PAIDÉIA-APENAS ALGUMAS OBSERVAÇÕES – (RLessa/Mai/2014)


MÊNON – VIRTUDE

Virtude, temática já tratada em outros diálogos de Platão, pode-se afirmar que Menon é complemento de Górgias[1], onde o autor procura saber se a virtude é algo que se aprende com a educação ou se a mesma é característica inerente do homem.

 Esta questão fez parte de muitas buscas entre os filósofos gregos contemporâneos de Platão.

VIRTUDE: CIÊNCIA OU DOM NATURAL ?

 O questionar a virtude como inerente ao homem ou fruto de aprendizado científico é um ponto que devido a sua complexidade leva-nos à diversas possibilidades, como foi o caso de Sócrates[2] e Mênon. A virtude ocorre em pessoas que possivelmente nunca tiveram treinamento para tal e verifica-se em seu comportamento o quanto são virtuosos em suas ações e palavras, Sócrates comenta neste caso a retidão do espírito, que produz resultados práticos, o que se assemelha com o conhecimento adquirido cientificamente.

 Podemos transportarmo-nos seguramente à Teoria da Idéias[3] de Platão, desenvolvendo uma tênue e imaginária ponte com o que foi proposto, no que tange a teoria da reminiscência, onde o saber, a retidão do espírito, no caso a virtude, são lembranças de algo já vivenciado, e cabe aos que ainda ignoram o fato, serem “acordados”, no que se refere à recordar as idéias que estavam “adormecidas” nestes indivíduos.

 Afirmo ter-me permitido acrescentar esse fato, mas deixo claro  não ter certeza se é correto fazê-lo.

 De acordo com a Teoria das Idéias, Sócrates deixa claro à Mênon a possibilidade de um escravo desenvolver-se de acordo com suas possibilidades  que lhe são expostas – é importante salientar que o conceito de escravidão na Grécia Antiga era diferente do que nós temos nos dias de hoje[4].

 Sócrates afirma com isso que o conhecimento científico e o conhecimento prático, certamente unem-se quando se tem em vista que em ambos os casos mos mesmos derivam e uma memória das verdades relativas do mundo das idéias.

 Percebe-se na fala desse filósofo a trivial resistência quanto às teorias sofistas[5]que são expressas sutilmente na fala de Menon que de forma eloqüente demonstra o fato.

 O diálogo induz o leitor à prática do raciocínio diferenciado, onde existe uma abertura complexa que ilumina o espírito, encaminhando o indivíduo à praticar a já tão conhecida maiêutica[6] de Platão, arte que enfurece ou encanta a tantos.

 Sócrates mostra-nos de forma maviosa essa arte quando ele chega à uma resposta, e demonstra que está inserida nelas outras e novas dúvidas, dando-nos continuidade à busca que muito caracteriza a filosofia.

 O diálogo deixa claro a necessidade de existir a inquietude – eterna no ser humano – para que haja progressos rumo ao conhecimento. A insatisfação humana é necessária para que esse processo ocorra, sair do dogmatismo, fugir do pragmatismo, enfim o buscador nunca se saciará com o pré estabelecido e não aceitará o definido como estático.

 O que poderíamos dizer sobre os personagens?

 

  1. SÓCRATES: Nosso já tão conhecido e querido filósofo, sua vida é contada por Xenofontes e por Platão, que faz dele o personagem central de seus diálogos, sobre tudo na Apologia de Sócrates e Fédon. Nasceu em Atenas, sua mãe era parteira, seu pai escultor, recebeu uma educação tradicional: aprendizagem da leitura e da escrita a partir da obra de Homero. Conhecedor das doutrinas filosóficas anteriores e contemporâneas (Parmênides, Zenão, Heráclito) participou do movimento de renovação da cultura empreendido pelos sofistas, mas se revelou um inimigo destes. Consolidador da filosofia, nada deixou escrito. Muito se poderia falar sobre essa grandiosa figura Grega, o que estenderia deveras essa introdução.[7]
  2. MÊNON: Personagem que dá o nome a esse diálogo, rico habitante da Larissa, na Tessália. Da nobre família de Aleudes, que tiveram a triste honra de ser “hóspedes do grande rei”, Menon viaja para se instruir. Fora discípulo do sofista Górgias quando este andara pela Tessália e dedica-se, por simples gosto à matemática ou, mais exatamente à geometria. É perceptível principalmente no início do diálogo, o vicio de sua formação sofista, onde ele revela uma indisfarçável tendência para a eloqüência.[8]
  3. ANITO: Personagem tenebrosa e agourenta é a última figura do diálogo, político fanático, pouco lhe interessavam as discussões sobre a virtude. Virtude ele só a vê nos chefes do povo. Desdenha dos intelectuais, os agitadores de idéias. Satisfaz-se apenas com o prazer do poderio.[9]

 

COMPREENDENDO A TEMÁTICA

 O início deste diálogo ocorre quando Menon questiona Sócrates sobre a Virtude e o mesmo responde usando o método já tão conhecido, conduzindo seu interlocutor à discorrer sobre o assunto a fim de que possam juntos chegar à conclusões sobre a temática desenvolvida.

 “(…) Fala: e serei feliz em reconhecer meu erro,se conseguires provar-me que vós, tu e Górgias, sabeis o que é virtude, a virtude que eu há pouco disse jamais haver encontrado alguém que a conhecesse.”[10]

 Menon quando solicitado a responder ao próprio questionamento afirma saber o que é virtude, elencando diversas formas de virtudes e afirma ser a virtude formada de um caráter geral que deve-se ter em vista para que se possa saber verdadeiramente o que é.

Compreendi ao ler o texto que, para Sócrates a virtude é o conjunto de ações, caracteres que a formam de maneira a levar-nos à consciência de existir o todo e a parte.

MAS QUAL A VIRTUDE QUE ABRANGE AS DEMAIS?

 Tem se em mente que a figura é formada pelas suas características (cones, triângulos, etc), que por sua vez também é constituída pelo item cor (amarelo, vermelho, etc), mas questiona verdadeiramente o que é a figura? O que é a cor? O que é a Virtude?

Chegamos à pluralidade, mas não é essa a intenção de Sócrates.

 Sócrates conduz o diálogo de forma a fazer Menon acreditar ser a virtude formada por diferentes formas de comportamentos. Através da dialética, o filósofo ironiza de forma amena o equivoco do amigo, bem como essa ironia se estende no que se refere aos sofistas, homens pelo qual nutre grande desprezo, devido ao comportamento de disputa pelo conhecimento por eles criado e sem intenção de atingir a plenitude do conhecimento.

 

Sócrates diferencia o diálogo que tem com Menon dos embates sofistas, pois o mesmo deverá evoluir de forma doce e branda através da conversão (dialética) até a conclusão final. Ao somar a esse diálogo o sentido de se usar a terminologia “fim”, que dizer limite e extremidade, e faz uma analogia da necessidade de se dizer a verdade,entendendo a mesma como ponto fundamental para as respostas.

 “(…) Todavia, quando dois bons amigos, como eu e tu conversam, a resposta deve ser dada com maior doçura e mais de acordo com o espírito da conversão. O que caracteriza esse espírito, segundo penso, consiste não são em dizer a verdade, mas fundamental as respostas unicamente naquilo que o próprio interlocutor reconhece saber (…)”[11]

 Transporta sabiamente este contexto para afigura, sendo ela o limite de um sólido. Sócrates aos ser questionado quanto à cor, adentra na dúvida se Menon “zomba” dele, mas responde-lhe citando Górgias que fora discípulo de Empédocles, naturalista, que criou a teoria dos quatro elementos.[12]

 Neste momento do diálogo é introduzida a definição de virtude segundo as concepções de Menon:

I  –  AMAR AS COISA BELAS

 II – PODER CONSEGUÍ-LAS

 Sócrates diante desse conceito direciona o assunto afirmando que existe aquele que deseja o bem e subsequentemente o inverso também existe, o que Mênon concorda no que tange a existência de homens que desejam o “mal”. Neste contexto há aqueles que sabem ser o mal” e o desejam também, o que Menon não discorda.

 Como consequência disto o mal” acontecerá em suas vidas.

 Mas Menon e Sócrates concordam que não é por desejar o “mal” é o que os homens são “maus”, pois o “mal” para eles lhe parece o “bem”, portanto eles, nos seus sentidos e limites desejam o “bem”.

 Há aqueles que sabem que essas coisas é o “mal” e sabe das conseqüências, esses Menon não acredita existir.

 Já que a virtude consiste em “desejar o que é bom e poder consegui-lo”, segundo Menon, Sócrates conclui que se uma pessoa for melhor que outra,  isso é conseqüência do poder que ela possui a mais que a outra.

 Sócrates questiona o conceito de “bem” de Menon.

SAÚDE?

 RIQUEZA?

 E numa negativa, Menon afirma ser o “bem”, aquisição de ouro,prata, honrarias.

No que Sócrates acrescenta a “justiça” como meio de fazê-lo com virtude. Abstendo de ganhar ouro ou prata se a aquisição não for justa.

JUSTIÇA                   O QUE SE FAZ COM “VIRTUDE”

 VÍCIO                       O QUE SE FAZ SEM AS QUALIDADES DA “VIRTUDE”

 

Mas a justiça é apenas parte, fragmentos da virtude e não se conhece o todo através da parte.

Então o que é virtude?

Como encontrar uma coisa que não se conhece?

 Sócrates novamente repudia o comportamento erístico [13] de Menon, argumentando contrariamente aos sofistas que afirmam:

 “O que  sabe, não precisa procurar, por que sabe, e o que não sabe, não pode procurar,porque não sabe o que deve procurar.”[14]

Nosso filósofo adentra no conceito da Teoria da Reminiscência[15], iniciando uma breve explicação desta teoria, fazendo-o com a intenção de explicar a Mênon o porque de seu repúdio aos sofistas que pregam a preguiça, contrapondo com suas crenças (de Sócrates) torna-os ativos levando-o ao trabalho e à pesquisa e é por isso que sele se dispõe a buscar o verdadeiro sentido de virtude com Menon.

 A partir  desse momento, o fato de Sócrates solicitar a Menon um escravo a fim de que ele possa demonstrar na prática de que a virtude é um conhecimento que o homem já carrega em sua vida, fruto de lembranças do mundo das idéias.

 As perguntas forma feitas de forma a conduzir o escravo às respostas. Deixando de lado a inteligência do mesmo. Sócrates tenta provar a Menon que a “Teoria da Reminiscência” é real ao chamar um escravo do amigo a fim de perguntar assuntos de geometria,os quais o escravo certamente não teve acesso durante a vida. O escravo respondeu a contento, quando interrogado de forma salutar pelo mestre, com isso o Filósofo comenta o fato do servo lembrar-se das respostas como se já as estivesse estudado antes.

 Menon retoma o questionamento inicial, onde Le procura saber se a virtude é coisas “ensinável” ou é dada ao homem por sua própria natureza. Abrindo margem para outras alternativas.

 Sócrates prioriza o conhecimento inicial do que é a virtude para depois saber se ela é “ensinável” ou não. Pois não há como procurar algo sem antes saber o que é esta coisa. Partindo de suas qualidades pode se chegar a isso, mesmo ignorando sua natureza.

 O QUE É?

 VIRTUDE        

  COMO É?

 Sócrates questiona se a virtude é algo da natureza ou será devido à “teoria da reminiscência”. Comenta que “tudo o que pode ser ensinado é ciência” e se as características que dão origem à virtude podem ser ensinadas então “virtude é ciência”, nosso filósofo tenta desenvolver essa hipótese.

 No que Menon concorda. Sócrates alerta a possibilidade de existência de características distintas da ciência, sendo assim a virtude poderá também “não ser ciência”.Mas senão houver características que estejam inseridas na ciência poderemos afirmar que a virtude uma não ciência, somente assim.

 

BOM                                                                                    VANTAGEM

 

PESSOA BOA                                                                     VANTAGENS

 

Dessa forma:

 

VIRTUDE É ALGO ÚTIL

O ÚTIL É “BOM”[16] E “MAL”

Sócrates estende este raciocínio às qualidades da alma, onde cita como exemplo, a coragem: se ela não se baseia na inteligência, não passa de audácia.

