HOMENAGEM À GINGA(Série Ode Em Casa) ROBERTA LESSA


 

GINGA CAMINHA, ANINHA CRIA NO COLO.

Ah… essa nega que com seu revolteio deixa-nos atordoados de desejo.

GINGA  ALINHA, MANINHA FORTE E PROTETORA.
Ah… essa nega que com seu palavrório deixa-nos iluminados de lampejo.

GINGA PASSARINHA, LADAINHA REZA DE CURA.
Ah… essa nega que com seu sapateio deixa-nos alucinados de gracejo.

GINGA MINHA, VINHA DE SELETA VIDEIRA.
Ah… essa nega que com seu reboleio deixa-nos assumidos de pelejo.

GINGA GRACINHA, MAINHA MANSA E TERNA.
Ah… essa nega que com seu titubeio deixa-nos abobados de festejo.

GINGA LINHA, GRACINHA SAGRADA E PROFANA.
Ah… essa nega que com seu incendeio deixa-nos tresloucados de traquejo.

GINGA MAROLINHA, VENTOINHA QUE CONDUZ E SEDUZ.
Ah… essa nega que com seu ponteio deixa-nos animados de bodejo.

 

Homenagem à rainha Ginga, guerreira, mulher, conscientizadora e defensora de sua etnia dos colonizadores, dos traficantes de escravos e de outras tribos africanas que vendiam sua própria ente para benefício de alguns grupos étnicos.

Anúncios

SOBRE TRADIÇÃO FOLCLÓRICA E POPULAR (Série Folclórica Memória) ROBERTA LESSA


O que fazer para que nossas tradições deixem de ser apenas uma doce lembrança, ou mesmo serem conscientemente re significadas enquanto elemento cultural intrínseco no coletivo cotidiano da “Noiva da Colina”(*)?

Note bem: té mesmo o cognome de Piracicaba (**) é uma tradição.

Eis um fato que é importante salientar, em seu bojo a palavra tradição abrange todo contexto cultural de um determinado povo, seu legado, sua memória, toda reminiscência nesse complexo universo se símbolos, ritos e mitos, que toma para si a agulha de mão alinhavando a existência de um ser, de um grupo, de uma nação, de um planeta.

A tradição é inserida e não à parte de cada um de nós, povoa nossa mente,o espírito coletivo, enfatizando todas lembranças, que emergem travestida de recordações, comemoração e memória afetiva, enfim são os fazeres, dizeres e saberes de todo um habitat.

É importantes salientar que seu “desábito”, desuso, (in)frequência contribui para sua extinção ou total descaracterização por culturas temporais de consumo e de imediato compromisso para com a contribuição da ignorância de um coletivo….

Por isso é muito necessário ratificar o hábito da prática histórica da transmissão e manutenção dos saberes o que indica respeito, e valida a transmissão cultural. Tradição é transmissão do passado para o presente, um bem partilhado através da oralidade, que sofre modificações sim, de forma natural cumprindo um padrão evolucional de cada cultura em questão…

Cabe à nós verificarmos o quanto de tradicional temos em nós e então nos perceberemos inserido neste contextos tradicional.

(*) – Noiva da Colina é o cognome de Piracicaba, cidade do interior do estado de São Paulo.
(**) – Piracicaba em tupi-guarani quer dizer “Lugar onde o peixe pára”- a etnia indígena fora a primeira civilização “hominídia” do município de Piracicaba, originalmente esse era o nome dado ao rio pelos indígenas e tempos depois do povoamento realizados pelos homens brancos o nome da cidade também foi adotado como Piracicaba.

ge travestida de recordações, comemoração e memória afetiva.

 
Seu desábito, desuso, (in)frequência contribui para sua extinção…
 
Por isso é muito necessário ratificar o hábito da prática histórica da transmissão e manutenção dos saberes o que indica respeito, e valida a transmissão cultural.
 
Tradição é transmissão do passado para o presente, um bem partilhado através da oralidade…
 
Cabe à nós verificarmos o quanto de tradicional temos em nós e então nos perceberemos inserido neste contextos tradicional.
 
Published in: on 14 de junho de 2017 at 14:00  Comentários desativados em SOBRE TRADIÇÃO FOLCLÓRICA E POPULAR (Série Folclórica Memória) ROBERTA LESSA  
Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

FOLCLORIZE SEU VIVER (Série Folclorica Memória) RLESSA


foto-poema-roberta-lessa-ser-e-permanecer-2016

 

DA CONSTRUÇÃO MENTAL O ATO SE FAZ SEMENTE

O imaginário tece no ser características únicas gerando nele identidades diversas que quando somadas tornam-se construção alicerçada naquilo que constitui o que se denomina essência primordial do ser.

