no diverso do enunciar aculto …

… Preconizas entre emoções ecléticas telepáticas :
– MEU COMPOSTO POR PALAVRAS DENUNCIA E AGRIDE.
: nunca treme no obverso do analisar indulto …

… Micorrizas entre contrações míticas empáticas :
– MEU APOSTO POR PALAVRAS VIVENCIA E MORTIFICA.
: quanto leme no extroverso do bolinar exulto …

EM DIÁLOGO COM A INTERAÇÃO “FLOR MORENA”, DE AUTORIA DE JACÓ FILHO.

Published in: on 24 de julho de 2016 at 3:40  Comentários desativados em SOMA DE PERCEPÇÕES (Série Reflexiva) ROBERTA LESSA/JACÓ FILHO  
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UM POUCO DA MEMÓRIA DA CONGADA DE PIRACICABA


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Grupo de Congada do Divino Espírito Santo de Piracicaba existe informalmente há mais de um século, surgindo a priori, como Folia do Divino que visitava as casas de fiéis, participando ativamente dos rituais religiosos que antecediam os festejos ao Divino, levando a bandeira do Divino e fortalecendo a fé dos devotos com orações, dança e cantorias.
Com o decorrer de sua existência surgem músicas e coreografias temáticas que são gradativamente introduzidas por antigos componentes, culminando no que hoje chamamos Congada de Piracicaba, e seus participantes nutrem e preservam a devoção ao Divino Espírito Santo adotando Nossa Senhora de Aparecida como mãe padroeira.
Há décadas transformou-se no único grupo manifesto de tradição folclórica, popular e religiosa ativo que alia a prática da fé aos diversos ritmos que incorporaram suas apresentações, entre elas: Baixão do Divino, Congada, Caninha-Verde, Samba Lenço, Dança da Fita, Tangarás, Rio de Lágrimas, gerando um universo sincrético acolhedor entre rituais cristãos, o pulsar rítmico africano e a herança cultural devocional portuguesa.
Resistindo às muitas intempéries nesse longo espaço de tempo de existência, atua em vários eventos, religiosos ou não, levando o nome de Piracicaba à diversos segmentos religioso, sócio e artístico culturais, entre eles, festas alusivas ao Divino Espírito Santo, à São Benedito, à Nossa Senhora de Aparecida, pousos, encontros, congressos, festivais, missas, fóruns, feiras, festas. É também intensa fonte de pesquisa do universo acadêmico, sendo tema de publicações, documentários, filmagens e gravações.
A Congada de Piracicaba representa nos festejos folclóricos, a resistência, inovação e manutenção da tradição do município, sendo de valor significativo para a interpretação da cultura local, onde se identificam elementos semiológicos tais como, dança, religião, economia, música, representação, credo, entre tanto outros que integram o contexto social de um coletivo cultural manifesto; gerando uma rede de relações sócio culturais poli dimensionada.
Isso posto, sua presença é tênue e de sistemático referencial teórico nas áreas de antropologia social, folclore, educação física teologia e sociologia, numa miscigenação completa do corpo, mente e espírito, através de resgate de técnicas corporais, orais, rítmicas à luz da interpretação cultural, desenhando o que chamamos de transfiguração.
Cada componente da Congada de Piracicaba é agente responsável pela sua salvaguarda, resistência, sobrevivência e vitoriosa superação, seja como cidadãos, organizadores, “dançadores”, “tocadores”, e ou “cantadores”; que se harmonizam com a comunidade, nos festejos da cidade e de outras localidades; demonstrando também o modo como lidam com seus corpos em sociedade. Com base em um novo olhar, há de se entender que a Congada constitui um significativo elo para a interação de diversos elementos presentes na sociedade. Assim, o corpo que se manifesta – ora em casa, ora na rua – traz impregnada sua cultura: a cultura da Congada, Congada de Piracicaba.
Texto: Roberta Lessa (Folclorista, Pesquisadora, Coordenadora da Congada de Piracicaba

ANTÔNIO: QUAL SUA VERDADEIRA FACE (*)


ANTÔNIO SANTO
SANTO ANTÔNIO
Qual sua verdadeira face?
Qual seu verdadeiro legado?

 

PEQUENA ICONOGRAFIA(**) DE SANTO ANTÔNIO

“Os símbolos dão a idéia geral da imagem e alguns critérios de interpretação. Por exemplo, na imagem de Santo Antônio, há símbolos de santidade, pertença à Ordem Franciscana, eleição divina e indicação de que foi pregador. Esses símbolos, santidade, eleição, pregador e franciscano, são mais ou menos universais e imutáveis. Os atributos, que os caracterizam, o lírio, o menino, a Bíblia e o hábito são mutáveis e sujeitos, a cada época, a um tipo de leitura.”