Um homem sem raciocínio é prejudicado, o oposto também ocorre e o homem obtém vantagem disso.

Conclui Sócrates que tudo o que diz respeito à alma quando submetido à razão, conduz à felicidade, pois a virtude é qualidade da alma e por isso é útil,então ela é a razão[17].

 

USO CORRETO                                                                     USO RACIONAL

 USO INORRETO                                                                   USO IRRACIONAL

 O homem depende da alma que depende da razão para ser boa, por isso ela é útil e racional, logo:

VIRTUDE É RAZÃO

 NO TODO E NA PARTE

 Ao admiti-lo, temos que os “bons” não são “bons” por natureza, pois se o fossem teríamos que, em função de seus próprios avanços, isolá-los ao nascer, a fim de que quando jovens, sem corrupção, servissem ao Estado.

 Dessa forma, os “bons”, não são bons por natureza e sim educados para. E a virtude,sendo uma ciência, poderá ser ensinada.

 Chegado a esta conclusão, Sócrates ainda a questiona, pois desejaria a certeza plena desse assunto. Partindo do pré suposto de que uma ciência deva ter alunos e professores, o que não ocorre com a virtude[18],

 Neste ínterim chega Anito, o qual é convidado a participar do diálogo:

 Sócrates pergunta a Anito se o mesmo sabe de um mestre que se dedique ao ensino da virtude. Fazendo uso de sua inteligência, sutilmente conduz Anito a indicar o mestre, suscitando naquele que acabara de chegar o ódio por ele mantido pelos sofistas. Quando os cita como possíveis mestres da virtude, o que provoca neste grego a fúria contida e solta somente no que se refere aos sofistas.

 Auspiciosamente Sócrates o questiona a razão pelo qual mantém tal sentimento e ele, em resposta comenta que jamais irá conversar com um e que não permitiria que ninguém de seu meio o fizesse e que eles, os sofistas, jamais poderiam ser considerados como mestres. Resposta esta que deu ao ágil Sócrates a oportunidade de solicitar o possível mestre, já que os citados por ele foram excluídos tão eficazmente.

 Anito acredita que é através de conversas com “bons” cidadãos que certamente se obterá conhecimentos sobre a virtude, no que Sócrates questiona, citando o filho de Temístocles, Cleofano a despeito do bom ensinamento do pai, tornou-se um ser sem virtude. Sócrates segue citando diversos outros casos contemporâneos a eles.

 Anito, enfurecido encara o fato como difamação das pessoas citadas e o aconselha não agir dessa forma, afirmando ser mais fácil fazer o “mal”, que o “bem” para as pessoas.

 Anito sai em seguida.

Ação esta notada e questionada por Menon, que ainda se mantém na dúvida a respeito do mestre que ensine a virtude, essa dúvida persiste.

Sócrates, continuando desse momento, conduz Menon ao raciocínio de que não se pode haver um mestre que tenha dúvidas sobre o assunto que ensina, no caso a virtude.

Não havendo mestre,nem aluno, a virtude não é ensinável.

Menon então questiona se de fato há homens “bons” e “maus”, e se há, como conseguem sê-los.

Sócrates deduz que foram ao extremo do questionamento, mas não profundamente a ponto de perceber a existência de uma ciência que dirija as ações do homem,motivo esse que impossibilitou a descoberta de mestres da virtude.

Encontrado o equívoco de seu raciocínio[19], ele comenta que não é somente os que são guiados pela ciência é que são capazes de serem úteis e bem cuidar de seus interesses.

Completa que é a “opinião” acertada, também possuidora do privilégio do acerto. Dessa forma:

                       CIÊNCIA                  VIRTUDE                   OPINIÃO

             Mênon concorda e complementa que aquele que é regido pela opinião tem possibilidades de erro, pois possui apenas uma opinião tem possibilidades de erros,pois possui apenas uma opinião certa, mas não compreende porque mesmo com a opinião certa, faz-se distinção entre uma e outra.

 De forma poética Sócrates compara a opinião certa às estátuas de Dédalo[20] que acreditava ser necessário amarrá-las, pois tendiam à fuga. A opinião é similar, pois ela é efêmera enquanto for “boa” e faz patê da reminiscência e quando elas são “amarradas” (acredito que ele quis dizer embasadas  cientificamente) tornam-se estáveis.

 A ciência se distingue da opinião de certo pelo seu encadeamento racional.

 “Portanto, uma vez que a ciência não pé a única coisa que se produz homens bons e como tais úteis aos estados, se é que de fato os há, e uma vez ambas essas coisas, a ciência e a opinião certa (…)”[21]

 Com um término fantástico, que emociona ao leitor, Platão retoma em poucos parágrafos, nas falas de Menon e Sócrates todo o percurso percorrido no diálogo, deixando-nos claro ser a virtude algo que se aproxima do divino, principalmente no que se diz respeito à opinião, pois foi essa a conclusão por ambos chegada, que a virtude nada tem a ver com a ciência e sim única e exclusivamente ao caráter natural do homem, tendo uma forte ligação, digo lembrança como mundo das idéias e por isso é resgatada pelos “Bons” de forma a reproduzir o captado em sua vida.

 “Teríamos portanto razão em chamar de “divinos” aos profetas e adivinhos e a todos aqueles que o delírio poético agita(…)”.[22]

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 Percebemos que o diálogo Menon de Platão, quando expõe a “teoria da reminiscência”, afirma que a verdade existe nas esferas da idéias puras ou seja, na alma imortal de todos os homens, isso antes mesmo de seu nascimento. De certa forma o ser humano, por se encontrar vivenciando a dimensão corporal e por isso imerso no mundo sensível somente acessa fragmentos distorcidos do conhecimento verdadeiro incorrendo dessa forma em erros. A forma que se possa direcionar essa percepção para que ela se torne o mais fiel possível da realidade é aplicando a maiêutica[23] socrática e provocando dessa forma a auto reflexão,o que provocaria a superação das barreiras cognitivas e o homem dessa forma  contemplaria a episteme[24] enquanto ciência verdadeira. Há aí uma diferença fundamental: enquanto para Popper[25], a ciência segue o método das conjecturas e refutações e, desse modo, todo o conhecimento científico é meramente conjectural e, portanto, opinião (o que é bebido na sabedoria grega de Xenófanes[26]), para Platão, ciência (episteme) significa conhecimento verdadeiro e não meramente uma simples conjectura, ou uma mera opinião (dóxa).

Verifica-se que neste diálogo, a demonstração de que para Sócrates e Platão da necessidade de se dialetizar o questionamento, dessa forma o homem certamente chegará à um “estado de torpor” decorrente desse quase inalcançável mundo das idéias (sensível) e dessa forma desperte da sonolência intelectiva. Esse exercício questionador há de ser de tal profundidade que  despertará o “advento da contradição”, que deverá ser superada para que possa contemplar a solução verdadeira que está em sua essência, antes mesmo de  que tenha nascido no mundo físico. A maiêutica purificaria essa percepção humana e o homem apenas recordaria a verdade da ciência que tem sua origem no mundo sensível. Dessa forma é que se justifica o nome “teoria da reminiscência”,pois segundo Platão e Sócrates o conhecimento não se trata de uma aquisição de um novo saber, mas a recordação do conhecimento inato ao ser, e esse inatismo[27] Platônico, é concernente ao mundo inteligível que habita a alma imortal do homem.

 Verifica-se que segundo Platão o escravo de Menon  não é propriamente um indivíduo capaz de adquirir conhecimento (cognoscente), pois não o considera agente de seu próprio conhecimento, sendo ele simplesmente um ser que somente através de auxilio (inquirição de perguntas e respostas) é que ele “recorda”, dessa forma o filósofo pressupõe o escravo encontra-se imerso no mundo sensível, sendo assim apenas tem acesso à fragmentos distorcidos da verdade. Pode-se afirmar que o escravo percebe o conhecimento enquanto linearidade, quando de fato a o conhecimento da verdade é não linear.

 Sendo assim, o acesso ao conhecimento ocorrerá como já citado através da maiêutica, pois todo o conhecimento já existe na “tela mental” do escravo, excetuando a possibilidade dessa aquisição de saber ser oriunda fora do ensinamento que Platão propõe. Certamente para ele, o escravo superará a contradição após a perceber, mas especifica que a purificação desse processo é um continunn com novas percepções de ouras contradições. Esse processo se completa, como reafirma Popper:

  “(…) a maiêutica platônica é um método indutivo análogo à indução.(..) Só que a diferença entre Platão e os empiristas é que, para aquele, o conhecimento já existe no mundo inteligível e a indução consubstanciada pela maiêutica é apenas um meio para se superar os obstáculos do mundo sensível, no entanto, a indução é o método para encher a nossa mente, dantes considerada como uma tábula rasa, por meio dos dados da experiência. Perguntar-se-ia, portanto, se uma teoria indutivista seria capaz de dirimir um conflito entre duas outras teorias não-indutivistas. (…)[28]

 Embora seja recomendável que a imaginação de cada indivíduo deva se fortalecer em sua mente, a fim de acessar maior percepção do verdadeiro conhecimento que tem sua origem no mundo das idéias, há critérios essenciais que interferem e muitas vezes exercem o controle da mente do indivíduo e de tudo o que a imaginação nos possa ensejar.  Percebo que o que muitas vezes nos garante a racionalidade dos discursos, é talvez o compartilhar de seus significados e a necessidade da objetividade da realidade, sem os quais, quaisquer tentativa de cientificamente compreender, perceber o conhecimento em si não será possível.

 Finalizando, no que tange  ao contexto do diálogo platônico, para se implementar uma autonomia da mente do indivíduo, é essencial e fundamental para formação de novos conceitos, que sua mente seja dissolvida da realidade sensível que vivencia fisicamente. Dessa forma ao ser humano será permitido maior espaço e liberdade para, através da subjetividade pretendida, se colocar enquanto à parte da vunerabilidade gerada pelo mundo físico que manipula suas idéias, e se valorizaria o real exercício do conhecimento. BY ROBERTA LESSA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Referências Bliográficas

 

 

JAPIASSÚ, , Hilton, Danilo Marcondes, Dicionário Básido de

Filosofia, 3ª  edição revisada  e ampliada, Rio de Janeiro,

Jorge Zahar Editor, 1996.

 

MORENTE,  Manuel  Garcia,  Fundamentos da Filosofia.- Li-

         ções preliminares, tradução Guilhermo de La Cruz Coro-

        nado, 3ª edição, São Paulo, Editora Mestre Jou,1967.

 

CHAUÍ, Marilena, Convite à  Filosofia, 9º edição,  São Paulo,

Editora Ática, 1997.

 

HUSSERL, Edmund, Investigações Lógicas, Coleção Os Pensa-

dores, 1º edição, Tradução Zeljko Loraparic e ou, editora

Abril, 1975, Sao Paulo.

 

PLATÃO,  Diálogos –  Mênon, Banquete,  Fedro, Clássicos  de

bolso, pág. 42, trad. Jorge Paleikat, Rio de Janeiro,

Ediouro, 1996.

 

 

 

 


[1] Górgias é um diálogo de Platão, este dialogo tem como tema pricipal a Retórica, qual a sua função e como esta deve ser utilizada. – uma das personagens principais é o próprio Górgias, o famoso sofista siciliano conhecido em Atenas como o melhor orador. A disputa de Sócrates acerca da retórica e o seu valor vai permitir a Platão estabelecer o conforto entre dois usos opostos da linguagem – como instrumento de poder e como instrumento de verdade. Ou seja a linguagem defendida pelos sofistas (representados por Górgias, Polo e Cálicles) sofistas e a linguagem defendida pelos filósofosSócratese Platão – que conclui que esta é não só inútil, mas mesmo imoral.