DA EMOÇÃO TOTAL O FATO SE FAZ NATURALMENTE

Coube ao ser humano oportunidades de desenvolvimento da intelectividade social atingindo com isso surpreendentes e quase inimagináveis padrões vivenciais que corroboram para que a soma dos seus saberes forjem a estrutura de seu habitat.

DA INTUIÇÃO GERAL O EXTRATO SE FAZ GRADUALMENTE

Também ao ser humano o acesso à multi universos de infindas dimensões, que muitas vezes insondáveis, são consideradas de impossível existência; fato que o torna um ser ainda mais diferenciado e estruturado de acordo com suas escolhas e ações consequentes.

DA CONSIDERAÇÃO GLOBAL O SUBSTRATO DE FAZ ESSENCIALMENTE

A junção da cultura cientificista com a cultura popular torna o ser humano erudito e  mestre de si, dos elementos de seu cósmico entorno e comprometido na efetivação de uma sociedade voltada e focada para o bem comum e para os saberes, dizeres e fazeres em  equilíbrio com o todo e tudo que existe física, etérea e extra fisicamente.

DA MISCIGENAÇÃO RACIAL O RETRATO SE FAZ CONSUBSTANCIALMENTE

Esta valorização do imperceptível aos sentidos físicos e do comprovado pela exata ciência humana tece miríades de configurações que ampliam a óptica do ser que acolheu a busca incessante de si mesmo  fortalecendo a ludicidade existente em todas as esferas a serem consideradas.

DA ELEVAÇÃO INDIVIDUAL O APARATO SE FAZ ETERNAMENTE

Cada um é um povo, cada povo é uno e deve-se elevar reverencialmente toda sabedoria inerente e desenvolvida pela humanidade e demais seres e não seres existentes.

DA UNIÃO UNIVERSAL O ABSTRATO SE FAZ EQUILIBRADAMENTE

O fato novo a ser considerado nada mais é que uma versão modernizada daquilo que herdamos de antigos mestres ancestrais e acessamos através de registros físicos, mentais, orais e ou da memória universal coletiva, se desconsiderarmos o tempo e o espaço que somos oficialmente submetidos e por vezes limitados pela escravidão e cegueira mental.

NOSSO CASO (Série Diálogos Poéticos) ROBERTA LESSA


536534_4199407536579_1768340487_n

 

QUASE POR SONHAR
sonhar amores
sonhar saudades
sonhar juventudes
sonhar amplidões
sonhar esperanças
sonhar encontrar
sonhar eternamente
QUASE POR PENSAR
pensar labores
pensar vontades
pensar amiúdes
pensar emoções
pensar alianças
pensar crenças
pensar mansamente
QUASE POR DESEJAR
desejar sabores
desejar bondades
desejar virtudes
desejar corações
desejar mudanças
desejar graças
desejar ardentemente
QUASE POR FALAR
falar amores
falar brevidades
falar atitudes
falar saudações
falar semelhanças
falar avenças
falar calorosamente
QUASE POR CHEGAR
chegar ardores
chegar felicidades
chegar licitudes
chegar reverberações
chegar forças
chegar mudanças
chegar amorosamente
QUASE POR AMAR
amar valores
amar afinidades
amar amiúdes
amar corações
amar diferenças
amar semelhanças
amar imensamente
QUASE POR CASAR
casar ardores
casar diversidades
casar quietudes
casar orações
casar crenças
casar esperanças
casar finalmente

 

EM DIÁLOGO COM O POEMA “QUASE NO ALTAR”, DE AUTORIA DE JACÓ FILHO.

Published in: on 26 de outubro de 2016 at 16:08  Comentários desativados em NOSSO CASO (Série Diálogos Poéticos) ROBERTA LESSA  
Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

TRADIÇÃO ( Série Folclórica Memória) RLESSA


148853_4105907839145_28451742_n
TRADIÇÃO COM TRADIÇÃO
As diferenças se complementam
As cores se alimentam
As formas se implementam
As pessoas se respeitam
As artes se fomentam
As memórias se remontam
As belezas se contrastam

TRADIÇÃO COM TRADUÇÃO
Com perdas e ganhos permanecem
Com juras e engôdos emudecem
Com silêncios e desvios endurecem
Com idas e vindas entristecem
Com cores e sabores amanhecem
Com zigs e zags resplandecem
Com preto no branco guarnecem

TRADIÇÃO COM TRAIÇÃO
Apesar de acolhidas ainda é
Apesar de despedidas ainda é
Apesar de desmedidas ainda é
Apesar de confundidas ainda é
Apesar de difundidas ainda é
Apesar de precedidas ainda é
Apesar de concedidas ainda é