ATRIBUTOS

a) O hábito franciscano – É um atributo que aparece desde a primeira hora e sempre serviu como mesma chave-de-leitura: quer dizer que ele foi franciscano. No século XV apareceram algumas breves representações que mostravam o santo com um hábito cinza, dos penitentes ou mendicantes; o corte tonsurado do cabelo tem o mesmo significado.

b) O livro (o atributo mais antigo) – Representa o Evangelho e a sabedoria de Antônio, primeiro mestre de Teologia da Ordem dos Frades Menores e doutor da Igreja. Lembra o pregador que arrebatava as multidões com as palavras do Evangelho. Por sua sabedoria bíblica, o Papa Gregório IX chamou-o de “Armário (Arca) do Testamento”.

c) O menino – O menino é visto em três tipos de representação:

1. Em cima do livro: em geral aparece sobre o livro aberto que o santo tem na mão, em gesto de quem abençoa, ou, usando um gesto de origem grega, com os dedos médio e indicador levantados, juntos, como a chamar a atenção para alguém que vai falar (no caso, o santo, pregando); pode representar a visão presenciada pelo Conde Tiso, em sua residência; o estar em cima do livro (Bíblia) evoca a característica de Frei Antônio como pregador do Verbo encarnado; o menino, segundo algumas fontes, nos primeiros tempos, não seria Jesus, mas as crianças, por quem o santo tinha enorme predileção; numa obra de El Greco, o menino (Jesus) aparece como brotando das páginas do livro, onde Antônio mostra a revelação do Verbo.

2. No colo do santo: em outras representações, o livro aparece de lado, e o menino Jesus está no colo de Antônio, numa atitude de extraordinária familiaridade, acariciando-lhe o rosto.

3. Sendo mostrado ao santo, pela Virgem Maria: Um quadro (reproduzido em alguns “santinhos”, mostra a Virgem apresentando o Filho à adoração de Antônio).

d) O lírio – O lírio é um símbolo-atributo que aparece nas representações artísticas após o século XV e se toma popularíssimo; tem dois significados: o mais antigo remete a Pádua; o lírio é a flor da estação na qual Antônio morreu; é a flor do campo, ornamental, perfumada,medicinal e frágil. O outro significado simbólico, posterior ao primeiro, refere-se à pureza, à castidade, à pobreza e ao vigor do testemunho de vida, na entrega do coração virginal a Deus. Há ainda um terceiro atributo, paralelo: a natureza, mostrada, pelos franciscanos, como sinal de Deus.

e) A cruz na mão – A cruz na mão (do século XVI) pode significar duas coisas: o espírito missionário do santo, ou, seu desejo de tomar-se um mártir da fé.

f) Os pés desencontrados – Se observarmos as imagens de Santo Antônio, veremos que seus pés não estão um ao lado do outro, mas um mais à frente do outro; trata-se de um indicativo de “em marcha”, “a caminho”, atitude que sempre caracterizou seu trabalho missionário.

g) A fisionomia adolescente – O rosto jovem, alegre e belo é consequência, como já vimos, daquela perfeição que a religiosidade popular passa à arte, relativamente aos santos e bem-aventurados; significa, também, a jovialidade do espírito do cristão.

h) O pão – Em certas obras de arte antigas (século XVI-XVII) vê-se o santo distribuindo o “pão dos pobres”; esse atributo é o mais recente; apareceu em Messina, na Sicília, em meados do século XIX, durante uma época de fome.

i) A chama – A chama de fogo que aparece em alguns ícones, especialmente orientais, simboliza o amor divino, o zelo e a paixão do santo por Jesus e seu Evangelho.

j) A nogueira – Esta é uma representação não muito conhecida; pouco antes de morrer, com falta de ar, Frei Antônio pediu que armassem sua cela no topo de uma nogueira frondosa, possivelmente nas propriedades do Conde Tiso. O santo já estava doente; falam em hidropisia e asma; há quem suspeite de obesidade (“adquirira certa corpulência…”) e diabetes; ali, além da altura (que proporcionava o ar fresco), o odor das resinas da árvore mantinha-o defendido dos mosquitos; pois mesmo ali vinha gente ouvir sua palavra. Uma pintura renascentista mostra o santo em cima da árvore, pregando ao povo, sentado, com a Bíblia na mão, como se estivesse numa cátedra, tendo, abaixo de si, São Boaventura, na época, o coordenador geral dos franciscanos; o estar na árvore é figura do desprender-se da vida terrena, já que o santo estava nos últimos dias de vida.

l) O terço – Para explicitar que Santo Antônio era um homem de oração, a iconografia do século XVI representou-o com um terço pendurado à cintura. O terço foi criado por São Domingos de Guzman (f 1221), utilizando antigos modelos orientais.