 

[2] Filósofo ateniense, foi um dos mais importantes ícones da tradição filosófica ocidental, e um dos fundadores da atual Filosofia Ocidental. As fontes mais importantes de informações sobre Sócrates são Platão, Xenofonte e Aristóteles (Alguns historiadores afirmam só se poder falar de Sócrates como um personagem de Platão, por ele nunca ter deixado nada escrito de sua própria autoria.). Os diálogos de Platão retratam Sócrates como mestre que se recusa a ter discípulos, e um homem piedoso que foi executado por impiedade. Sócrates não valorizava os prazeres dos sentidos, todavia se escalava o belo entre as maiores virtudes, junto ao bom e ao justo. Dedicava-se ao parto das idéias (Maiêutica) dos cidadãos de Atenas, mas era indiferente em relação a seus próprios filhos.

 

[3]O mesmo que Teoria das Idéias, consiste em diferenciar a verdade absoluta e perfeita da realidade imperfeita. O que caracteriza a causa da realidade no Mundo Sensível é a Idéia. Mas a Idéia é independente ao Mundo Sensível e é a verdade absoluta.A Teoria das Idéias estabelece a divisão do plano Sensível em oposição ao plano Inteligível. A Teoria das Idéias dedica-se a explicar a existência das formas, dos modelos e das Idéias da alma no Mundo Inteligível.Acima do Mundo Sensível, há o Mundo das Idéias e das essências imutáveis, que o homem atinge através da percepção de que estava enganado em todos os sentidos.O mundo dos fenômenos só existe se ele participar do Mundo das Idéias do qual ele é apenas sombra.Platão acredita que os homens já teriam alcançado a sabedoria suprema quando contemplavam o Mundo das Idéias. .(inn: http://mundodosamantesdasabedoria.blogspot.com/2007/11/teoria-da-reminiscncia-e-suas.html);

[4] A escravidão era prática comum e componente integral da vida na Grécia Antiga, ao longo de toda a sua história, da mesma maneira que nas demais sociedades antigas. Os antigos gregos tinham diversas palavras para descrever os escravos, que precisam ser colocadas no devido contexto para evitar qualquer ambiguidade. Em Homero, Hesíodo e Teógnis de Megara, o escravo era chamado de δμώς (dmôs). O termo tem um significado geral, porém se refere particularmente a prisioneiros de guerra capturados como butim, em outras palavras, propriedade. Durante o período clássico, os gregos freqüentemente se utilizavam do termo ἀνδράποδον (andrápodon), literalmente “aquele com os pés de um homem”, em oposição a τετράποδον (tetrápodon), “quadrúpede”, ou gado. A palavra mais comum é δοῦλος (doûlos), que aparece numa forma arcaica nas incrições micênicas como do-e-ro, utilizada em oposição ao conceito de “homem livre”, ἐλεύθερος (eleútheros). O verbo δουλεὐω, que veio a significar “trabalhar” no grego moderno, pode ser usado metaforicamente para outras formas de dominação, como a de uma cidade sobre a outra, ou dos pais sobre seus filhos. Finalmente, o termo οἰκέτης (oikétês) era utilizado, significando “aquele que vive na casa”, referindo-se aos empregados domésticos. (Inn: http://pt.wikipedia.org/wiki/Escravid%C3%A3o_na_Gr%C3%A9cia_antiga);

[5] Os sofistas se compunham de grupos de mestres que viajavam de cidade em cidade realizando aparições públicas (discursos, etc) para atrair estudantes, de quem cobravam taxas para oferecer-lhes educação. O foco central de seus ensinamentos concentrava-se no logos ou discurso, com foco em estratégias de argumentação. Os mestres sofistas alegavam que podiam “melhorar” seus discípulos, ou, em outras palavras, que a “virtude” seria passível de ser ensinada.(Inn: pt.wikipedia.org/wiki/Escola_sofística);

[6] A Maiêutica Socrática tem como significado “Dar a luz (Parto)” intelectual, da procura da verdade no interior do Homem. Sócrates conduzia este parto em dois momentos: No primeiro, ele levava os seus discípulos ou interlocutores a duvidar de seu próprio conhecimento a respeito de um determinado assunto; no segundo, Sócrates os levava a conceber, de si mesmos, uma nova idéia, uma nova opinião sobre o assunto em questão. Por meio de questões simples, inseridas dentro de um contexto determinado, a Maiêutica dá à luz idéias complexas. A maiêutica baseia-se na idéia de que o conhecimento é latente na mente de todo ser humano, podendo ser encontrado pelas respostas a perguntas propostas de forma perspicaz.A auto-reflexão, expressa no nosce te ipsum“conhece-te a ti mesmo” – põe o Homem na procura das verdades universais que são o caminho para a prática do bem e da virtude.(Inn: http://pt.wikipedia.org/wiki/Mai%C3%AAutica)

 

[7] Inn: Japiassú, Hilton, Danilo Marcondes, Dicionário Básico de Filosofia, 3ª Edição ver. E ampliada, pág. 251, Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editora, 1996.

[8] PLATÃO, Diálogos-Mênon, anquete, Fedro, Clássicos de bolso, pág. 42, trad. Jorge Paleikat, Rio de Janeiro, Ediouro, 1996.

[9] Ibidem 8, página 43

[10] Ibidem 2, página 45

[11] Ibidem 8, página 49

[12] Ibidem 7, página 80

[13] Competitivo, em função da busca pelo conhecimento;

[14] Pensamento sofista citado no diálogo por hora estudado;

[16]  O “mal” é prejudicial quando não utilizado corretamente;

[17] Nota: Para Sócrates, reafirmo, todas as qualidades espirituais não são em si mesmas nem úteis, nem nocivas, mas tornam-se uma outra coisa quando exercida com ou sem prejuízo. E a virtude, por ser útil é uma espécie de juízo.

[18] Percebo que o que ele quis dizer neste momento é que não há professores de virtude e sim de matemática, física, química, ciência naturais, etc. Mas  não existe a possibilidade de se criar uma ciência, onde haveria o ensino e os alunos, veja na nossa atualidade temos a ciência da computação, que na época não existia, mas fora desenvolvida e hoje habita no hall das ciências.

[19] Ao escrever equívoco, fico atenta ao fato de Sócrates tê-lo feito propositalmente a fim de desenvolver o diálogo.

[20] Personagem da mitologia que teria sido arquiteto,construtor das velas dos navios,do nível, da serra e do labirinto de Minos, as estátuas de Dédalo,a que Sócrates se refere no diálogo, designam as estátuas de um novo período da estatuária grega, de tipo liberto dos cânones das xoanas primitivas. Dédalo teria sido o primeiro a apresentar o nu na escultura e as suas estátuas denotam já uma atitude de marcha, o que se opunha à imagem estática da plástica primitiva.

[21] Platão, Diálogo: Menon, Banquete, Fedro, Tradução Jorge Paleikat, página 73, Ediouro Publicações, Rio de Janeiro, 1996;

[22] Ibidem 21, página 75

[23] A Maiêutica Socrática tem como significado “Dar a luz (Parto)” intelectual, da procura da verdade no interior do Homem. Sócrates conduzia este parto em dois momentos: No primeiro, ele levava os seus discípulos ou interlocutores a duvidar de seu próprio conhecimento a respeito de um determinado assunto; no segundo, Sócrates os levava a conceber, de si mesmos, uma nova idéia, uma nova opinião sobre o assunto em  questão. Por meio de questões simples, inseridas dentro de um contexto determinado, a Maiêutica dá à luz idéias complexas. A maiêutica baseia-se na idéia de que o conhecimento é latente na mente de todo ser humano, podendo ser encontrado pelas respostas a perguntas propostas de forma perspicaz.A auto-reflexão, expressa no nosce te ipsum“conhece-te a ti mesmo” – põe o Homem na procura das verdades universais que são o caminho para a prática do bem e da virtude.(Inn: wikipedia.org/wiki/Maiêutica)

 

[24] Conjunto de ensinamentos de Aristóteles e Thales de Mileto, no século XII, que pode vincular um determinado momento, as práticas discursivas que dão origem a certas figuras epistemológicas. A episteme não é um conhecimento, nem uma forma de racionalidade, nem tem como objetivo construir um sistema de postulados e axiomas, mas pretende viajar um campo ilimitado de relações, o retorno, continuidades e descontinuidades.A episteme não é uma criação humana, é sim o “lugar” onde o homem é instalado em um local em que conhece e age de acordo com as regras estruturais da episteme (inconsciente). As ciências humanas são parte da episteme moderna, que marca o limiar da nossa modernidade. A episteme moderna elaborou o perfil do homem que “faz a sua história” porque é o episteme que torna um homem assim.O fim do homem é o fim da episteme, em que o homem é o objeto principal de conhecimento. Na episteme não intensidades sem fim e é a realidade em um dado momento. Esta estrutura compensa o homem na construção do mundo. O conhecimento não é metódica, mas também social, ideológica, coletivo, empírica, e assim por diante.É do conhecimento metodologicamente construída em oposição às opiniões individuais.(inn: http://pt.wikipedia.org/wiki/Episteme)

[25] Karl Raimund Popper, filósofo da ciência austríaco naturalizado britânico. É considerado por muitos como o filósofo mais influente do século XX a tematizar a ciência. Foi também um filósofo social e político de estatura considerável, um grande defensor da democracia liberal e um oponente implacável do totalitarismo.Ele é talvez mais bem conhecido pela sua defesa do falsificacionismo como um critério da demarcação entre a ciência e a não-ciência, e pela sua defesa da sociedade aberta.(Inn: http://pt.wikipedia.org/wiki/Karl_Popper)

 

[26] Xenófanes de Cólofon, filósofo grego. Escreveu unicamente em versos em oposição aos filósofos jônios como Tales de Mileto, Anaximandro de Mileto e Anaxímenes de Mileto.Da sua obra restaram um centena de versos. A sua concepção filosófica destaca-se pelo combate ao antropomorfismo, afirmando que se os animais tivessem o dom da pintura, representariam os seus deuses em forma de animais, ou seja, à sua própria imagem. As suas críticas à religião não tinham como objectivo um ataque pleno à dita mas, “dar ao divino uma pura e elevada ideia: o verdadeiro deus é único, com poder absoluto, clarividência perfeita, justiça infalível, majestada imóvel; que em pouco se assemelha aos deuses homéricos sempre a deambular pelo mundo sob o império das paixões”, ou seja: só existe um deus único, em nada semelhante aos homens, que é eterno;

 

[27] A visão inatista defende que os seres humanos nascem programados biologicamente para falar, assim como os pássaros para voar. A linguagem se desenvolve naturalmente nas crianças. O ambiente contribui com que as pessoas falem uma língua. O resto a criança faz por si só. Para isso, aciona inconscientemente um mecanismo cerebral que, supostamente, contém um conjunto de princípios válidos para todas as línguas humanas.

 

[28] Inn:, POPPER 1982, Conjecturas e Refutações, Introdução/ As Origens do Conhecimento e da Ignorância, seção IX, p. 42

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Published in: on 1 de maio de 2014 at 4:43  Comentários desativados em PAIDÉIA-APENAS ALGUMAS OBSERVAÇÕES – (RLessa/Mai/2014)  
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BECKETT – ” TEXTOS PARA NADA” – ROBERTA LESSA


Imagem: Recolhida na internet. Sem referências de autoria.

BECKETT – Imagem: Recolhida na internet. Sem referências  autorais.

“É o Fim que confere o significado às palavras. Apenas as palavras quebram o silêncio, todos os outros sons cessaram. Se eu estivesse silencioso, não ouviria nada.Mas se eu me mantivesse silencioso, os outros sons recomeçariam, aqueles a que as palavras me tornaram surdo, ou que realmente cessaram. Mas estou silencioso, por vezes acontece, não, nunca, nem um segundo. Também choro sem interrupção. É um fluxo incessante de palavras e lágrimas. Sem pausa para reflexão. Mas falo mais baixo, cada ano um pouco mais baixo. Talvez. Também mais lentamente, cada ano um pouco mais lentamente. Talvez. É-me difícil avaliar. Se assim fosse, as pausas seriam mais longas, entre as palavras, as frases, as sílabas, as lágrimas, confundo-as, palavras e lágrimas, as minhas palavras são as minhas lágrimas, os meus olhos a minha boca. E eu deveria ouvir, em cada pequena pausa, se é o silêncio que eu digo quando digo que apenas as palavras o quebram. Mas nada disso, não é assim que acontece, é sempre o mesmo murmúrio, fluindo ininterruptamente, como uma única palavra infindável e, por isso, sem significado, porque é o fim que confere o significado às palavras.”