TRADIÇÃO COM TRAÇÃO
Rodas que alimentam estradas duais
Modas que dragam formas desiguais
Parlendas que sustentam vidas comensais
Podas que reinventam formas eventuais
Bodas que alegram memórias ancestrais
Lusíadas que contam estórias memoriais
Fendas que adentram carnes metalinguais

TRADIÇÃO CONTRAÇÃO
Pulsa parte perto porvir para plantear plateia
Arde algo alheio antes aflorado além lugar
Dança dentro daquilo donde dádiva detém dons
Face fácil felicitar fazendo formas frementes ferozes
Real riso retumbante reciclando rotos rostos ridentes
Total talento talhado tecendo toda turma temperada
Nascente niilismo natural naquela nutrida norma nacional

TRADIÇÃO EM EXTRADIÇÃO
Adicione normas e deterá suas formas
Adicione formas e conterá regras
Adicione regras e mudará métricas
Adicione métricas e gestará medos
Adicione medos e apontará dedos
Adicione dedos e despertará gulas
Adicione gulas e imporá normas

TRADIÇÃO EM ESTRADA E AÇÃO
O pé alicerça a pena que traduz o caminho marcado
A pena distancia o ponto que une o trabalho fadado
O ponto diferencia a ponta que usa o fato degredado
A ponta determina o penar que firma o trato mandado
O penar descreve a pinta que tinge o ato findado
A pinta obedece o poder que assume o grito bradado
O poder oprime a pena que tece o sentir escaldado

Texto: Roberta Lessa
Imagem: Coletada na internet

COMPLEXO POETA (Série Diálogos Poéticos) ROBERTA LESSA/WISEL


6

AGILMENTE
Passeias pelos versos…
FELIZMENTE
Alegras com rimas…
ALEGREMENTE
Flutuas entre palavras…
ASSUMIDAMENTE
Animas como poeta…
COTIDIANAMENTE
Colores as páginas…
HARMONIOSAMENTE
Integras seu cotidiano…
CONTEMPLATIVAMENTE
Comparte com seus pares…

EM DIÁLOGO COM O POEMA “AO MEIO DIA”, DE AUTORIA DE WISEL.

Acesso em: http://www.recantodasletras.com.br/poesiasdeamor/5740476

CONGADA DE PIRACICABA (Série Folclórica Memória) ROBERTA LESSA


000000

Grupo de Congada do Divino de Piracicaba – Foto Fran Camargo – 2016

            A Congada do Divino Espírito Santo de Piracicaba é formada de um complexo universo existencial um misto de culturas de múltiplas nacionalidades e de etnias que sincretizam-se desde o tempo do Brasil pré colonial até a atualidade. Sua existência contempla signos culturais inúmeros e multi facetados, abarcando em sua gênese todo complexo universo cultural legitimado pela influência antropológica de origem indígena, européia, africana, e de demais expressões que somaram-se posteriormente enriquecendo-a em suas formas de expressões artísticas culturais. À exemplo citamos  uma de suas muitas fortes vertentes existenciais no município e que remonta quase dois séculos de  prática devocional, através da transmissão e continuidade da prática popular e clerical de culto ao seu Sagrado, onde antigos povoadores trouxeram à Piracicaba o costume cristão de se reunirem nos meses que antecediam os festejos em louvor ao Divino Espírito Santo, à paga de promessas e pedidos à Terceira Pessoa da Santíssima Trindade,  na sequência das comemorações do Pentecoste.

190 Festa Divino Pira- Missa de benção (Foto Roberto Rocha 22

Festa do Divino de Piracicaba no ano de 2016

            Os devotos, moradores local eram artistas, populares, religiosos, governantes que participavam da atividade devocional eram conhecidos como foliões e parte deles compunham a Folia do Divino e à posteriori foi denominada em Piracicaba como Congada do Divino Espírito Santo e que existe até hoje. Em comitiva os foliões visitavam as casas de famílias moradoras nas zonas rural e urbana, e eram recebidos com festividades pelos moradores que aguardavam com farta comilança por aqueles que junto à eles reverenciariam o seu Sagrado, como ainda ocorre atualmente nos já conhecidos Pousos do Divino, com cantos, danças, orações, pedidos em promessas que eram pagos ou agradecidos  através da mortalha e ex votos,  neste período os moradores circunvizinhos se reuniam em orações na casa que recebiam os marinheiros e os foliões do Divino que trazim consigo a Bandeira consagrada. Em síntese, neste período religioso ocorriam rituais que precediam e preparavam a população devota para os festejos em louvor ao Divino Espírito Santo, herança da colonização portuguesa introduzida no Brasil no século XVII.  (…)