(*) – Há vários aspectos da vida, das pregações e dos milagres de Santo Antônio constantes de sua iconografia. O “sermão aos peixes”, em Rimini, o “coração do avarento dentro do cofre”, em Florença, “a mula ajoelhada diante do Santíssimo” em Rimini, fazem parte desse emocionante acervo, criado por mestres da pintura. A morte do santo, em Arcella, e lá fora as crianças fazendo o miraculoso anúncio, está magistralmente pintada numa obra de Murillo.

A icnografia leva-nos, como foi dito, a uma leitura analítica mais atenta de todos os símbolos e atributos que a devoção popular e oficial creditaram aos santos. Iconografia é para se ver e entender, independentemente de valores estéticos. Uma obra de arte, seja um quadro sofisticado ou uma rude representação popular, não é para ser achada bonita ou feia, mas para ser entendido o seu sentido.

No caso místico, as imagens de Deus e dos santos servem para criar aquela aproximação física que nossas carências reclamam, para um ajutório de memória, e para avivar a fé, relembrando as práticas e os sacrifícios daquele que está ali retratado.

E nós, hoje? Somos daqueles que entendemos que, pelo fato de possuirmos essa ou aquela imagem em nossa casa, já temos comunhão com quem está ali representado? Há pessoas que vão à igreja, oram diante das imagens, acendem velas e esquecem-se de reverenciar a Cristo, vivo e presente ali na Eucaristia. Somos desses?

Temos formação suficiente que nos dê uma exata noção entre santidade e divindade, imagem, representação, mediação, pessoa e divindade?

(**) – Iconografia: representação de uma coisa sagrada, ciência que caracteriza o estudo, a descrição e os conhecimentos de imagens.

DADOS REFERENCIAIS:

– Extraído do livro “Santo Antônio, a realidade e o mito”, de Carmen Sílvia Machado Galvão e Antônio Mesquista Galvão, da Editora Vozes

– Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil

– Franciscanos.org.br

http://franciscanos.org.br/?p=18125#sthash.PAsmfRd2.dpuf

– Imagens: http://conventosantoantonio.org.br/iconografia-antoniana

 

Published in: on 13 de junho de 2014 at 11:22  Comentários desativados em ANTÔNIO: QUAL SUA VERDADEIRA FACE (*)  
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FILOSOFIANDO IDÉIAS – REVOLUCIONAR ? -(RLessa/Mar/2014)


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Todos deveríamos ter pelo menos uma semana de arte moderna por semana, sabe aquelas situações que rompe o que é cristalizado e perene em nosso cotidiano e que nos massacram a alma? Cuidado “pessoas” neste universo por mais que queiram, felizmente para nós, “nada é perene”; a não ser aquilo de real valor guardamos em nossa memória a(e)fetiva.

No Brasil, um grupo de pessoas investiram nesta chance de sair da mesmice e juntos com outros muitas vezes nem tanto anônimos que sequer constam nos anais da Semana de Arte Moderna de 1922; somaram e concretizaram a oportunidade de se (des)estabelecer uma estética diferenciada e comportamento dissociados dos vigentes no país. Primeira quinzena de um fevereiro, de num ano ainda debutante no calendário, enfim foram-se noventa anos e muito ocorreu até chegar até nós resquícios de vozes dissonantes de uma sociedade abarcada pela modernidade e progresso tecnológico emergente.

Entre anônimos e não tão anônimos foram Mários, Oswalds, Plínios, Tarsilas, Villa-Lobos, Tácitos, Anitas, Cavalcantis, Victores, Guilhermes que deram à arte vida própria, ativa e pulsante… mulheres, homens, conceitualizações estéticas inusitadas, reflexo do que acontecia lá fora, no além mares, pactuando com VIDOVIX : “Essa nova arte, apresentada de um modo autenticamente brasileiro, basicamente contestava tudo o que se conhecia até então: poesias declamadas (antes eram apenas escritas e lidas), noções de artes plásticas aplicadas na tela, concertos acompanhados de cantoria, e tantas outras inovações que, hoje em dia, se tornaram comuns.”

– Um resumo?

Escândalo: aos academicamente bancados e assentados em sua mesmice e concepções artística (claro também com seus valores estéticos a serem considerados)… Eis que surge na Terra do Pau Brasil a Modernidade, necessária e agora desenfreada graças à … aos artristas intépidos que pululavam pelos conceitos até então considerados anti estético e por vezes imoral, isso é Divinal.