(Samuel Beckett, in ‘Textos para Nada’)

 

FILOSOFIANDO IDÉIAS

Um diálogo quase que impertinente com Becckett

Imagem: Recolhida na internet. Sem referências de autoria.

Imagem: Recolhida na internet. Sem referências de autoria.

Uma das questões que mais me chama atenção em fatos como esses que correm soltos à bailar pela mídia global, e que por hora sigo dando minhas patacoadas(*), é essa febre incessante do “se mostrar ser”, do “se utilizar de”, do “se desgastar até que”. Venho de um período de presenças sociais,  de atitudes em níveis diferenciados e sem essa absorção dos fatos como mais um produto a se consumir, consumar e descartar.

Fora um um tempo em que vivenciava ideologias embasadas em outras óticas e não como verifico em alguns muitos casos em nossa sociedades atual, onde um de música que vira hit populesco; que anti semitismo não era fonte de renda de uma étnica descendência daqueles que sofreram realmente nos campos nada floridos mas concentrados dos horrores de uma guerra; onde um caipira era modus vivendis e não criação aloprada comercial onde se  representa e traveste pessoas sem identidade de causas; onde reivindicar era ato de fato de  origem em consciência individual aliada à um coletivo e não maquilagens sociais corporificadas em etiquetas oriundas de boutiques de “felizes e entediadas” esposas de uma sociedade que se mantém da aparência pré fabricada e muito bem estruturada para a manutenção desse estado digamos, saudável.

Imagem: Recolhida na internet. Sem referências de autoria.

Imagem: Recolhida na internet. Sem referências de autoria.

O mecanismo gerado pelas pessoas oportuniza a apropriação funcional e cotidiana que  tende a descaracterizar sérias questões que deveriam ser consideradas, analisadas, repensadas e quando necessário, modificadas no pensamento,, atos e palavras de um coletivo em que existem e ou se manifestam. São questões, entre tantas outras como: homofobia, etnia, gênero, política e  miríades de situações que vão se aglomerando, confundindo-se entre si, e perdendo sua real propositura.

O esquecimento é um alerta à vida, pois quem esquece a memória, a história, não se contextualiza e nem tece idéias à respeito de nada, pois multi diversifica à tal forma as questões, que ocorre a deformação circunstancial que transforma duvidosos e questionáveis conceitos naquilo que virá a se tornar absoluta verdade no processo de evolução; que deveria ser  livre e consciente no indivíduo, mas que  re significando torna-se fonte de consumo no coletivo cultivado para a não reflexão.

Imagem: Vsevolod Mikhailovich Shvayba Inn: http://www.shvayba.com/index.php?ln=ru

Imagem: Vsevolod Mikhailovich Shvayba Inn: http://www.shvayba.com/index.php?ln=ru

Essa inércia operante consome até esvaecer, as questões diversas depositando-as hermeticamente em compartimentos  que por hora chamo banalismo. O coletivo se anestesia e não mais sente/percebe/reflete questões que envolvem o cidadão e sua atuação no meio que está inserido e atua.

Os chamados e “instituídos legalmente” comandantes desse coletivo, que por hora ouso chamar de deste grande teatro cínico da vida; que deveriam sim governar sob a bandeira do bem servir, manipulam muito bem e intencionalmente todos nós, se apropriando das questões em voga e as utilizando à seu favor. Fato é que no meio disso tudo, para sanar um pouco a pressão social que pode vir a emergir de tempos em tempos, eles permitem breves e mínimas aberturas da válvula social para que ocorra no coletivo o engodo que alivia, mas não efetiva a cura social.

Tais imposturas governamentais, aliadas aos pares que dominam as finanças da sociedade, servem de escape para que não haja uma real explosão ou implosão de ideias e ideais que fugiria a humanidade do controle social que é submetida.

Imagem e texto recolhidos na internet. Sem referências de autoria.

Imagem e texto recolhidos na internet. Sem referências de autoria.

SILENCIO-ME OU MACULO A PALAVRA E O SENTIDO DA ESCRITA?

Quantas pessoas tem realmente consciência politizada na sociedade vive?

Quantas dessas realmente se engajam sem interesses político partidários?

Dentre essas, quantas que, se leitas fossem, fariam de sua ações, a confirmação das palavras tão bravamente “urradas” em passeatas, atos cívicos, entrevistas midiáticas?

VIVA ZAPATA! (**)

 

Os Lamarcas (****) existenciais de plantão que me perdoem mas presenciei também o poder subir à cabeça de muitos “companheiros” pseudo “bolchevique tupiniquins” e que agora ensimesmados, agem de forma a  manter -se na segurança dos benefícios lucrativos alcançados às “duras penas” através muitas vezes da auto prostituição voluntária,  utilizando-se  do eterno fervor de uma massa que anteriormente compunha e que é transformada novamente em uma mecânica de manobras para que atinja seus fins individualistas.

Fazem uso e até instauram eficazes sistemas de implantação da ausência da memória coletiva; e também difundem conhecimento artificializado ideologicamente transformando em fato histórico entre jovens adolescentes, instigando neles um pseudo heroísmo sensorial, haja vista poucos se dedicarem à leituras mais complexas e profundas, buscando  a reflexão da conjuntura que estão inserido.

Transformam nossos jovens em muitos “heróis sem causas”, mas com as faces muito bem maquiladas, que se deixam consumir e consomem marcas de modas vigentes e sazonais, deixando sempre à mostra as etiquetas caras para seu padrão de vida, mas que saciam o desejo de mesmo que por instantes seja seu corpo visível, consumível, utilizável enquanto outdoors em suas frequentes selfs  postadas diariamente à serviço de um ego que só não é maior, por que choca com outros egos, seus pares, e também muito inflados pela inconsciência voluntária ou não.

O que nos resta a não ser observar esse novo exército, quase que imbatível, e muitas vezes cruel e sagaz em suas posturas nada solidária e pacífica, que a nova forma ditatorial tão bem articulou nessas décadas de aprendizado de utilização da sutileza silenciosa que corrói gradual e sistematicamente as estruturas de resistência humana tornando-nos servos e defensores desse sistema quase que indestrutível.

SOMOS COBAIAS DESSES SEMI DEUSES E SEQUER O ADMITIMOS SER.

Imagem: Recolhida na internet. Sem referências de autoria.

Imagem: Recolhida na internet. Sem referências de autoria.

Algumas notas necessárias:

(*) –  Que o saudoso proseador Cornélio Pires me perdoe , mas  esse termo ouso também utilizar ,  contextualizando -me nele e ele em mim, afinal a arte assim nos permite;
(**) – Viva Zapata é referencia ao filme estadunidense feito na década de cincoenta, utilizando o gênero faroeste. Dirigido por  Elia Kazan, foi escrito por John Steinbeck e Edgecumb Pinchon;
(***) – Emiliano Zapata Salazar foi um líder na chamada revolução mexicana do ano de 1910 contra a ditadura de Porfírio Díaz. Considerado um dos heróis nacionais mexicanos. Era conhecido como Caudilho do Sul. Inn: http://pt.wikipedia.org/wiki/Emiliano_Zapata;
(****) – Referencia à Calos Lamarca, um dos líderes da oposição armada à ditadura militar brasileira, instalada no país em 1964. Capitão do Exército Brasileiro, desertou em 1969 tornando-se um dos comandantes da Vanguarda Popular- VPR, organização da guerrilha armada de extrema esquerda que combatia o regime. Elevado à condição de ícone revolucionário do socialismo e da esquerda brasileira, foi condenado pelo regime militar como traidor e desertor. (…). Inn: http://pt.wikipedia.org/wiki/Carlos_Lamarca.
NOTA: Peço que se souberem da autoria das imagens, por favor some com o blog para podermos ser corretos e citar a fonte. Grata.
Published in: on 5 de abril de 2014 at 11:24  Comentários desativados em BECKETT – ” TEXTOS PARA NADA” – ROBERTA LESSA  
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SOBRE ÉTICA – (RL/Fev/2014)


 PEQUENAS BASES EPISTEMOLÓGICAS DA ÉTICA HUMANA

 

Opera enquanto geração de uma teoria de conceitos (conhecimentos) em contraposição ao sistema clerical que enfatiza conceitos gerados pelo sobrenatural, por uma entidade superior ao homem; dignificando a ética enquanto posturas relacionadas às potencialidades do ser humano enquanto ser racional e provido de desenvolvimentos de conceitos e atos éticos operando no meio que vive de forma racional e consciente libertando-se da apropriação de seu ser enquanto produto social. A humanidade do indivíduo há de ser considerada naturalmente e essa natureza é fonte de modificação de conceitos éticos operantes, voltando-se o homem o centro do pensamento e ética humana. Estabelece-se uma teoria de oposição à teologia e à metafísica, propondo substituição de padrões éticos, morais , políticos, gerando conceitos filosóficos voltados à valorização histórica e contextual do ser humano, para que haja maior compreensão  dessa sua historicidade (afetiva, racional).

METODOLOGIA PARA COMPREENSÃO DA ÉTICA MODERNA

 

Determinadas metodologias oportuniza estabelecer hábitos sociais e desenvolvimento de características valorativas  de conceitos que influenciarão na formação do caráter do indivíduo e suas ações no coletivo através de  conceitos a serem avaliados gradual e sistematicamente de acordo com os valores por eles concebidos. O método restringe condutas direcionando-as de acordo com os conceitos e direcionamento sociais vigentes. Na modernidade a investigação re significa  os valores dessa conduta enquanto fundamento reflexivo, investigativo gerando dessa forma uma consciência embasada na ciência, em métodos que priorizam a formação de juízos éticos  que evidenciam a crítica  contínua e constante. Com a modernidade a metodologia volta-se para a individualização das prioridades filosófica, ocorrendo a dessacralização da cultura, da religiosidade e do conhecimento desenvolvido, bem como tecendo crítica à teorias epsitemológicas, ocorrendo dessa forma o surgimento de novos conceitos científicos voltados ao desenvolvimento tecnológico para sanar  as emergências sociais que eram ocultadas  pelos dogmas usuais que estagnavam o desenvolvimento dos saberes e da sociedade. Ao se desenvolver novas metodologias de pensamentos éticos para a solução de tais questões rompe-se a estrutura vigente o que permite aos indivíduos gradativamente a oportunidade de se estabelecer novas buscas conceituais de saberes, rompendo também o monopólio gerado pela epistemologia operante no período pré moderno que tinha enquanto base conceitos de origem divinais e metafísicos. Tais métodos, criticamente falando também geraram  crises existenciais  que direcionaram  à negação de uma provável dignidade  pessoal que busca uma sociedade utópica e tão esperada pelo coletivo (a salvação, o homem perde sua estrutura mítica que elevava a esperança num futuro bem vindouro); gerou também regimes totalitários nessa período moderno, foram aproximadamente duzentos anos de adaptação para que houvesse aceitação da transição desses novos conceitos, por parte da ciência;operacionalizando a ruptura da hegemonia dominante e eclesiática. Paralelo a isso um fervor se  instalava e que direcionava a humanidade a novos saberes, novas conquistas em diversos segmentos sociais. Métodos  adjacentes e voltados à ética e à filosofia eram implantados que estabeleceram critérios e tentativas de conscientemente  romper com o sistema aristotélico tomista (monopólio do período até então), tal método dedutivo, indutivo se preocupava  em garantir segurança ao conhecimento objetivo e crítico da realidade.