10250127_10202622160168308_1056522056124943088_n

Congada do Divino Dançando Baixão do Divino- Acervo GRUCONDESPI

            Na década de 1940, o então professor e pesquisador João Chiarini, percebendo a emergencial e urgente necessidade de salvaguardar e apoiar as riquezas existentes e que estavam em risco de extinguirem-se no município e região, promove inúmeras ações em defesa do folclore e da cultura popular de tradição piracicabana, unindo-se com representantes de diversos segmentos  da cultura de tradição local, tornou-se literalmente guardião junto com outros fazedores dessas manifestações, difundindo-as  por todo o Brasil e em outros países, através do então recém criado Centro do Folclore de Piracicaba. Chiarini une-se à dançantes, cantadores, tocadores e devotos, iniciando assim o grupo de Dança Folclórica de Piracicaba, que alia além da Folia, danças diversas. Posteriormente, dando sequência à sua gênese esse grupo, que se reunia no Largo dos Pescadores, na famosa rua do Porto do município de Piracicaba, torna o grupo folclórico Congada do Divino Espírito Santo de Piracicaba e se  mantém até hoje todas demais danças fortalecendo-se ainda mais enquanto grupo devocional e oficial da festa do Divino de Piracicaba. (…)

10003913_10202622157808249_699004654133054802_n

Congada do Divino de Piracicaba – Cantadores e Tocadores – Acervo GRUCONDESPI

            A Congada de Piracicaba em seu movimento evolutivo tem em sua tessitura histórias diversas, que compõem e enriquecem seu universo atemporal. Sempre ativa, atravessou por muitos desafios superando-os à medida que surgiam. Hoje ela e todos que dela fizeram e fazem parte são símbolos de resistência, fé, devoção e principalmente irmandade entre seus pares. Em sua existência surgem gradualmente músicas e coreografias com temáticas elaboradas e alusivas à religiosidade e ao folclore local e nacional, unindo heranças transmitidas através da oralidade introduzidas e desenvolvidas por seus antigos componentes. Neste contexto verifica-se um significativo processo sincrético, culminando o que hoje denomina-se Congada do Divino de Piracicaba. Uma das características essenciais da Congada de Piracicaba é a manutenção e difusão do legado multi cultural que a compõe e que a fortalece, além de manter e preservar a devoção ao Divino Espírito Santo e à nossa Senhora de Aparecida, cultuados desde seu início enquanto Folia do Divino.

FESTA DIVINO PIRACICABA- Missa Benção Bandeiras (Ivan Moretgti) 3

Congada do Divino de Piracicaba – Derrubada e Benção dos Barcos- Festa do Divino de Piracicaba -2016 – Acervo GRUCONDESPI

            Ao longo do tempo a Congada de Piracicaba torna-se reconhecidamente o único grupo manifesto e ininterrupto desde o início de suas práticas até a atualidade, tornando-se elemento preponderante e significante de tradição folclórica, popular e religiosa de Piracicaba,  aliando a prática da fé aos diversos ritmos, credos, usos e costumes que incorporaram à suas apresentações. É o único grupo da região do Médio Tietê que apresenta suas atividades as apresentações de: Baixão do Divino, Congada do Divino, Caninha-Verde, Samba Lenço, Dança do Pau de Fita, Tangarás, Rio de Lágrimas, gerando um universo sincrético acolhedor entre rituais, ritos, ritmos, e demais heranças culturais.     (…)

FESTA DIVINO PIRQACICABA- Congada (Roberto Rocha) 37

Dona Tica: Rainha da Congada – Acervo GRUCONDESPI

            Resistindo às muitas intempéries nesse longo espaço de tempo de existência, representa Piracicaba em diversos eventos religiosos, artísticos culturais e ou filantrópicos, à exemplo, é representante do município no Ciclo do Divino em festas alusivas ao Divino Espírito Santo, à São Benedito, à Nossa Senhora de Aparecida, pousos, encontros, congressos, festivais, missas, fóruns, feiras e festejos de forma geral. É importante ressaltar a importância da Congada de Piracicaba nos festejos folclóricos, e que por opção do grupo se mantém informal visando evitar tornar-se um empreendimento comercial,  e tem em seu bojo a resistência, inovação e manutenção da tradição do município, sendo de valor significativo e expressivo para a interpretação e re significação da cultura local, onde se identificam elementos sócio antropológicos e semiológicos tais como, dança, medicina popular, canto, rito, religião, economia, música, representação, crendice, entre tanto outros itens que integram o contexto social de um coletivo de tradição secular manifesto, gerando uma rede de relações sócio culturais multi dimensionada.

FESTA DIVINO PIRQACICABA- Congada (Roberto Rocha) 46

Congada representando o cruzamento dos remos no Rio Piracicaba -Foto Roberto Rocha

            Isso posto, sua presença é tênue e de sistemático referencial teórico nas diversas áreas de conhecimentos, ocasionando dessa forma a aculturação e  miscigenação completa de práticas e revisitações de técnicas corporais, orais, rítmicas, à luz da interpretação cultural, imprimindo o que chamamos de transfiguração. Enquanto objeto de estudo, cabe enfatizar que a Congada de Piracicaba é fonte de pesquisa do universo acadêmico em nível nacional e internacional, fornecendo subsidios aos pesquisadores que produzem publicações, documentários, filmagens e gravações difundidas há décadas.