Romperam-se o portais oportunizando novas experimentações artístico social, numa época que tudo era proibido: até ousar, foram desbravadores. E hoje muito de seus “herdeiros” degredam todo esse patrimônio com o que consideram arte, mas que torna-se apenas manifestações egóicas… alfinetadas à parte. Mas felizmente há sobreviventes resistentes dessa arte que revolucionou e isso causa um desconforto que conforta-me, e rio de prazer em ver determinados jovens dando continuidade com competência e irreverencia tão necessárias e presente nos “antigos modernistas”.

O complicado disso tudo é que em nosso atual sistema social aceita-se tudo e quase nada se faz, e quando se faz, poucos tem acesso, pois promover o ignorar do indivíduo é mantê-lo sobre as rédeas de sua própria ignorância, om isso, deixa-o pensar ser revolucionário quando na verdade nada mais é que um instrumento de controle e medidas do poder vigente.

  • Ôps… outra alfinetada?
  • Não podia?

  • Mainha, me acóóde…

  • Tadinha da mãe Florzica.

  • E vóinha Estephania então? Revirando-se no além túmulo: Que nada ela era das minhas… rs

Família à parte, a Semana de Arte Moderna concatenou no Brasil o reflexo daquilo que era mundial e com essa sintonia amplos e largos passos foram dados em função de uma nova arte, uma nova concepção de vida, um novo saber despertado e um Brasil com mais cara de Pau – Brasil. Hoje temos por compromisso despertar, ou melhor, dar continuidade no outro e em nós a “(…)força e energia que(…) CONSTRÓI(…) coisas belas(…)” re significando, contemporanizando a alma desse povo que muitas vezes nem se percebe cidadão, quiçá artistas em potencial.

Published in: on 11 de março de 2014 at 6:41  Comentários desativados em FILOSOFIANDO IDÉIAS – REVOLUCIONAR ? -(RLessa/Mar/2014)  
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CENTRO DO FOLCLORE DE PIRACICABA-CARTA À TRADIÇÃO IV