DIFERENÇA: ÉTICA RACIONAL, EMPÍRICA E CRÍTICA

 

ÉTICA NO RACIONALISMO

Empregando a lógica para se concluir um fato enquanto verdadeiros, falso ou provável voltando-se sempre para questões referentes ao interesse do coletivo, dessa forma direciona a ética para padrões organizacionais da sociedade onde o Estado (liberalismo) é influencia operante e que direciona os padrões dessa ética para resolução da problemática da economia, urbanismo, gerando soluções eficazes e tecnicamente avaliadas intelegivelmente antes de sua implantação no sistema social e cartesiano, tendo como base encontrar certezas sustentadas pelo conhecimento gerados pela razão.

ÉTICA NO EMPIRISMO

Tendo como base o experimento enquanto ferramenta para o desenvolvimento dos saberes enquanto ciência, o empirismo desvia seu olhar para questões referenciadas  em idéias natas, sendo os saberes e padrões éticos um desenvolvimento oriundo das percepções das coisas, suas causas e efeitos, gerando métodos  para tal ato de observação, negando a intuição e a fé estabelecida  enquanto verdade no medievo. A ética é pré estabelecida enquanto tal, através do emprego de “leis científicas”, haja vista considerações a respeito da inexistência de saberes pré existentes no recém nato, e os saberes são construções através de percepções do coletivo, de experiência do sensível, formando assim idéias e conceitos correlatos aos saberes e à ética de forma sistemática Locke considerava o ser humano enquanto construção de saberes e comportamentos e através de experiências isso ocorreria, inicialmente pela compreensão de idéias simples e depois correlacionando-as o que tornariam idéias mais complexas ocasionando o desenvolvimento de conceitos de diferenciado substanciamento. Esse indivíduo torna-se independente da opressão que a fé divina tecia em seu comportamento e repensa a sociedade enquanto relação  para um caminho de ação. A ética dessa forma, no empirismo ocorre  sendo a mesma formatada gradualmente tecendo-se análises sistemáticas  e metódicas tendo como fonte o cientificismo e desprovido de ambigüidade.

ÉTICA NO CRITICISMO

Os valores são avaliados critica e  metodologicamente oportunizando maior conhecimento racional do fato sendo ele fonte de reflexão filosófica afim de estruturar-se os saberes e neles inserir questões éticas concernentes ao conhecimento da verdade tal qual ele é, superando o empirismo e o racionalismo operante. Kant é uma das expressões máximas que direciona o pensamento para a superação da dicotomia dos conceitos existente até então unindo saberes sensíveis (matéria ética) e seu entendimento (forma ética), tendo consciência da limitação da mente humana para o conhecimento da essência das coisas.

Published in: on 28 de fevereiro de 2014 at 13:40  Comentários desativados em SOBRE ÉTICA – (RL/Fev/2014)  
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FILOSOFIANDO IDÉIAS SOBRE OLHOS E OLHARES – Roberta Lessa


Ah, esse meu olhar tão voltado à tradição e se assim não fosse, ela forçosa e simplesmente invadiria pupila a dentro, sorvendo-me sua força ancestral  e impingindo o despertar da necessária consciência de que a herança que me é devida, assim o é, por eu fazer parte dela e ela de mim.

Fonte: Internet Livre

Fonte: Internet Livre

Hoje uma cena inusitada e digna de ser eternizada em fotografia ocorreu diante de meus sentidos: um senhor de seus cem anos, sentado em uma velha cadeira plástica, numa esquina de ruas que se encontram, em meu caso foram vidas a se encontrarem; pernas cruzadas, joelhos já gastos  de vida e expostos pela bermuda  e olhar absorto e ensimesmado, como se a observar com derradeira sabedoria, a ciência de não mais pertencer àquele lugar, aquele cenário que se formou enquanto lá viveu a vida: casa construídas por mãos de familiares já não mais existia, de lugar à nova arquitetura urbana e central da cidade, edifícios surgiam em lugar das árvores a crescer,  comércio no que antes era campinho de futebol.

Fonte:Internet Livre

Fonte:Internet Livre

Sim, tive que parar o carro, desacreditar do que vira e descer levando a máquina fotográfica e um desarvorado correr, quase um quarteirão a fim de que essa cena não se desfizesse feito bruma ao amanhecer, antes que dela fizesse a eternidade presente ao retratá-la. Em estase, detive-me na esquina, antes de atravessar e chegar mais perto daquilo que não me pertencia, devido à sua fluidez cênica, mas que tão somente a mim tinha importância. Chegando devagar, quase em silêncio mental, desacreditando na hipnose auto impingida, abordei o ancião, que me olhou como se dissesse quem é você?

Pedi para tirar uma foto, ele não entendeu, mostrei a máquina, e ele não entendeu, e apresentei, quase que num pedido de desculpas, na sequencia el e me perguntou quem eu era, onde morava, pediu para falar mais alto, pois a surdez física ultrapassou a surdez da vida, e fez morada naquele corpo quase decrépito e tão intensamente vivido.

Desejo de fotos à parte. Adentrei no universo de Antônio, que tem esse nome por causa do santo do dia que veio ao mundo, Antonio de tantas identidades geradas num cotidiano que ninguém além dessa Antônio guarda na memória: Antonio e tradição, uma coisa só.

Fonte: Internet Livre

Fonte: Internet Livre

Invadi o celeste olhar de Antonio, que completará cem anos e com muita história. Murmurei silêncios a ouvir Antônio, que proseou sua vida comigo, contou de sua profissão no Engenho Central de Piracicaba, falou das casas que morou, dos amores que se foram, da profissão e silenciou-se em lágrimas. Lacrimei esperança em Antônio, na tentativa de consolo e por gratidão por dividir comigo lembranças dos seus que se foram.

Fonte:Internet Livre

Fonte:Internet Livre

A foto…

Ficou para amanhã na mesma hora e local, pois ele queria fazer a barba e chorar menos, ficou apenas o olhar que adentrei e que me adentrou, Antônio morou em mim por instantes,  e eu soube recebê-lo por gratidão ao presente dado ao meu olhar de tradição.

Um pouco do muito que ele passou-me, é como se a tradição se travestisse de  novos significados, signos e marcas no corpo de Antonio, justamente hoje Antonio Santo falou comigo e eu com certeza ouvi nele o proseio de  um Santo Antonio. Este momento por mais que quisesse era só meu e de Antonio.

Tem mensagens que chegam à nós e cabe à nós compreendê-las pois muitas habitam as entre linhas dos sentidos….

Numa tarde pra lá de dez liciosa….

Published in: on 12 de junho de 2013 at 0:16  Comentários desativados em FILOSOFIANDO IDÉIAS SOBRE OLHOS E OLHARES – Roberta Lessa  
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DE(Z)ABAFOS – (RL/Nov/2012)


PEQUENA TENTATIVA DE BUSCA DE SI MESMO

       Questão: Como escrever um texto-repúdio, sem que seja interpretada como uma rebelde sem causa?

       Chego a (in)conclusão de que a falta de compreensão é algo a ser considerado por aquele que, limitado pela inércia da vontade de sair de si para compreender o outro; julgam o que escrevo e sou sem ao auto oferecer a oportunidade de acesso às  diversificadas óticas daquilo que por ele é pre estabelecido enquanto rudimentar paralelo com a insanidade e inconformismo. A partir disso, ouso por seguir em frente e vicejar pelo universo de percepções por mim adquiridas.

Fonte: Roberta Lessa

Questão: Vale o preço pago por se dizer aquilo que se acredita ser efetivamente necessário para a vida de cada indivíduo?

       Em meio ao cotidiano que consome tentativas de raciocínio lógico e posturas munidas de padrões coerentes com o que se crê ser real ao que se deseja viver realmente, é necessário procurar aliar a angústia da consciência da condição humana imperante, com o que se busca enquanto verdade e interesse social. 

Fonte: Roberta Lessa

        Questão: O que é o poder se não o exercício da nulidade do pensar sobre o outro que se domina?

       Um verdadeiro ato de fortaleza reside em evitar moldar a capacidade crítica e de criticidade em potência do outro, de acordo com a necessidade de continuidade do domínio por sobre ele. É necessário liberdade, mesmo que ela direcione em direção oposta ao que se é estabelecido. Quando se opõe à essa prática, a prática da liberdade, colabora-se com a manutenção daquilo que é usual, mas que é desprezível pelo fato de se banalizar a existência e os saberes do ser dominado.

Fonte: Roberta Lessa

       Questão: Somos realmente livres ou fragmentos  de uma humanidade oprimida?

   É necessário sim o respeito dos ideais, escolhas e pensamentos de todos, mesmo que não sejam semelhantes  e até mesmo antagônicos. Se por hora um grupo, segmento social ou indivíduo está no poder, é imperativo que saiba exercê-lo com  respeito e a prática contínua do diálogo com aqueles que optam por escolhas diferentes. Também é preciso considerar que todos fazem parte desse universo humano e tem direitos à viver e agir civilizadamente nesse coletivo que pertence.

Fonte: Roberta Lessa

       Questão: Por que o exercício da liberdade é talhado à opressão? 

      Há os que preferem olho no olho, verdade e coerência no agir, pureza e certeza no falar;  do que a fórmula já desgastada mas tão usual de controle social  que se traveste de posturas que permeia o envio de recados dados através de “subalternos”, mensagens muitas vezes subliminares de aparência inocente, mas que na realidade são articulações para manobra e ordenação de obediência.

Fonte: Roberta Lessa

   Questão: Haverá mesmo a Lei de Causa e Efeito?

      Mas para a sociedade respirar com maior ritmo e leveza um ciclo de acontecimento se estabelece onde, em determinado momento, aquele momento de orçada reflexão que oportuniza a retomada de valores que gera mudança e inversão do que é estabelecido, e aquele ser rastejante, subordinado, servil, cordial e  dominado por quem oprime e o faz de centurião mantenedor de seu poder, romperá, de forma voluntária ou não, sua servidão e pisará na sombra de quem o fez de joguete social. É neste exato momento que fica nítido à todos a máxima metafórica de que ao se aliar à vermes, certamente por eles será devorado.

Fonte: Roberta Lessa

       Questão: Qual o verdadeiro respeito e dignidade que deve ser estabelecido, o aparente e ideológico ou o monido  do real sentimento e raciocínio  de convivência entre as partes ?

       Por outro lado verifica-se que quando ocorre respeito aos que tem valores diferenciados daquele que tem o domínio nas mãos (necessário notar que não comentei sobre lideres, mas sobre ditadores: os declarados e os que o são com legitimidade da manipulação social), se assim o for, certamente ocorre oportunidade de aprender a conviver com as diferenças e respeito com tudo e todos, principalmente com aquele que por temor de perder  o poder, considera eterno inimigo e não como escola de vida e integrante do mesmo planeta que habitas.

Fonte: Roberta Lessa

       Questão: Onde chegarei?

      Nem eu saberei, pois faço parte de um grupo de pessoas  que muito do que são, falam, pensam, vivem ou escrevem, incomoda tanto pela forma quanto pelo conteúdo, pois o são espelhos da condição  social.  São seres contestadores e provocadores que essencializam a modificação do que é estabelecido e  ampliam a possibilidade de se estabelecer nova e diferenciada clareza do pensamento e do ser social. Aliás, a maioria das falas desses seres provocadores, e eu me incluo entre eles, sem falsa modéstia  não provocam ou motivam tão somente apoio, elogios, admirações, mas também desconforto, incomodo, dissabores, e por isso ocorre o  vilipendiar, o isolamento,  acusação de ser anti social, perseguição. Hoje percebo que todos valores merecem ser também respeitados, mesmo os que por hora desacredito com ideal para minha realidade; a vida me ensinou a tomar essas posturas, mas jamais deixar-me diluir o que sou no que considero o lodo das idéias.

Fonte: Roberta Lessa

       Questão: Liberdade è uma conquista?

       Quando os valores são abastecidos pela ética, bom senso, e percepção de sua total mutabilidade, ocorrerão aberturas à novos saberes.  A criticidade operante em muitos seres, habita também minhas falas felinas, o que incomoda de fato os que fazem jogos sociais para se manter onde pensam que é um bom lugar. É necessário  cessar o hábito de subjulgar, prejudicar, manobrar, manipular, dominar, valorizando os saberes contidos em cada ser. A liberdade é como um pássaro livre  que pode temporariamente ser aprisionado, mas jamais lhe será retirado o sabor da liberdade que escorre pelo bico.