FESTA DIVINO PIRQACICABA- Congada (Roberto Rocha) 24

Caetano Provenzano – Rei da Congada -Foto Roberto Rocha

            O objetivando a salvaguarda desse bem imaterial e justifica-se o seu já tardio registro nos livros de saberes, dizeres e fazeres do Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Piracicaba – CODEPAC, para tal a coordenação do grupo no ano de  2010 solicitou oficiosamente aos conselheiros da entidade o seu registro enquanto patrimônio imaterial do município, fato que até os dias de hoje aguarda posicionamento do organismo supra citado. Tal intento, tem apoio da vereança onde através de aprovação unanime  em reunião camarária fora encaminhado uma moção ao senhor prefeito de Piracicaba para que ele decrete legalmente a Congada de Piracicaba como patrimônio imaterial de Piracicaba, fato que o grupo continua a aguardar. (…)

moldura (1)

Congada do Divino na Folia do Divino (Festa do Divino de Piracicaba – Foto Fran Camargo

            Nas artes também verifica-se produções significativas em diversos segmentos da cultura artistica, tais como literatura, escultura, teatro, pintura, desenhos, artesanato, entre outros. É de suma importância salientar e referendar que cada componente da Congada do Divino de Piracicaba é agente responsável pela sua salvaguarda, resistência, sobrevivência e vitoriosa superação, seja como cidadãos, organizadores, “dançadores”, “tocadores”, e ou “cantadores”; que se harmonizam com a comunidade, nos festejos da cidade e de outras localidades; demonstrando também o modo como transitam física, mental e espiritualmente nas comunidades que atua. Sobrevive com recursos próprios, pois não recebe subsidios e ou apoio financeiro de entidades governamentais e ou não governamentais, e muitas vezes seus coordenadores investem recursos próprios no grupo para que possa dar continuidade e manter o grupo. Com base em um novo olhar, há de se entender que a Congada do Divino de Piracicaba constitui um significativo elo para a interação de diversos elementos presentes na sociedade, assim, o corpo que se manifesta, ora em casa, ora na rua, traz impregnada sua cultura: a cultura da Congada, a Congada de Piracicaba.

FESTADIVINO-Foto (Encontro Bandeiras) 2016) Vera Sartori 3

A Congada é guardiã dos andores do Divino e de Nossa Senhora na festa do Divino de Piracicaba – Foto Fran Camargo

ROBERTA LESSA

Coordenadora. da Congada do Divino Espírito Santo de Piracicaba

Folclorista, Escritora, Arte Educadora, Pesquisadora, Curadora

10269580_10202747174013576_9209220578542812344_n

(Texto de autoria de Roberta Lessa, proibida o uso e  difusão parcial e ou integral sem citar a devida fonte: LESSA, Roberta, Congada de Piracicaba: Memoria de Um Povo de Um Lugar, Acervo Congada do Divino de Piracicaba-SP, 2009)

SOMA DE PERCEPÇÕES (Série Reflexiva) ROBERTA LESSA/JACÓ FILHO


562369_10200293876802679_1188042508_n

… Poetizas entre junções poéticas nórdicas :
– MEU GOSTO POR PALAVRAS DISTANCIA E APROXIMA.
: nada teme no universo do pensar oculto…

… Harmonizas entre noções estéticas módicas :
– MEU ROSTO POR PALAVRAS ANUNCIA E OCULTA.
: tudo freme no reverso do meditar inculto …

… Balizas entre paixões fonéticas drásticas :
– MEU POSTO POR PALAVRAS RENUNCIA E PERMANECE.
: sempre geme no verso do sondar sepulto …

… Suavizas entre pulsações piréticas monádicas :
– MEU OPOSTO POR PALAVRAS ENUNCIA E INVADE.
: quando teme no inconverso do amar adulto …

… Ojerizas entre colisões patéticas herméticas :
– MEU PROPOSTO POR PALAVRAS SILENCIA E GRITA.
: sendo íngreme no diverso do enunciar aculto …

… Preconizas entre emoções ecléticas telepáticas :
– MEU COMPOSTO POR PALAVRAS DENUNCIA E AGRIDE.
: nunca treme no obverso do analisar indulto …

… Micorrizas entre contrações míticas empáticas :
– MEU APOSTO POR PALAVRAS VIVENCIA E MORTIFICA.
: quanto leme no extroverso do bolinar exulto …

EM DIÁLOGO COM A INTERAÇÃO “FLOR MORENA”, DE AUTORIA DE JACÓ FILHO.