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Imagem gentilmente cedida e desenhada por Zequinha, mestre em Capoeira de Angola de Piracicaba – SP
Que ótimo seu interesse, agradeço pelo contato, você  realmente é essencial, generosa e necessária nesse momento tão importante para nós fazedores de tradição.
Claro que poderemos nos encontrar, falarei com os queridos “fazedores” (chamo carinhosamente de fazedor, aquele que faz de sua arte de tradição parte de sua vida cotidiana em prática de preservação da cultura folclórica que abarque a tradicionalidade de Piracicaba) que fazem parte  da Comissão de Reativação do Centro do Folclore de Piracicaba, São queridos e os pilares tão necessários para a estruturação do Centro do Folclore de Piracicaba – CFP.
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Só peço um tempo para poder contatá-los, falar da importância de eles estarem na mídia para que possamos nos tornar ainda mais visíveis com nossos fazeres, dizeres, sabores  e saberes. Muito de nós não temos acesso à internet e por reverencia aos nossos Mestre da Tradição convido por carta, telefone ou até pessoalmente.
estamos nos estruturando aos pouquinhos e devagarzinho, em nosso tempo, pois tudo que é de nossa arte é de um tempo diferente do tempo do consumo, do tempo da rede, do tempo do progresso, pois é um tempo do tatear, tempo do olhar nos olhos e nos reconhecermos, enfim, é um tempo caipira de ser e fazer as coisas.
Somos poucos e tão intensos, somos representantes de nossas tradições, e aos poucos outros vão somando com a gente no decorrer de nossos encontro, sabe aquela  divulgação mais boca a boca? Por hora somos:Batuqueiros, Congadeiros, Candomblecistas, Irmãos do Divino, Capoeiristas, Irmãos de São Benedito, Contadores de Causos, Sanfoneiros, Modinheiros de viola, Cururueiros, Repentistas, Tocadores de Berrante, artistas Naiffs, Contadores de Estórias, Umbandistas, Escritores, somos também o elo entre aqueles que vieram antes de nós e  aqueles que virão e somarão conosco.
Temos também a deliciosa participação, sempre à convite nosso, de algumas pessoas queridas que não são da tradição mas detém apreço à causa e sabem que de uma forma ou de outra estão conosco conectados.
Existem ainda alguns fazedores da tradição que mostraram interesses e estão se programando para virem nos próximos encontro, isso me delicia, pois a cada mês uma nova e linda presença vem chegando de mansinho e somando com agente, isso é lindo.
Estes encontros inicialmente ocorreram com bates papos individuais com os fazedores para que eu pudesse saber do interesse deles reativarem o CFP em nome dos fazedores de tradição, para que seja a voz desse coletivo que merece ser re dignificado, e merecem terem uma representatividade num organismo sócio cultural que fomente proximidade para um proseio entre as  diversidades de nossos patrimônio imaterial manifestos,  gerando assim  esse delicioso diálogo com sabor de um cafezinho com bolo e carinho no som da voz da tradição, aquela que nasce no peito, transborda gargantas e alça voos para o mundo.
Inicialmente contamos com o apoio cultural da Secretaria Municipal de Ação Cultural, através da Biblioteca Municipal, local onde ocorrem os encontros, mas nossa meta é continuarmos independentes entre nós e nossa arte, assim não somos um órgão público municipal, mas uma entidade de aglutinação dos fazedores da tradição.
O Centro do Folclore de Piracicaba, que fora a voz de antigos fazedores na década de quarenta até 1988. Com o falecimento de nosso folclorista querido João Chiarini que levantou o estandarte da tradição local e muito fez por isso essa entidade deixou de ser ativa.
Depois de estudos  e fundamentada  na certeza de que o CFP é uma entidade também de essência tradicional do município de Piracicaba, e que elevou a cultura folclórica tradicional até mesmo a nível internacional; e após os já citados diálogos com os fazedores,  entrei em março de 2012, com o pedido de reativação do  Centro em nome dos fazedores,na Cãmara Municipal, com o intuito também de reativar toda a tradicionalidade ancestral que o fez tão necessário e precioso à cultura local, atravessando décadas até chegar em nós.
Já estamos no quarto encontro que são mensais, sempre nas terceiras segundas feira de cada mês. São reuniões a priori internas  e que estamos nos ouvindo, e sendo ouvidos, afinal somos tantos e com tantas necessidade esperanças nessa nova investida  que mira a união entre as diferenças…
Estamos estruturando o estatuto original, a fim de trazê-lo à realidade cultural nacional e de nosso cotidiano tradicional, atualizando no contexto sócio, cultural e legal, respeitando as normativas na UNESCO, e Ministério da Cultura para se legitimar enquanto entidade representativa.
Temos sonhos, esperanças de fazer valer nossas expectativas e vontades gerando juntos linhas de ações efetivas/afetivas voltadas à salvaguarda, registro, manutenção, difusão, continuidade e estruturação adequada de nosso fazedores de tradição e a sua/nossa arte herdada através das gerações que muito fizeram para manter viva a cultura caipira de nossa Piracicaba.
Como sempre esse tema é uma paixão de uma neta de parteira que abria picadas na mata de uma Piracicaba tão antiga, do tempo dos troles, bondes, do tempo do benzimento, algo de lá longe, mas tão próximo de meu coração e sei que de meus pares, desses que são a segunda geração de fazedores que também abrem a picada, por entre arranhas- céu, tecnologias, e que sabem do valor do apertar as mãos, e do reverenciar tudo e todos oa que vieram antes de nós e nos deixaram seu legado.
De prático: Falarei com meus querido, preciso só saber quais dias você tem livre e a gente faz uma casadinha entre todos, assim todos poderão participar e você rever, pois sei que muitos já conhece, você já é da casa, e a casa está sempre aberta para aqueles que trazem consigo a luz e a beleza da pureza do Ser Humano.
Com “A” de Afeto!
Roberta lessa
da comissão de reativação do CFP

FILOSOFIANDO IDÉIAS – SOBRE TRADIÇÃO (RL/02/14)


Bom dia a Todas(os):

É importante considerar que as manifestações populares da cultura tradicional de um determinado segmento social são além de apresentações cênicas, montadas à revelia; expressões  sócio culturais que refletem  o “modus vivendi” de todo coletivo voltado à determinados valores construídos durante seu período de existência. Engendram-se nesse contexto a concepção de ser algo “além” de simples representações artísticas sem fundamentação ou isoladas de uma sua transmissão de uma geração para outra, pois abarca sim uma complexa rede de saberes, viveres e fazeres que convivem concomitantemente com nossa contemporaneidade já bastante globalizada.

Surge do imaginário coletivo ou individual e gerando formatos reais que sobrevivem na sociedade, influenciando toda população que muitas vezes nem se percebe participante e atuante da tradição, pois o “fazedor” (como teimo chamar aqueles que fazer, mantém e sobrevivem da cultura tradicionalmente folclórica) muitas vezes aplicam conceitos tidos tradicionais em seu dia a dia, pois é de seu uso e costume, e não permeia pela racionalidade intelectiva.