Fonte: Roberta Lessa

 

CONCEITO DE LIBERDADE EM ESPINOSA (RL/09/11)


Imagem Coletada na Internet

LIBERTAS!

Quantas e quantas são às vezes que o indivíduo se depara com o insólito e traz para si fomento a liberdade?

Mas realmente busca essa liberdade, e o que conduz esse indivíduo à reflexão, à percepção diferenciada daquilo que vivencia em seu cotidiano?

O que alicia esse ser que ousa se introduzir no reino dos pensantes? Será, a partir dessa ação, como mãos condutoras, amaldiçoadas pelo efeito de suas causas diante este questionar?

Haverá ainda, um condutor e será ele tão oculto que não nos damos conta de sua existência na nossa própria pelo fato de desejarmos seu amparo, que sedie nosso momentâneo e talvez pseudo livre pensar?

Esse condutor oculto realmente existe? Segundo Spencer[1]:  “A liberdade de cada um termina onde começa a do outro ”         

 Mais sejamos mais específicos então: a liberdade político social é aquela imposta e legalmente permitida, licenciada, ou a real possibilidade de um indivíduo concatenar idéias perante diferentes posicionamentos que cotidianamente se apresenta?

“A livre comunicação dos pensamentos e opiniões é um dos direitos mais preciosos do homem; todo cidadão deve, portanto falar, escrever, imprimir, livremente, devendo, contudo responder ao abuso dessa liberdade nos casos determinados pela lei.” [2]

Mas que liberdade é essa? Haverá necessidade de sua imposição através de legislações pré-estabelecidas? E se não acatadas o indivíduo deixa de pertencer a um meio, sendo propendido ou até mesmo obrigado a sobreviver em outro habitat?

 Não cabe nesta feita “eticritizar” (peço desculpas pela “liberdade” que me dou, oportunizando-me licenças poéticas: ética + crítica), ou melhor, estabelecer um parâmetro diferenciado e crítico de valores éticos dessa questão? Quem sabe caberá a Descartes dar sentido frente a conceitos tão próprios e pessoais:

“A liberdade consiste unicamente em que, ao afirmar ou negar, realizar ou enviar o que o entendimento nos prescreve, agirmos de modo a sentir o que nenhum momento, qualquer força exterior nos constrange.” [3]

É permissível filosofar sobre o assunto, sobrevoando conceitos antagônicos ou não, numa questão que estruture o exercício do pensar no caráter do indivíduo, ou então psicologizar, no limiar da insanidade daquele que “nietzschiza” valores já cristalizados, num desvairado exercício que tende a desatar-se das incompletudes dicotomizantes do bem e do mal, ou realmente tudo está muito além desses conceitos?

É impossível ludibriar o livre pensador, pois quando se alcança essa liberdade, o indivíduo é alado de tal forma que jamais descansa à sombra da árvore da satisfação. Não mais saciará essa fome pelo real sentido que o faz sentir liberto, pois o pensamento livre torna-se desafiadoramente inalienável, pois é fruto único e exclusivo de seu ser.

Será o caminho da liberdade a descrença em Deus, que nos tornaria imune à força por Ele exercida, impelindo-nos a expor declarações que contrarie o que fora por Ele estabelecido? Ou e não, essa normativa divina será verdadeiramente oriunda desse Deus fragmentado e gerado por parcela de nossos pares humanos, que força-nos à submissão de toda mesquinhez humana?

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 Enfim, nesse turbilhão de questões, resgato das entrelinhas do texto a liberdade do pensar, o que significa lutar pela liberdade de expressão do pensamento próprio. Somente aquele que ousa ser libertário é que defende uma prática de liberdade absoluta e irrestrita do indivíduo, não aceitando nenhuma autoridade moral, política ou religiosa.

 Na tentativa de “espinozear” tais conceitos de liberdade, resgato das entrelinhas desse estudo a compreensiva e justificável advertência de que nada nos resta senão gerar um ponto de partida que fixe direcionamento à liberdade do pensamento, pois é esse o sêmen que fomenta uma árdua e dolorosa práxis que certamente se oporá às imposições contidas pela tirania hora imposta do homem-Deus pelo homem.

  Espinoza, Spinoza, Baruch, Bento, Benedictus, o que importa não são os nomes, mas o que está contido em sua escrita, que transcendeu o tempo e neste momento sobrevoa minha fala…

   Idéias se ligam… Concatenam-se, em uma vivência simbiótica que, compacta, alude, impacta e principalmente impulsiona o movimento da vida.Enfim…

Não há diferença entre o ser do homem e seu ser livre.” [4]

No que se refere à filosofia espinozana, pode-se afirmar a certeza dela habitar a esfera do racional em detrimento da total exclusão decorrente das superstições às quais o homem encontra-se atado, eis implícito seu conceito de liberdade aliado ao pensar liberto dos dogmas que aprisiona qualquer seqüência de raciocínio lógico. Ao se concluir esse fato, vislumbra-se um diagnóstico que nos remete à consciência da existência de meandros que impulsiona-nos à prisão do raciocínio, impedindo dessa forma o gerar um posicionamento que fomente a postura crítica necessária que contribua para a desalienação das crenças cegas no oculto, bem como a independência para com o livre pensar agir e acreditar.

                        Nosso pensador em questão se esmera na busca da causa que leva o homem à superstição que o aprisiona, e por conseqüência o conduz ao irracionalismo, gerando um círculo vicioso co dependente que o aprisiona e o cega para a liberdade. Espinoza detecta o temor e a esperança do futuro, enquanto chave mestra que embota o livre pensar do indivíduo, salientando um mecanismo de crença cega em fatos bons que possam não ocorrer ou então algo muito mal que possa ocorrer, caso o home aja dessa ou daquela forma que agrega ou não a sociedade em que vive e que pré estabeleceu sistemas operantes. A superstição gerada no temor ou ignorância, conduzirá o homem ao cumprimento, pela fé cega, dos deveres, quimeras que lhe será impostas, aprisionarão também o indivíduo ao tempo, pois lhe é alimentada a esperança de um futuro de recompensas pelos penares a que é submetido.

SUPERSTIÇÃO

Essa superstição é causada pelas expectativas negativas ou não, dos fatos de do cotidiano o qual o indivíduo encontra-se inserido, verifica-se que tanto o medo quanto a esperança são fortes aliados para a manutenção desse sistema que se desenvolve através da manipulação da:

 IMAGINAÇÃO[1]

 Devido a essas expectativas, o homem torna-se incapaz de compreender as Leis criadas e necessárias para a ordem universal, e essa incompreensão o conduz à aceitação de suas limitações enquanto agente de mudança social, tornando-o passivo, limitado e principalmente desprovido do exercício da liberdade do pensar. Podemos afirmar:

É o início da inversão de seus valores, onde se cria, em função dos limites da incompreensão humana, um universo que sacie seus caprichos e preencha seus vazios, em função da manutenção da sociedade com normas estabelecidas e imutáveis.

  Segundo Espinoza, a imaginação do homem força o indivíduo à necessidade de submissão a uma figura poderosamente suprema que fará dele objeto de seus caprichos. Assim sendo, cria-se esse conceito do divino, estabelecendo os parâmetros limitantes, aprisionando os indivíduos em cárceres sociais que não alimentam o uso de seu lado racional.

 Gera-se um “deus torto

 A finalidade final dessa alegoria divina criada, certamente não é compreensível aos humanos, que se posiciona enquanto espectador inerte e tudo o que Dele surge não nos é tangível, pois não detemos o específico direito ao saber das justificativas de seus atos, sendo justificável apenas o produto final que deverá ser acessado por merecimento e pela obediência servil. Podemos sim associar tal condicionamento ao já conhecido dito popular que cabe nesse momento:

 DEUS ESCREVE CERTO POR LINHAS TORTAS ?

  A institucionalização dessas potências escravizantes se instaura com o estabelecimento da religião, e a mesma se torna útil para determinar e implantar “fórmulas mágicas” que possam aplacar as possíveis investidas furiosas contra o Deus estabelecido e que é fruto da manipulação da imaginação limitada de cada indivíduo e do coletivo que se explora.

Marilena Chauí deixa claro que a imaginação, por Espinoza referida, difere da terminologia que utilizamos cotidianamente, quando escreve em seu livro:

“A imaginação é o conhecimento sensorial que produz imagens das coisas em nossos sentidos e em nosso cérebro, com essas imagens representamos as coisas externas e supomos conhecê-las, mas na realidade, estamos conhecendo apenas o efeito internos (as imagens) das coisas exteriores. A imagem é o que se passa em nós, é algo subjetivo e não nos dá a natureza verdadeira da própria coisa.” [2]

Ao invés do homem fazer uso de sua imaginação para se libertar ele permite ser escravizado. Em outras palavras:

O INDIVÍDUO SE ESCRAVIZA DEVIDO ÀS SUAS LIMITAÇÕES…

… decorrente da falta do conhecer racional, pois o indivíduo está desprovido da consciência das mazelas existentes nas condições a ele geradas.

Com o desenvolvimento da cultura humana e o surgimento da religião, ocorre em função da manutenção do estabelecido, a necessidade de se gerar também guardiões dessa nova forma de sistema social. È criada uma casta de eleitos que são encarregados de manter esse novo sistema:

A eles, e tão somente a eles é dado o acesso as interpretação das vontades divinas. Espinoza nesse momento, também está atento à efemeridade da natureza humana, ocorrendo assim uma adaptação dos temores e desejos de acordo com essa inconstância detectada por estes eleitos. Essa inconstância é habilmente utilizada para enfraquecer os contrários à religião oficialmente instaurada, motivo pelo qual se estrutura tal mecanismo de manutenção do sistema vigente, isolando ferozmente os contrários quando não atingida à meta de domínio da supersticiosa “alma desgarrada”.

“Estabelece-se assim padrões de temores mais estáveis enquanto conteúdo mais abrangível e eficaz em sua forma.” [3]

Urge dessa forma, a necessidade de padronização dos temores humanos, bem como necessidade também de se estabelecer Leis que fixem esses temores, impedindo-os de divagarem pelo terreno do perene e por conseguinte desestabilizar o poderio imposto por essa classe institucionalizada enquanto detentora do saber e por conseqüência do poder.    Artifícios aparentes à parte, ao se estabelecer tais normas padronizadas sob formas de uma pseudo Lei estabelecida pela decodificação humana da vontade divina, há de se convir à necessidade de se articular mecanismos de manutenção da mesma, desta feita, surge em função do desenvolvimento do bem estar social, dando continuidade ao reinado do “divino”. Existe, como podemos perceber se fizermos uma análise de conjuntura do contexto histórico de nossa sociedade, eficazes instrumentos para tal intento. È de bom tom salientar que aquele que tem no temor e a persuasão a mais potente de suas armas estará pré destinado a vitoria. Mesmo que para tal seja necessário cercear a liberdade daquele que é subjugado.

                        Aos seus opositores são destinado castigos físicos, morais e ou psicológicos, sendo ele expurgado do meio em que vive e em contrapartida, aquele que se escraviza pela servidão desse sistema,mantendo-o inquestionavelmente, é contemplado com a regalia de recompensas futuras, regadas pela promessa de ser ele dotado e tocado pelo mais reconfortante “dom” que esse Deus lhe oferece…

A complacência

                        …Que tem a ver com o prazer momentâneo, a satisfação ilusória, mas principalmente com a apreciação e aprovação lisonjeira desse Ser Superior, justificadamente intermediado pelos seus mais absolutos, fiéis, institucionalizados e legais representantes na terra.

INSTAURA-SE A TIRANIA RELIGIOSA!