Published in: on 24 de julho de 2016 at 3:40  Comentários desativados em SOMA DE PERCEPÇÕES (Série Reflexiva) ROBERTA LESSA/JACÓ FILHO  
Tags: , , , , , , , ,

ANTÔNIO: QUAL SUA VERDADEIRA FACE (*)


ANTÔNIO SANTO
SANTO ANTÔNIO
Qual sua verdadeira face?
Qual seu verdadeiro legado?

 

PEQUENA ICONOGRAFIA(**) DE SANTO ANTÔNIO

“Os símbolos dão a idéia geral da imagem e alguns critérios de interpretação. Por exemplo, na imagem de Santo Antônio, há símbolos de santidade, pertença à Ordem Franciscana, eleição divina e indicação de que foi pregador. Esses símbolos, santidade, eleição, pregador e franciscano, são mais ou menos universais e imutáveis. Os atributos, que os caracterizam, o lírio, o menino, a Bíblia e o hábito são mutáveis e sujeitos, a cada época, a um tipo de leitura.”

ATRIBUTOS

a) O hábito franciscano – É um atributo que aparece desde a primeira hora e sempre serviu como mesma chave-de-leitura: quer dizer que ele foi franciscano. No século XV apareceram algumas breves representações que mostravam o santo com um hábito cinza, dos penitentes ou mendicantes; o corte tonsurado do cabelo tem o mesmo significado.

b) O livro (o atributo mais antigo) – Representa o Evangelho e a sabedoria de Antônio, primeiro mestre de Teologia da Ordem dos Frades Menores e doutor da Igreja. Lembra o pregador que arrebatava as multidões com as palavras do Evangelho. Por sua sabedoria bíblica, o Papa Gregório IX chamou-o de “Armário (Arca) do Testamento”.

c) O menino – O menino é visto em três tipos de representação:

1. Em cima do livro: em geral aparece sobre o livro aberto que o santo tem na mão, em gesto de quem abençoa, ou, usando um gesto de origem grega, com os dedos médio e indicador levantados, juntos, como a chamar a atenção para alguém que vai falar (no caso, o santo, pregando); pode representar a visão presenciada pelo Conde Tiso, em sua residência; o estar em cima do livro (Bíblia) evoca a característica de Frei Antônio como pregador do Verbo encarnado; o menino, segundo algumas fontes, nos primeiros tempos, não seria Jesus, mas as crianças, por quem o santo tinha enorme predileção; numa obra de El Greco, o menino (Jesus) aparece como brotando das páginas do livro, onde Antônio mostra a revelação do Verbo.

2. No colo do santo: em outras representações, o livro aparece de lado, e o menino Jesus está no colo de Antônio, numa atitude de extraordinária familiaridade, acariciando-lhe o rosto.

3. Sendo mostrado ao santo, pela Virgem Maria: Um quadro (reproduzido em alguns “santinhos”, mostra a Virgem apresentando o Filho à adoração de Antônio).

d) O lírio – O lírio é um símbolo-atributo que aparece nas representações artísticas após o século XV e se toma popularíssimo; tem dois significados: o mais antigo remete a Pádua; o lírio é a flor da estação na qual Antônio morreu; é a flor do campo, ornamental, perfumada,medicinal e frágil. O outro significado simbólico, posterior ao primeiro, refere-se à pureza, à castidade, à pobreza e ao vigor do testemunho de vida, na entrega do coração virginal a Deus. Há ainda um terceiro atributo, paralelo: a natureza, mostrada, pelos franciscanos, como sinal de Deus.

e) A cruz na mão – A cruz na mão (do século XVI) pode significar duas coisas: o espírito missionário do santo, ou, seu desejo de tomar-se um mártir da fé.

f) Os pés desencontrados – Se observarmos as imagens de Santo Antônio, veremos que seus pés não estão um ao lado do outro, mas um mais à frente do outro; trata-se de um indicativo de “em marcha”, “a caminho”, atitude que sempre caracterizou seu trabalho missionário.

g) A fisionomia adolescente – O rosto jovem, alegre e belo é consequência, como já vimos, daquela perfeição que a religiosidade popular passa à arte, relativamente aos santos e bem-aventurados; significa, também, a jovialidade do espírito do cristão.

h) O pão – Em certas obras de arte antigas (século XVI-XVII) vê-se o santo distribuindo o “pão dos pobres”; esse atributo é o mais recente; apareceu em Messina, na Sicília, em meados do século XIX, durante uma época de fome.

i) A chama – A chama de fogo que aparece em alguns ícones, especialmente orientais, simboliza o amor divino, o zelo e a paixão do santo por Jesus e seu Evangelho.