Além de meras apresentações de consumo, a tradição também acima de tudo são ações cotidianas inseridas informalmente nos miríades de práticas do coletivo humano, entre outras, arquitetura, artesanato, costumes, mitos, comportamento, crenças, culinária, vestuário, conceitos, medicina, objetos, religiões, eventos, literatura, brincadeira; e dessa forma, abrange a tradição local e ou geral considerando tais peculiaridades intrínseca na sua representação e forma de existir.

QUESTÃO INTERESSANTE:

O respeito ao Mestre é uma das prioridades do grupo de tradição, esse mestre o é pelo simples fato da qualidade de seus saberes, fazeres e dizeres adquiridos na temporariedade em que apreendeu sua arte e a transmite aos seus. São décadas de existência prática adquirida e compromissada com sua tradição e por isso é considerado pelos seus pares, Mestre.  Esse respeito há de ser ressaltado e considerado pelos novos e principalmente pelos não praticante dessa manifestação.

O mestre jamais se auto intitula, ele é fruto da eleição afetiva e efetiva do grupo a qual pertence.Como reconhecer esse ser de tradição? É ele quem menos se evidencia egóicamente, ele apenas o é, silenciosa e mansamente. Uma das características do real fazedor é ser parte do todo, e ser a voz do todo, desse coletivo que sabe e respeita o que é um mestre.

OUTRA QUESTÃO:

Tradição não é representação artística, mas vivência ancestral sendo trazida e continuada pelos novos fazedores, evoluindo e adaptando-se no período de sua existência física ou não de forma natural. Afora os modismos reinante e que fatores diversos provocam, é importante sempre elevar a tradição enquanto forma de expressão que inicia na latência, no âmago do fazedor e da sociedade que participa, essa força se expande de tal forma que é exteriorizada ao exterior social. Note bem: essa postura tradicional não se traveste num o fazedor da tradição, muito menos se estabelece encenações, há algo de continuidade e perenidade nessa questão. Há de se considerar a necessidade de salvaguardar nossas mais ricas expressões de forma que não se adultere seu conteúdo essencial, sabendo  e valorizando todo o processo evolutivo que existe no seu trânsito histórico e existencial. Um limite crucial a ser considerado é saber que entremeio à esta questão  existem:  grupos folclóricos tradicionais, pára folclórico, não tradicionais, e de representação, nem tradicional e nem folclórico, mas que resgata, quando bem estruturado muito da tradição local.

Segundo nosso amado e finado Abel Bueno, violeiro piracicabano que como tantos que já se foram e que deixaram um hiato em nossos corações e tradição reinante: “um caipira não se faz, ele é…” . Toda essa sabedoria em poucas palavras ditas por um matuto, deve ser considerada  para toda modalidade e tipologia das manifestações de tradição folclórica existentes em Piracicaba: Não se “monta” a arte do fazedor tradicional, mas ela  é uma construção cotidiana e diuturna e essencial ao ser comprometido com sua existência, transmissão, difusão, salvaguarda e continuidade.

Imagem

Roberta Lessa – Folclorista e Pesquisadora

 

Published in: on 27 de fevereiro de 2014 at 11:50  Comentários desativados em FILOSOFIANDO IDÉIAS – SOBRE TRADIÇÃO (RL/02/14)  
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FILOSOFIANDO IDÉIAS SOBRE OLHOS E OLHARES – Roberta Lessa


Ah, esse meu olhar tão voltado à tradição e se assim não fosse, ela forçosa e simplesmente invadiria pupila a dentro, sorvendo-me sua força ancestral  e impingindo o despertar da necessária consciência de que a herança que me é devida, assim o é, por eu fazer parte dela e ela de mim.

Fonte: Internet Livre

Fonte: Internet Livre

Hoje uma cena inusitada e digna de ser eternizada em fotografia ocorreu diante de meus sentidos: um senhor de seus cem anos, sentado em uma velha cadeira plástica, numa esquina de ruas que se encontram, em meu caso foram vidas a se encontrarem; pernas cruzadas, joelhos já gastos  de vida e expostos pela bermuda  e olhar absorto e ensimesmado, como se a observar com derradeira sabedoria, a ciência de não mais pertencer àquele lugar, aquele cenário que se formou enquanto lá viveu a vida: casa construídas por mãos de familiares já não mais existia, de lugar à nova arquitetura urbana e central da cidade, edifícios surgiam em lugar das árvores a crescer,  comércio no que antes era campinho de futebol.