Como reforço do que por hora se escreve, reafirmo que essa tirania religiosa, alia-se a uma de suas mais eficazes comparsas, a política, e conjuntamente trabalham de forma a reforçar a manutenção dos mais profundos temores humanos, alimentando-os com a preservação da ignorância, e isolando-o do exercício de sua racionalidade, o que o levaria à liberdade do pensar e conseqüentemente à liberdade do agir. Essa liberdade seria a origem de conceitos que afetariam e prejudicariam a concepção estabelecida do conceito de Deus, da natureza e, como escreve Marilena, de cada indivíduo:

“Espinoza defende o racionalismo absoluto, visando à libertação do homem da ignorância que causa o medo e a esperança e o torna fraco, limitado e débil. Ao tornar-se livre, o homem se ocupa também de reflexão mais apurada de suas decisões, ações de acordo com sua própria determinação. O racionalismo absoluto é a confiança na capacidade libertadora da e razão.” [4]

 Para Espinoza, o que é forte contribuição para atingir o racionalismo absoluto, é o desenvolvimento do livre pensar de forma crítica, ética e racional, o que implicaria na modificação irreversível da sociedade já pré estabelecida, pois o homem dessa forma acessaria real e chegaria à verdade sobre a natureza das coisas.  Em seu sentido filosófico, o homem tanto pode ter uma visão de mundo que reforçaria o perfeito acordo entre o racional e a realidade do universo, quanto uma ética assertiva que afirmaria que as ações e a sociedade humana são racionais em seu princípio, em sua conduta e em sua finalidade e por conseguinte munida de liberdade de escolhas e direcionamentos. Dessa forma, segundo Marilena Chauí, avaliando os conceitos de Espinoza, existe duas formas de se alcançar de forma eficaz e transformadora essa tal liberdade de raciocínio, ou em contrapartida, caso esse exercício proposto não se concretize o homem se manteria escravo da submissão ou escravidão, a:

… Através das quais se afastaria as fortes e enganadoras influências religiosas, teológica, política e social, pois o raciocínio supera a imaginação deturpada e atual veículo de limitação da condição humana.

 No que se refere à interpretação das sagradas escrituras, Espinoza afirma que ao se originar de uma mesma raiz religiosa, o judaísmo, o islamismo e o cristianismo, essas religiões afirmam e confirmam a revelação da verdade do Deus, e Este elege poucos e determinados homens que considera como “especiais” para o comando de seus súditos. Por possuírem tal característica, os eleitos certamente decodificam correta e fielmente as revelações (intenções) divinas. Será sua normativa fixar suas idéias próprias, auto concebidas e intencionados, sob forma de escritos divinos, fazendo uso do temos a Deus para estabelecer a vertente que legislará a sociedade, determinando os códigos de conduta, comportamento e servidão, extinguindo assim a liberdade de cada indivíduo que se submete. São normas institucionalmente implantada no indivíduo através de seu imaginário, fiscalizando –se através de escrituras sagradas:

Sacraliza-se assim o texto, divinizando, pelo temor ao seu imaginário, de forma a forçar seus séquitos a seguirem tal Lei instaurada em decorrência do medo efetivado em cada indivíduo.    Diante disso Espinoza afirma que a teologia opressora se instala, mantendo seu poder, fazendo uso da política em função do religioso. E saber interpretar as nuances diretrizes das Sagradas Escrituras é um artifício que requer do pensador libertário, conhecimento em filologia, em história e principalmente o domínio da retórica hebraica, pois a partir daí, se obtêm uma análise crítica que certamente levará o estudioso ao reino do racionalismo.

Portanto, uma profunda e detalhada análise de conjuntura se faz necessária para uma boa e reflexiva compreensão dessas escrituras. Saliento que é também necessário o conhecimento da psique dos autores desses textos, pois os mesmos deixaram marcas profundas de seu inconsciente e intenções no que fora escrito. Para complementar, é necessário também uma análise detalhada das condições sócio culturais de todos aqueles para quem as escrituras foram destinadas, pois dessa forma é que se limitou sua liberdade.

Espinozaem seu Tratado Teológicopolítico, remete-nos à conceitualização de uma consciência de que inexiste o mistério religioso, pois neste mistério é decorrente das limitações interpretativas da história e também da incompreensão dos signos de uma língua dizimada no momento da destruição do Estado Hebraico.

Outro fato é o engenhoso processo instaurado pelo temor de um povo liberto do cativeiro egípcio, para novamente ser dominado ou dizimado por um povo de potencialidade de dominação superior a sua. A auto proteção ocorre gerando e fortalecendo o conceito de um Deus mais poderoso que o de seus inimigos através de suas Leis anteriormente estipuladas.

  Desta feita, interpreta-se a Bíblia como uma forma de legislação criada para a compreensão limitada e superficial de uma população abastecida pela ignorância, popularmente devota e que não lhe é permitido acesso a conhecimentos mais universais e abrangentes de sua posição sócio religioso cultural. Neste caso a bíblia é direcionada de forma pragmática fortalecendo e estabelecendo dogmas para restringir a liberdade da população judaico cristã.O regionalismo direcionado é um visível determinante na interpretação de Espinoza, segundo ele, Moisés, articulou uma maneira eficaz para que seus escritos fossem seguidos à risca; dando a autoria a eles a um Deus que vigia e pune as desobediências através da imaginação de um povo desprovido do raciocínio lógico. Esse Deus destinava aos profetas a função de manter, vigiar e direcionar as ações de todo um povo, e só a eles direcionava suas vontades a serem determinadas e cumprida pelo seu povo fiel.

  A Bíblia de forma alguma era visava uma compreensão acerca da verdadeira essência de Deus e do Homem, pelo povo e isso era mantido; nem mesmo padroniza questões morais universais, mas alimenta no crente hebraico uma política voltada ao seu Estado, o que nos transporta para a idéia da utilização da Bíblia enquanto documento filosófico e limitante, ideológica e politicamente. Instaura-se a fraude no lugar que de direito seria a verdade, padronizando a superstição em função da vontade tirânica de reis e sábios teólogos. Sob a questão da Correção do Intelecto, Espinoza afirmaem seu Tratado da Correção do Intelecto que o auto conhecimento diferenciado da dominação do intelecto pela imaginação fomenta o exercício da liberdade.

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  É através da reflexão que o indivíduo se capacita para atingir o conhecimento verdadeiro, desvinculando-se do forte poder da imaginação que produz em nós efeitos das causas externas, o que impede o auto conhecimento.

 

IMAGEM: AÇÃO EXTERNA DAS COISAS SOBRE NOSSO CORPO

 

IDÉIA: AÇÃO INTERNA DE NOSSO PRÓPRIO INTELECTO

As imagens que Espinoza se refere como portadora do engano da compreensão do verdadeiro pelo homem, origina-se dos sentidos primários: tato, visão, olfato, audição, paladar; enfim são sensações que por diversas vezes nos são interiorizadas enquanto verdade, mas que nos direciona a ignorância e com isso instaura-se julgamento errôneos, ou melhor dizer equivocado da verdade e isso é utilizado para que cada indivíduo submeta seu livre pensar à inércia, ocasionando assim a falta de liberdade através do intelecto.Enquanto a idéia é a forma do intelecto apreender o que há de mais íntimo na natureza, é através dessa essência que o ser tece interligações lógicas e propícias ao desenvolvimento do intelecto, o embotamento desse exercício intelectual se verifica instigando no indivíduo a importância plena e real da posse exclusiva dos bens desejáveis e é com essa forma de alienação, desviando o real sentido da vida substituindo-o com desejos de bens a se adquirir.

A imaginação detém a felicidade no acúmulo de coisas, e é inserido no mental do social coletivo concepções que não tê-las certamente nos transportará a não realização de uma felicidade plena, verificamos novamente a inversão e ou distorção de valores. O homem não desejando a perda dos objetos de seus desejos, que imagina ser o único e verdadeiro condutor para a felicidade, lança mão da batalha pessoal e social pela liberdade do pensar independente para voltar-se ao acúmulo e posse de bens perenes e muitas vezes prejudiciais e escravizantes.Espinoza afirma também, ser a felicidade e a infelicidade dependente da qualidade do ser ao qual se ume, e afirma a criação de um vínculo inseparável entre esses seres.Então se apaixona pelo perecível, automaticamente a felicidade se efemeriza em função da possibilidade do desejo do outro. Para opor-se a essa manipulação é necessário o exercício de liberdade através da comunicação igualitária com o outro. Para e Espinoza é possível alcançar esse bem comum através da inteligência. Interseccionando os desejos:

FELICIDADE – LIBERDADE – VERDADE

… Quanto ao gênero de conhecimento, Espinoza distingui:

IMAGINAÇÃO: O sensorial habita a obscuridade do conhecer, na inadequação de imagens, isto é, uma opinião sobre forma de Lei até que outra opinião a substitua;

RAZÃO: Estabelece inter relação entre o todo e a parte, gerando uma estrutura necessária à compreensão das noções de uma existência;

INTUIÇÃO INTELECTUAL: Essencializa-se as idéias das coisas, em oposição à opinião, essa idéia quando adequada transporta-nos ao local da certeza intelectual.

A passividade ocorre quando as imagens que por nós são estabelecidas, tornam-se decorrência ou influenciáveis pelo nosso exterior. Quando somos afetados pelo externo, concepções difusas, parciais, tornam – se modelos e são padronizadas em seu conhecimento limitador.   Ignora -se, isto é, falsifica-se a verdade, pois a verdade torna-se uma afetação da realidade do indivíduo com o que lhe causa efeitos imaginativos. O que é fremente e necessário, para o filósofo, é desenvolver o exercício da liberdade, através da utilização da idéia, do pensar lógico, fazendo uso do intelecto, pois o mesmo não deve se atrelar às sensações e sim no pensar racional.

“A imagem é verdadeira enquanto imagem e é falsa enquanto idéia.” [5]

A distinção do intelecto e do imaginário em Espinoza ocorre quando se exclui da descrição ideológica, concepções aliadas às opiniões ao indivíduo; conhecendo as causas dos efeitos é que se instaura o verdadeiro saber, e por assim dizer o exercício da liberdade.Quando Espinoza fala sobre o conhecimento da causa, certamente ele exclui a inadequação dos pseudos saberes produzidos pela imaginação direcionada, pois ela estrutura o hábito nas crenças em base a dogmas, o que nos direciona, devido a fatores limitantes às concepções errôneas.  Conhecer a gênese de uma determinada coisa, certamente é desvelar sua causa, mas isso só ocorre através do intelecto, da utilização da razão, dar existência ao exercício da liberdade do pensar. Mas nessa definição, deixa claro que esse mover filosófico não se dá pela apropriação do objeto:

“(…) o círculo é uma figura geométrica na qual todos os pontos são eqüidistantes do centro – Apresentar uma propriedade do círculo, na é defini-lo realmente. A definição real ou da verdadeira é aquela que nos mostra que o círculo é a figura geométrica causada/produzida pela rotação de um segmento reto em torno de um centro físico ou de um ponto extremo central. Temos agora, a razão com a causa que faz o círculo ser o que ele é. Existir como existe e Ter as propriedades que tem.” [6]

Opondo-se a Aristóteles e trabalhando a idéia de que a definição do real não se dá descrevendo suas propriedades, nosso filósofo em questão de apóia-se na matemática, pois através desse mecanismo lógico obtém conceitos que nos transporta ao conhecimento racional.   É através do desenvolvimento de um método específico para tal que Espinoza nos alude da possibilidade de transpor a imaginação em função do intelecto. A origem e a causa será acessada através desse método que é uma inteligência reflexiva.

Outras palavras, é no conhecimento do poder ou da capacidade intelectual de pensar que se encontra a causa do método.” [7]

Através de atitudes reflexivas é que o indivíduo se percebe inteligente e libertário, utilizando suas potencialidades, direcionando-se para o verdadeiro. Como se vê o método está intimamente ligado à própria atividade reflexiva do intelecto e dessa forma ocorre à estruturação do livre pensar.Espinoza descreve a existência da verdadeira identidade do indivíduo através da liberdade desse ser, potenciando esse conceito enquanto linha de ação vinculada ao livre pensar. Assim cabe ao homem, através da apropriação de sua inteligência, dar origem á um padrão próprio e diferenciado de ética que o remeterá à liberdade.Ao afirmar ser o intelecto uma forma de capacitar o homem ao conhecimento, esse intelecto assume a forma básica de se acessar as causas essenciais de todas as coisas, desde que o indivíduo se liberte das opiniões oriundas da imaginação que lhe fora implantada circunstancialmente desde a infância. A matemática é uma a cabal fonte demonstrativa do potencial do pensamento de cada indivíduo.     Espinoza instaura uma inovadora concepção de liberdade quando aponta que o verdadeiro conhecimento não deve ser embasado em coisas exteriores, pois assim ocorrendo garante-se o critério diferenciado desse padrão institucionalizado, pois o conceito de verdade de forma alguma deve obedecer às premissas oriundas de uma realidade externa, isto é, na realidade que não se apóiem em doxas, nas opiniões, na imaginação implantada socialmente.

PREMISSAS ………………………………………….. FALSAS

 CONCLUSÕES ………………………………. ERRÔNEAS

Para se desvincular desse engodo mental, é necessário e fremente a utilização do acesso de uma idéia, vertida de uma gênese necessariamente verídica do seu objeto.

“A idéia verdadeira é aquela que mostra as operações realizadas pelo intelecto para concebê-la, constituindo o objeto (o ideado, ou conteúdo da idéia) através de suas causas necessárias. Em lugar de dizer, como a tradição, que uma idéia é verdadeira porque corresponde ao seu ideado. Espinoza afirma que uma idéia corresponde ao seu objeto porque é verdadeira.” [8]

Baseado numa supersticiosa e equivocada base, a imaginação mune-se de conceitos errôneos de Deus, concebendo-o de acordo com características que favoreça aquele que domina e que criou sistemas dominantes, desenvolvendo dessa forma, uma identidade divina que acentue a vontade imaginativa implantada num indivíduo enfraquecido pela crençasem um Deusque através de trocas e aquisições de bens, favorecerá a enormidade de seu séquitos gerados em função daquele que o deseja o poder social. Eis o alicerce da teologia e da metafísica a ser repensada e modificada de forma a abranger a maioria dos indivíduos respeitando sua liberdade.Aproximando a identidade divina das características e ações humanas (o que aproxima o humano do criador), e o indivíduo a ser dominado é desprovido de ação intelectual lógica; generalizou-se dessa forma, uma persona deusificada que ao mesmo tempo é munida de poderes sobre humanos, o que facilita a dominação pela força. Esse Deus fortalece e justifica as Lei político teologicamente instauradas, e como tal, jamais deveria ser sobrepujada, pelo fator de ser pecado.

Esse Deus transcende tudo, às vezes quando necessário aproxima-se dos eleitos, mas na maioria das vezes assume postura de distanciamento e superioridade ao mundo humano.

Outra atribuição divina é o poder absoluto sobre o universo, que por Ele foi criado. Ao contrário da duração determinada pela finitude humana esse Deus é adjetivado pela infinitude da existência, pela compreensão de tudo o que existe através da percepção do saber de tudo ao seu redor, ultrapassando tempo e espaço. Também lhe é atribuído o poder de ser e estar em todos os lugares, assim é criado um Deus munido de :

Onisciência – onipotÊncia – onipresença

A mais humana de suas características é o que justifica o reinado infinito que lhe é atribuído, onde todos os seres são a Ele subordinados e somente a Ele é dado o direito de absolvição de seus servos, vassalos, representantes, ou seja, verifica-se similaridades que justifica ações de seus eleitos na terra: Uma ditadura monarquista divina, sendo utilizada em prol da ditadura monarquista humana.Sendo esse Deus dono da verdade e criador de tudo, cabe a ele julgar “os vivos e os mortos”, concedendo a eles a liberdade tão sonhada e prometida; desde que saibam que isso só ocorrerá de acordo com a obediência da Lei em voga e que servirá de referencial disponível para a ação humana.

A liberdade em Espinoza é absolvida e tirada de cena pelo domínio da sensação humana, que é submetida aos homens dominantes e lhe é forjado conceitos de finitude e lhe é imposta limitação intelectiva.O Deus gerado pelo “homem eleito”, caracteriza-se pela opressão religiosa e comporta-se enquanto personalidade com instabilidade comportamental bi polarizada. Esse Deus é propositalmente humanizado de acordo com conveniências e interesses desse grupo de homens dominantes, dessa forma ao mesmo tempo em que está perto, presente, está oculto e longínquo, num dualismo deformado e direcionado:

                                           ADORADO

                                           MISTERIOSO

COLÉRICO

Deus                        AMOROSO

VINGARTIVO

JUSTO

BOM

Qosto Deus nos leva a crer que Ele surge da capacidade humana de estabelecer regras inversas a seu bel prazer, e ou efetivá-las enquanto tal, milagrificando – as. Mesmo que transgrida as impossibilidades matemáticas que regem o universo. Desse Deus advém também a onipotência tão almejado pelo humano.Ao homem, segundo essa teologia implantada, foi dado o poder do conhecimento divino a poucos, e o conhecimento parcial e particular à maioria dominada. Mas com a liberdade do pensamento provida de lógica e conhecimento verdadeiro de causa, ocorreu do homem originalmente pecar e romper o milenar posicionamento de prostração ao divino.

O homem peca

 

 

O homem sabe

 

 

Lhe é tirado servidão

    Instaura-se a culpa no humano, pois o indivíduo almeja sua liberdade, e a modificação do domínio existente; e esse desejo há de ser ludibriado através da implantação do sentimento de pecados e temores, justificando-se novamente a legalidade de forma renovada, da ordem vigente. O fortalecendo também dos mecanismos sociais ocorre, para que o “homem decaído” não infrinja a Lei existente. Eis uma questão que dicotomiza esse fálico Deus arquitetado por aqueles que sobrevivem do domínio dos homens.A onisciência divina, concede a Deus o saber dos mais profundo temores e anseios do homem, bem como tem ciência de sua tendência ao pecado, e dessa forma corrige seus seguidores extirpando o mal que por hora existe e que se apossa do homem. Ao reforçar no indivíduo o conceito que sua origem divina é ser bom e servil, assim sendo ele conquista a estabilidade social e benfazeja, ocasiona-se nova forma de domínio e expectativa.

 Mas, qual a intenção real de se punir os antigos e bons cordeiros que se aventuraram contra a tirania existente ?

Justifica-se realmente esse direito do tirânico na verdadeira fala divina?

São esses fatores, entre outros, que faz o indivíduo questionar a teoria da existência desse Deus. Algo gerado pela dominação enquanto espírito movido por um comportamento bipolar estremado.

Teria Deus um depósito infinito para a ignorância humana ?

Provendo esse Deus de propriedades e adjetivos humanos, gera-se em sua essência a probabilidade de um comportamento despótico, situado no plano da imaginação e desejo do homem.Dando tais características a esse Deus, justifica-se o domínio do homem pelo homem, haja vista a “Chefia” dos maiores vilões sociais ser agente mantenedor de um mundo povoado por uma pequena legião de eleitos legal e teologicamente e uma maioria de indivíduos condicionados pela crença que lhe é imposta a serem ávidos por servir tal reinado.Espinoza afirma ser necessário esquivar-se do conhecimento baseado na imaginação, atingindo uma idéia de Deus mais adequada e consubstanciada. Dessa feita atinge-se a percepção de um Deus substancial, existente em si e por si; e por assim o ser é a sua própria causa e de tudo o que mais existe, sem vínculos com a precariedade da condição humana.

                        O que O torna absoluto assim é devido a sua complexidade de entendimento da forma de sua geração e existência, bem como saber como é que tudo o que existe é devido a Deus e porque Ele não se prende ao tempo que o homem se limita. Sua existência simplesmente o é. Dessa forma, o homem jamais será livre verdadeiramente, mas uma liberdade ocasional poderá ser causada pelo seu livre pensar, sem a intenção de eternizar tudo:

ESSENCIA – EXISTENCIA – POTENCIA

A eternidade portanto não é um tempo sem começo e sem fim, mas ausência de um tempo…” [9]

 Espinoza afirma que, se Deus é a causa única de tudo o que existe e devido a sua infinitude, onisciência, potencia e presença, descarta-se dessa forma a necessidade de existir entre os homens representantes por Ele eleito. Sua infinitude abarca a existência de tudo, não havendo necessidade de representantes Dele na sociedade humana.

Somos conseqüência de Sua vontade, e não Ele é fruto do tempo humano, é causa maior de tudo o que existe, o que nos impede a concepção de que o mundo teve uma origem a partir do nada, bem como nos impede de sermos livres da real fonte criadora.No que se refere à liberdade do pensamento, ele poderá abarcar o universo de forma diferenciada quando entrar em harmonia com a natureza, que, enfim, é o que mais se aproxima com a expressão visível de Deus. Deus está intimamente ligado à natureza e o homem quando se agregar novamente a ela poderá obter um diferenciado entendimento, se bem que fragmentado pela limitação humana.

ELE se expressa nos Muitos, a partir de Si mesmo

Acessar Deus é acessar a liberdade com origem no criador. Mas cada indivíduo é livre para agir por sua própria natureza, já que sua essência é sua própria existência. Dessa forma reforça o conceito de ser Deus única e real causa existente. Esse Deus é imutável e devido a isso não cabe ao homem moldar ou mudar outro Deus de acordo com sua equivocada percepção. Para Espinoza Deus está vivo em tudo, porque tudo está em Deus e ele é vivo. E é através dessa concepção que o homem tende a libertar-se e para ele:

“o esforço para compreender é a primeira e única base da virtude.” [10]

O filósofo era contra a visão antropocêntrica da divindade. Deus conhece as coisas que criou. Dessa forma conhece os pecados. Mas os pecados só existem na mente humana. Assim, Deus não ama nem odeia os homens e nem o domina. Mas tem seus decretos. É por decreto que ele incita e encoraja os homens.O finito existe e se movimenta, transmutando sua finitude enquanto objeto inserido no infinito (Deus), isso num processo infindo.

Em um mundo povoado pelas superstições, Espinoza ousou adentrar no reino do proibido, em função de um maior aprofundamento filosófico.Certamente, como não poderia deixar de ocorrer, é vitimado pela furiosa e ruidosa incompreensão de seus mais profundos inimigos que são munidos pela ignorância.Saber ser ele desprovido do temor que abarcava uma época, já o faz alvo de uma enorme somatória de qualidades, pois esse filósofo deteve nas mãos, conceitos que duplicaram e metamorfosearam a visão de mundo de forma que jamais se poderia retroagir.

 Uma caverna fora transposta…

 É um dos protagonistas da destruição de um Deus com “pé de barro”, que por assim sê-lo não mais lhe saciava os instinto investigativos, e assim sendo e se portando foras transformado no maior dos alimentos de uma matilha de lobos que desprovidos do dom da ciência. Saciaram sua ignorância devorando-lhe seus direitos à liberdade, sem dar conta de que esse conceito não se aprisiona e muito menos se adéqua, pois simplesmente o é.


[1] In: CHAUÍ, Marilena, Espinoza, Uma filosofia da Liberdade, Coleção Logos, 2º Edição, Editora Moderna, São Paulo, 1995, [“Conhecimento por meio de imagens que representam confusamente as coisas (…)”];

[2] CHAUÌ, Marilena de Souza, Espinoza – Uma Filosofia da Liberdade, Coleção Logos, 2º Edição, Editora Moderna, São Paulo, 1995.

[3] Ibidem seis;

[4] Ibidem seis;

[5]  Ibidem seis;

[6] Ibidem seis;

[7] Ibidem seis;

[8] Ibidem seis;

[9] Ibidem seis;

[10] Baruch Spinoza

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[1] Oswald Spencer ;

[2] Declaração dos Direitos dos Homens – 1989;

[3] René Descartes;

[4] Jean Paul Sartre;

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Vivemos pelo poder das coisas que não existem. Por isso, os deuses são tão poderosos. (Paul Valery)

Poesia Lunar

cercada de poesia por todos os lábios

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