j) A nogueira – Esta é uma representação não muito conhecida; pouco antes de morrer, com falta de ar, Frei Antônio pediu que armassem sua cela no topo de uma nogueira frondosa, possivelmente nas propriedades do Conde Tiso. O santo já estava doente; falam em hidropisia e asma; há quem suspeite de obesidade (“adquirira certa corpulência…”) e diabetes; ali, além da altura (que proporcionava o ar fresco), o odor das resinas da árvore mantinha-o defendido dos mosquitos; pois mesmo ali vinha gente ouvir sua palavra. Uma pintura renascentista mostra o santo em cima da árvore, pregando ao povo, sentado, com a Bíblia na mão, como se estivesse numa cátedra, tendo, abaixo de si, São Boaventura, na época, o coordenador geral dos franciscanos; o estar na árvore é figura do desprender-se da vida terrena, já que o santo estava nos últimos dias de vida.

l) O terço – Para explicitar que Santo Antônio era um homem de oração, a iconografia do século XVI representou-o com um terço pendurado à cintura. O terço foi criado por São Domingos de Guzman (f 1221), utilizando antigos modelos orientais.

(*) – Há vários aspectos da vida, das pregações e dos milagres de Santo Antônio constantes de sua iconografia. O “sermão aos peixes”, em Rimini, o “coração do avarento dentro do cofre”, em Florença, “a mula ajoelhada diante do Santíssimo” em Rimini, fazem parte desse emocionante acervo, criado por mestres da pintura. A morte do santo, em Arcella, e lá fora as crianças fazendo o miraculoso anúncio, está magistralmente pintada numa obra de Murillo.

A icnografia leva-nos, como foi dito, a uma leitura analítica mais atenta de todos os símbolos e atributos que a devoção popular e oficial creditaram aos santos. Iconografia é para se ver e entender, independentemente de valores estéticos. Uma obra de arte, seja um quadro sofisticado ou uma rude representação popular, não é para ser achada bonita ou feia, mas para ser entendido o seu sentido.

No caso místico, as imagens de Deus e dos santos servem para criar aquela aproximação física que nossas carências reclamam, para um ajutório de memória, e para avivar a fé, relembrando as práticas e os sacrifícios daquele que está ali retratado.

E nós, hoje? Somos daqueles que entendemos que, pelo fato de possuirmos essa ou aquela imagem em nossa casa, já temos comunhão com quem está ali representado? Há pessoas que vão à igreja, oram diante das imagens, acendem velas e esquecem-se de reverenciar a Cristo, vivo e presente ali na Eucaristia. Somos desses?

Temos formação suficiente que nos dê uma exata noção entre santidade e divindade, imagem, representação, mediação, pessoa e divindade?

(**) – Iconografia: representação de uma coisa sagrada, ciência que caracteriza o estudo, a descrição e os conhecimentos de imagens.

DADOS REFERENCIAIS:

– Extraído do livro “Santo Antônio, a realidade e o mito”, de Carmen Sílvia Machado Galvão e Antônio Mesquista Galvão, da Editora Vozes

– Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil

– Franciscanos.org.br

http://franciscanos.org.br/?p=18125#sthash.PAsmfRd2.dpuf

– Imagens: http://conventosantoantonio.org.br/iconografia-antoniana

 

Published in: on 13 de junho de 2014 at 11:22  Comentários desativados em ANTÔNIO: QUAL SUA VERDADEIRA FACE (*)  
Tags: , , , , ,

FILOSOFIANDO IDÉIAS – REVOLUCIONAR ? -(RLessa/Mar/2014)


1922 1922 1922 1922 1922 1922 1922 1922 1922 1922 1922 1922 1922 1922 1922 1922 1922 1922 1922 1922 1922 1922 1922 1922 1922 1922 1922 1922    SEMANA DA ARTE MODERNA    1922 1922 1922 1922 1922 1922 1922 1922 1922 1922 1922 1922 1922 1922 1922 1922 1922 1922 1922 1922 1922 1922 1922 1922 1922 1922 1922 1922 

Todos deveríamos ter pelo menos uma semana de arte moderna por semana, sabe aquelas situações que rompe o que é cristalizado e perene em nosso cotidiano e que nos massacram a alma? Cuidado “pessoas” neste universo por mais que queiram, felizmente para nós, “nada é perene”; a não ser aquilo de real valor guardamos em nossa memória a(e)fetiva.

No Brasil, um grupo de pessoas investiram nesta chance de sair da mesmice e juntos com outros muitas vezes nem tanto anônimos que sequer constam nos anais da Semana de Arte Moderna de 1922; somaram e concretizaram a oportunidade de se (des)estabelecer uma estética diferenciada e comportamento dissociados dos vigentes no país. Primeira quinzena de um fevereiro, de num ano ainda debutante no calendário, enfim foram-se noventa anos e muito ocorreu até chegar até nós resquícios de vozes dissonantes de uma sociedade abarcada pela modernidade e progresso tecnológico emergente.