Fonte:Internet Livre

Fonte:Internet Livre

Sim, tive que parar o carro, desacreditar do que vira e descer levando a máquina fotográfica e um desarvorado correr, quase um quarteirão a fim de que essa cena não se desfizesse feito bruma ao amanhecer, antes que dela fizesse a eternidade presente ao retratá-la. Em estase, detive-me na esquina, antes de atravessar e chegar mais perto daquilo que não me pertencia, devido à sua fluidez cênica, mas que tão somente a mim tinha importância. Chegando devagar, quase em silêncio mental, desacreditando na hipnose auto impingida, abordei o ancião, que me olhou como se dissesse quem é você?

Pedi para tirar uma foto, ele não entendeu, mostrei a máquina, e ele não entendeu, e apresentei, quase que num pedido de desculpas, na sequencia el e me perguntou quem eu era, onde morava, pediu para falar mais alto, pois a surdez física ultrapassou a surdez da vida, e fez morada naquele corpo quase decrépito e tão intensamente vivido.

Desejo de fotos à parte. Adentrei no universo de Antônio, que tem esse nome por causa do santo do dia que veio ao mundo, Antonio de tantas identidades geradas num cotidiano que ninguém além dessa Antônio guarda na memória: Antonio e tradição, uma coisa só.

Fonte: Internet Livre

Fonte: Internet Livre

Invadi o celeste olhar de Antonio, que completará cem anos e com muita história. Murmurei silêncios a ouvir Antônio, que proseou sua vida comigo, contou de sua profissão no Engenho Central de Piracicaba, falou das casas que morou, dos amores que se foram, da profissão e silenciou-se em lágrimas. Lacrimei esperança em Antônio, na tentativa de consolo e por gratidão por dividir comigo lembranças dos seus que se foram.

Fonte:Internet Livre

Fonte:Internet Livre

A foto…

Ficou para amanhã na mesma hora e local, pois ele queria fazer a barba e chorar menos, ficou apenas o olhar que adentrei e que me adentrou, Antônio morou em mim por instantes,  e eu soube recebê-lo por gratidão ao presente dado ao meu olhar de tradição.

Um pouco do muito que ele passou-me, é como se a tradição se travestisse de  novos significados, signos e marcas no corpo de Antonio, justamente hoje Antonio Santo falou comigo e eu com certeza ouvi nele o proseio de  um Santo Antonio. Este momento por mais que quisesse era só meu e de Antonio.

Tem mensagens que chegam à nós e cabe à nós compreendê-las pois muitas habitam as entre linhas dos sentidos….

Numa tarde pra lá de dez liciosa….

Published in: on 12 de junho de 2013 at 0:16  Comentários desativados em FILOSOFIANDO IDÉIAS SOBRE OLHOS E OLHARES – Roberta Lessa  
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CENTRO DO FOLCLORE DE PIRACICABA


LOGO-CFP

E O RENASCER DE UMA NOVA ERA DO CENTRO DO FOLCLORE DE PIRACICABA INSPIRA OS FAZEDORES DA CULTURA POPULAR FOLCLÓRICA DE TRADIÇÃO DE PIRACICABA
Em março de 2013, após uma ano de reuniões individuais com os fazedores (chamo carinhosamente de fazedor, aquele que faz de sua arte de tradição parte de sua vida cotidiana em prática de preservação da cultura folclórica que abarque a tradicionalidade de Piracicaba) da tradição de Piracicaba, um seleto grupo se reuniu com a finalidade de reativar o Centro do Folclore de Piracicaba – SFP, formando a Comissão de Reativação desse organismo tão representativo para a cultura  de tradição local.
Foto: Acervo CFP

Foto: Acervo CFP

Estamos nos estruturando aos pouquinhos e devagarzinho, em nosso tempo, pois tudo que é de nossa arte é de um tempo diferente do tempo do consumo, do tempo da rede, do tempo do progresso, pois é um tempo do tatear, tempo do olhar nos olhos e nos reconhecermos, enfim, é um tempo caipira de ser e fazer as coisas.
Somos poucos e tão intensos, somos representantes de nossas tradições, e aos poucos outros vão somando com a gente no decorrer de nossos encontro, sabe aquela  divulgação mais boca a boca? Por hora somos:Batuqueiros, Congadeiros, Candomblecistas, Irmãos do Divino, Capoeiristas, Irmãos de São Benedito, Contadores de Causos, Sanfoneiros, Modinheiros de viola, Cururueiros, Repentistas, Tocadores de Berrante, artistas Naiffs, Contadores de Estórias, Umbandistas, Escritores, somos também o elo entre aqueles que vieram antes de nós e  aqueles que virão e somarão conosco.
FONTE; Acervo CFP

FONTE; Acervo CFP

 

Temos também a deliciosa participação, sempre à convite nosso, de algumas pessoas queridas que não são da tradição mas detém apreço à causa e sabem que de uma forma ou de outra estão conosco conectados. Queridos com esse coração amoroso é sempre bom ter ao lado da gente. Existem ainda alguns fazedores da tradição que mostraram interesses e estão se programando para virem nos próximos encontro, isso me delicia, pois a cada mês uma nova e linda presença vem chegando de mansinho e somando com agente, isso é lindo.
FONTE: Internet Livre

FONTE: Internet Livre

 Estes encontros inicialmente ocorreram com bates papos individuais com os fazedores para que eu pudesse saber do interesse deles reativarem o Centro do Folclore de Piracicaba,  em nome dos fazedores de tradição, para que seja a voz desse coletivo que merece ser re dignificado, e merecem terem uma representatividade num organismo sócio cultural que fomente proximidade para um proseio entre as  diversidades de nossos patrimônios imateriais manifestos,  gerando assim  esse delicioso diálogo com sabor de um cafezinho com bolo e carinho no som da voz da tradição, aquela que nasce no peito, transborda gargantas e alça voos para o mundo.
FONTE: Internet Livre

FONTE: Internet Livre

Inicialmente contamos com o apoio cultural da Secretaria Municipal de Ação Cultural, através da Biblioteca Municipal, que nos cede um local onde ocorrem os encontros, mas nossa meta é continuarmos independentes  e auto suficientes e futuramente termos uma sede. Somos um organismo de aglutinação de um coletivo que pratica as diversificadas formas de manifestações do folclore de tradição de Piracicaba, dessa forma não somos um órgão público municipal, mas uma entidade de aglutinação dos fazedores da tradição.
FONTE: Internet Livre

FONTE: Internet Livre

O Centro do Folclore de Piracicaba, que fora a voz de antigos fazedores na década de quarenta até 1988, onde com o falecimento de nosso folclorista querido João Chiarini, que levantou o estandarte da tradição local e muito fez por isso essa entidade deixou de ser ativa. Depois de estudos  e fundamentada  na certeza de que o CFP é uma entidade também de essência tradicional do município de Piracicaba, e que elevou a cultura folclórica tradicional até mesmo a nível internacional. E após os já citados diálogos com os fazedores,  entrei em março de 2012, com o pedido de reativação do  Centro em nome dos fazedores,na Câmara Municipal de Piracicaba, com o intuito também de reativar toda a tradicionalidade ancestral que o fez tão necessário e precioso à cultura local, atravessando décadas até chegar em nós.
FONTE: Internet Livre

FONTE: Internet Livre

Já estamos no quarto  encontro que são mensais, sempre nas terceiras segundas feira de cada mês. São reuniões a priori internas que servem para que cada um fale e seja ouvido, afinal somos tantos e com tantas necessidade esperanças nessa nova investida  que mira a união entre as diferenças. Estamos estruturando o estatuto original, a fim de trazê-lo à realidade cultural nacional e de nosso cotidiano tradicional, atualizando no contexto sócio, cultural e legal, respeitando as normativas na UNESCO, e Ministério da Cultura para se legitimar enquanto entidade representativa.
FONTE: Internet Livre

FONTE: Internet Livre

Temos sonhos, esperanças de fazer valer nossas expectativas e vontades gerando juntos linhas de ações efetivas/afetivas voltadas à salvaguarda, registro, manutenção, difusão, continuidade e estruturação adequada de nossso fazedores de tradição e a sua/nossa arte herdada através das gerações que muito fizeram para manter viva a cultura caipira de nossa Piracicaba.Como sempre esse tema é uma paixão de uma neta de parteira que abria picadas na mata de uma Piracicaba tão antiga, do tempo dos troles, bondes, do tempo do bezimento, algo de lá longe, mas tão próximo de meu coração e sei que de meus pares, desses que são a segunda geração de fazedores que também abrem a picada, por entre arranhas- céu, tecnologias, e que sabem do valor do apertar as mãos, e do reverenciar tudo e todos oa que vieram antes de nós e nos deixaram seu legado.
FONTE: Internet Livre

FONTE: Internet Livre

 ROBERTA LESSA
FOLCLORISTA E PESQUISADORA
COMISSÃO DE REATIVAÇÃO DO CENTRO DO FOLCLORE DE PIRACICABA
O LADO ESCURO DA LUA

Minha maneira de ver, falar, ouvir e pensar o mundo... se quiser, venha comigo...

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