Entre anônimos e não tão anônimos foram Mários, Oswalds, Plínios, Tarsilas, Villa-Lobos, Tácitos, Anitas, Cavalcantis, Victores, Guilhermes que deram à arte vida própria, ativa e pulsante… mulheres, homens, conceitualizações estéticas inusitadas, reflexo do que acontecia lá fora, no além mares, pactuando com VIDOVIX : “Essa nova arte, apresentada de um modo autenticamente brasileiro, basicamente contestava tudo o que se conhecia até então: poesias declamadas (antes eram apenas escritas e lidas), noções de artes plásticas aplicadas na tela, concertos acompanhados de cantoria, e tantas outras inovações que, hoje em dia, se tornaram comuns.”

– Um resumo?

Escândalo: aos academicamente bancados e assentados em sua mesmice e concepções artística (claro também com seus valores estéticos a serem considerados)… Eis que surge na Terra do Pau Brasil a Modernidade, necessária e agora desenfreada graças à … aos artristas intépidos que pululavam pelos conceitos até então considerados anti estético e por vezes imoral, isso é Divinal.

Romperam-se o portais oportunizando novas experimentações artístico social, numa época que tudo era proibido: até ousar, foram desbravadores. E hoje muito de seus “herdeiros” degredam todo esse patrimônio com o que consideram arte, mas que torna-se apenas manifestações egóicas… alfinetadas à parte. Mas felizmente há sobreviventes resistentes dessa arte que revolucionou e isso causa um desconforto que conforta-me, e rio de prazer em ver determinados jovens dando continuidade com competência e irreverencia tão necessárias e presente nos “antigos modernistas”.

O complicado disso tudo é que em nosso atual sistema social aceita-se tudo e quase nada se faz, e quando se faz, poucos tem acesso, pois promover o ignorar do indivíduo é mantê-lo sobre as rédeas de sua própria ignorância, om isso, deixa-o pensar ser revolucionário quando na verdade nada mais é que um instrumento de controle e medidas do poder vigente.

  • Ôps… outra alfinetada?
  • Não podia?

  • Mainha, me acóóde…

  • Tadinha da mãe Florzica.

  • E vóinha Estephania então? Revirando-se no além túmulo: Que nada ela era das minhas… rs

Família à parte, a Semana de Arte Moderna concatenou no Brasil o reflexo daquilo que era mundial e com essa sintonia amplos e largos passos foram dados em função de uma nova arte, uma nova concepção de vida, um novo saber despertado e um Brasil com mais cara de Pau – Brasil. Hoje temos por compromisso despertar, ou melhor, dar continuidade no outro e em nós a “(…)força e energia que(…) CONSTRÓI(…) coisas belas(…)” re significando, contemporanizando a alma desse povo que muitas vezes nem se percebe cidadão, quiçá artistas em potencial.

Published in: on 11 de março de 2014 at 6:41  Comentários desativados em FILOSOFIANDO IDÉIAS – REVOLUCIONAR ? -(RLessa/Mar/2014)  
Tags: , , , ,
O LADO ESCURO DA LUA

Minha maneira de ver, falar, ouvir e pensar o mundo... se quiser, venha comigo...

palavra[interna]

JAMES MORAIS & LAIANA DIAS | BRAZIL | Poesias & Reflexões

Liberte-se!

Tem coisas que só sai da gente por escrito.

Curtir THE Novo

Luz, Alegria e tudo que há THE novo

marcianossabemler.wordpress.com/

Para gostar tanto de livros, só poder ser ETE!

DITIRAMBOS

Poemas, Ensaios, Críticas, Biografias, Tudo Sobre Poesia e Poetas Realmente Importantes. A Poesia em Diálogo com outras Artes. A isso se propõe o Ditirambos. Haroldo de Campos: Não importa de fato chamar o poema de poema: importa consumi-lo, de uma ou outra forma, como coisa.

Experimentarte

espaço de expressão do artista

Rubem Alves:

Ler é fazer amor com as palavras.(blog sobre Rubem Alves)

Rubem Alves | Blog não oficial

coletânea de textos desse grande Educador

Esquizofrenia das Artes

Blog dedicado a divulgação cultural e artística

Cacos Metafóricos

por Petterson Farias

Nas Duas Margens

Nas duas margens - blogue de Vamberto Freitas

O LIVRO DOS SERES IMAGINÁRIOS

Vivemos pelo poder das coisas que não existem. Por isso, os deuses são tão poderosos. (Paul Valery)

Poesia Lunar

cercada de poesia por todos os lábios

%d blogueiros gostam disto: